Rugby – a copa do mundo da bola na mão

O terceiro maior evento esportivo do planeta está prestes a começar. Quer saber por que você não pode ficar de fora?

Durante quase dois meses, 4 bilhões de pessoas em todo o mundo vão parar o que estão fazendo algumas vezes por semana e sentar em frente à televisão. Não é falta do que fazer. É amor ao segundo esporte mais praticado do planeta, disputado em pelo menos 120 países e que, aos poucos, começa a se profissionalizar e ganhar fãs no Brasil. Entre 9 de setembro e 23 de outubro, acontece na Nova Zelândia o terceiro maior evento esportivo que existe, a Copa do Mundo de Rugby – que só perde em audiência para a Copa do Mundo de futebol e para as Olimpíadas.

Nos jogos, 30 fortões empurram-se, derrubam uns aos outros, metem a mão aberta na cara do adversário e fazem quase de tudo para impedir que ele marque um gol. Apesar de na maior parte do tempo a bola (que é oval) ser passada e segurada com as mãos, o esporte teria originado-se do futebol. (A história mais conhecida é que um aluno da Rugby School, na cidade inglesa de Rugby, jogava futebol quando pegou a bola com as mãos e partiu em direção ao gol adversário, enquanto os oponentes tentavam segurá-lo.)

A Copa do Mundo deste ano acontece na Nova Zelândia, país que está para o rugby assim como o Brasil está para o futebol. “É a seleção que mostra para o mundo como jogar, que tem jogo bonito e plástico”, diz o sul-africano Keith Young, ex-auxiliar técnico da seleção brasileira masculina de rugby e hoje treinador do time principal do Bandeirantes, em São Paulo. Mas é também a que sempre promete e quase nunca leva: só foi campeã em 1987. As equipes com mais vitórias na copa são Austrália e África do Sul, bicampeãs. “Este ano, ainda mais por jogarem em casa, os neo-zelandeses são os grandes favoritos”, afirma Fernando Portugal, capitão da seleção brasileira. “Porém, por outro lado, eles também podem acabar sentindo a pressão.” Mais ou menos como deve ser a Copa do Mundo de futebol de 2014 por aqui…

O que não há dúvida é que o rugby está em alta. Prova disso é que ele volta às Olimpíadas justamente nos Jogos do Rio em 2016. O esporte chegou a participar de quatro edições, mas foi excluído após a de 1924 especialmente porque o presidente do Comitê Olímpico Internacional, apoiador do esporte, deixou o cargo e porque poucas nações participavam dos torneios internacionais. Agora, o cenário é bem diferente. O Mundial, por exemplo, conta com 20 seleções. E 95 nações integram o ranking mundial. O Brasil ocupa a 28a posição nele. Não participamos do mundial, mas conseguimos nos classificar para o Pan-Americano de Guadalajara, no México (os jogos acontecem nos dias 29 e 30 de outubro). E o esporte cresce por aqui: já há 100 mil seguidores. “Sou envolvido com rugby há 25 anos e nunca vi um momento tão bom”, diz o jogador e comentarista da SporTV Mauricio Carli. “Não para de aparecer time novo.”
(Colaborou Gustavo Bacan)

Dança de guerra
Seleção anfitriã do mundial adapta dança típica para intimidar

Haka é o nome que se dá a todo tipo de dança típica maori, a população polinésia da Nova Zelândia. O ritmo das danças é marcado pela batida dos pés e ela é composta de movimentos firmes e vigorosos. Originalmente, o haka é dançado por homens e mulheres e por diversos motivos: entretenimento, boas-vindas para visitantes, anúncio de algum fato marcante. Hoje, porém, o haka é mais conhecido por ser a dança introdutória da seleção neo-zelandesa de rugby. Com semblantes sérios, os jogadores cantam e dançam para intimidar os adversários. Geralmente conseguem.

Entenda o rugby
O esporte que você vai ver este mês na tv parece o futebol americano, mas é mais ágil

Clique aqui para ver as informações abaixo em infográfico. Ilustração: Aluísio C. Santos e Luiz Iria

Número de jogadores: há dois tipos de rugby. O olímpico é o Sevens – que, como diz o nome, tem sete jogadores. Mas o mais comum, o da Copa do Mundo, é o XV, com, veja só, 15 atletas.
Tempo de jogo: a categoria Sevens tem dois tempos de sete minutos. Já os dois tempos do XV duram 40 minutos cada um.
Objetivo: a missão da equipe é fazer a bola cruzar a linha de gol (no fundo do campo adversário) e apoiá-la no chão.
Passe: a bola só pode ser passada com as mãos para os lados ou para trás – nunca em direção ao gol adversário.
Chute: a bola pode ser chutada para a frente, mas os atletas da equipe do chutador só podem pegá-la se, no momento do chute, estiverem atrás dela. O chutador também pode correr para pegar a bola que chutou. O portador da bola é a “linha de impedimento”.

Primeiras linhas
Jogadores 1, 2 e 3
Não são tão altos, mas são os mais largos, gordinhos e pesados, meio atarracados e com as pernas grossas. Responsáveis por fazer o scrum (veja em Jogadas, logo abaixo).

Segundas linhas
Jogadores 4 e 5
São os mais altos e mais lerdos, os que são levantados para cobrar lateral. Pegam poucas vezes na bola durante o jogo, mas estão sempre presentes nos lances para proteger a bola ou o jogador que caiu no chão com a bola.

Terceiras linhas
Jogadores 6, 7 e 8
São tão altos quanto os das segundas linhas, mas mais rápidos. São os jogadores completos, os “pulmões” do time: mais preparados fisicamente, têm de correr o jogo inteiro.

Jogador 9
Geralmente é o mais baixo do time, mas o mais habilidoso. É muito rápido. Faz a ligação dos jogadores 1 a 8 aos atletas 10 a 15.

Jogador 10
Como o camisa 10 do futebol, é o responsável por armar a jogada, por ditar o ritmo de jogo. E é normalmente quem vai chutar a bola. Chamado de abertura, é o “modelete” da equipe, quase não tem contato com os adversários.

Jogadores 11 e 14
São os pontas – não há biótipo-padrão. Tem uns baixinhos, outros magrelos… Não importa a altura e o tipo físico. Só é exigido que eles sejam os mais rápidos. Precisam correr para abrir espaço na defesa adversária. E também são defensores.

Jogadores 12 e 13
São parecidos com os terceiras linhas: grandões, habilidosos e atléticos. Participam tanto da defesa quanto do ataque.

Jogador 15
Chamado full back, é o último homem. Fica lá atrás para agarrar os atacantes adversários. Também precisa ter um bom chute.

Pontuação
Try:
acontece quando o jogador apoia a bola depois da linha de fundo do campo adversário. Vale 5 pontos.
Chute de conversão: depois de fazer um try, a equipe pode dar um chute de conversão de um ponto qualquer a partir de uma linha reta imaginária (a contar do local onde o try foi feito). Se o chute passar entre o travessão e as traves do H (que é o gol), vale 2 pontos.
Penal: se a equipe sofre uma penalidade, ela pode optar por chutar do local onde a infração ocorreu até o H. Se acertar, ganha 3 pontos.
Drop goal: é marcado quando um jogador chuta para o gol em um jogo aberto. Mas só é válido se a bola tocar o solo antes do chute. Vale 3 pontos.

Jogadas
Tackle:
é pelas situações de contato que os atletas criam espaço para poder atacar. A mais comum é o tackle, aquela derrubada tradicional, para barrar o adversário segurando-o da cintura para baixo com os braços. “Não pode dar rasteira, segurar a gola ou bater no pescoço”, diz Mauricio Carli.
Scrum:
é como o jogo se reinicia depois de uma interrupção causada por uma infração leve (como um passe para a frente ou uma bola derrubada no chão). É aquela posição que parece uma teia de aranha, em que os jogadores ficam “entrelaçados” de frente para os atletas adversários, que estão na mesma posição.
Line out:
quando a bola sai pela linha lateral, o jogo para. Quem cobra é um jogador da equipe que ataca. Os jogadores ficam em duas linhas perpendiculares à lateral, e a bola é lançada entre essas linhas. Um jogador é levantado para pegar a bola no ar. O movimento chama “elevador”.Hand off: quando o jogador estica o braço, deixa sua mão aberta e usa o peso do adversário para se afastar dele e ficar com a bola.

Os melhores do mundo
Conheça as principais características e os jogadores mais habilidosos das seleções favoritas do mundial. e prepare-se para acordar de madrugada

Austrália
Títulos:
dois
Apelido: Wallabies
Características: “Tem a melhor linha do mundo dos jogadores 9 ao 15”, diz Mauricio Carli, jogador e comentarista da SporTV. “É uma equipe com muita velocidade, defesa duríssima e o jogo bem aberto”, afirma Fernando Portugal, o capitão da seleção brasileira de Sevens.
Preste atenção: no abertura Quade Cooper (foto). “O cara é um baita louco, abusado. É o Neymar do rugby”, diz Mauricio. “É talentosíssimo, mas o técnico de seu time deixa ele fazer o que quiser. Na seleção não é assim. Talvez ele sinta a pressão”, alerta Portugal.
Não perca: a partida contra a Irlanda, em 17 de setembro, às 5h (ESPN e ESPN HD).

Nova Zelândia
Títulos: um
Apelido: All Blacks
Características: “É a grande favorita, e não só porque joga em casa”, diz Portugal. “Sempre apresentam coisas novas, são a vitrine do rugby para o mundo. São fisicamente duríssimos, mas jogam bonito e têm criatividade.” E tem mais: eles fazem o haka (a “dança de guerra”, descrita acima).
Preste atenção: em Daniel Carter (foto), também abertura. “É um monstro, muito bom tecnicamente, muito criativo. Hoje tem 27 anos e experiência em mundiais. Deve ser o nome do campeonato.” E em Richie McCaw, o camisa 7. “Ele é genial, está sempre do lado da bola, disputando-a”, diz Mauricio.
Não perca: o jogo de abertura contra Tonga, em 9 de setembro, às 5h (ESPN e ESPN HD).

África do Sul
Títulos:
dois
Apelido: Springboks
Características: “A principal é a agressividade”, diz o sul-africano Keith Young, atual treinador da equipe paulista Bandeirantes. “Não fazem jogadas bonitas, isso eles deixam para a Austrália e a Nova Zelândia. Mas, principalmente nos primeiros 20 minutos, não tem seleção igual. São muito duros em todos os contatos.”
Preste atenção: no camisa 9 Petrus Fourie du Preez, um dos melhores do mundo em sua posição. Outro que merece atenção é Tendai Mtawarira (foto), conhecido como “The Beast”. “Ele é a sensação da seleção sul-africana”, conta Mauricio Carli.
Não perca: o jogo contra o País de Gales, dia 11 de setembro, às 5h (ESPN Brasil e ESPN HD).

Inglaterra
Títulos: um
Apelido: não tem
Características: apresenta muito combate físico. “Eles são bastante pesados na frente”, diz Fernando Portugal. “A seleção não tem grande mobilidade nem muita criatividade ofensiva.”
Preste atenção: no camisa 10 Jonny Wilkinson (foto). “Ele ganhou a última Copa do Mundo em 2003 com um chute, um drop goal. Hoje, o chute vale muito no rugby.”
Não perca: a estreia contra a Argentina, dia 10 de setembro, às 5h (ESPN Brasil e ESPN HD).

França
Títulos:
nenhum
Apelido: Les Bleus ou Les Tricolores
Características: está sempre entre as finalistas na Copa, mas até hoje não ganhou nenhuma. “A França tem o jogo mais aberto, não tem tanto contato. Eles procuram espaços, fazem os jogos mais bonitos, com os trys mais bonitos”, diz o capitão da seleção brasileira. “Eles buscam o contrário do que busca a Nova Zelândia.”
Preste atenção: no full back Clément Poitrenaud (foto). “Um dos maiores talentos individuais da França, que tem muitos jogadores habilidosos, mas que às vezes erram em grupo”, diz Keith Young.
Não perca: a partida contra a Nova Zelândia, em 24 de setembro, às 5h (ESPN Brasil e ESPN HD).

Argentina
Títulos:
nenhum
Apelido: Los Pumas
Características: a seleção argentina está passando por uma grande renovação. “Ela conta muito com a habilidade individual dos jogadores”, afirma Portugal. “Eles têm muita raça, jogam com o coração. Os amadores na Argentina são muito fortes. E a seleção joga como se fosse amadora.”
Preste atenção: em Felipe Contepomi (foto), um dos comandantes da equipe que conquistou o 3º lugar na última Copa. “É um líder nato, referência para o renovado grupo da seleção argentina.”
Não perca: Argentina x Escócia, dia 25 de setembro, às 4h (ESPN e ESPN HD).