Sexo no primeiro encontro: é certo propor?

A incompatibilidade sexual pode estar escondida no dilema de colocar ou não o tema em pauta. Não há uma fórmula mágica, mas a ciência aponta um caminho

primeiro encontro

 (Swagger Magazine/Reprodução)

Eis a situação: você está em um relacionamento promissor, que tem tudo para avançar para algo firme.

Química, primeiras impressões, conversas boas.

Mas o que fazer quando tudo está indo bem, mas ela ainda não transparece se está interessada em algo além da conversa?

Se a conversa ficou centrada entre comentar do ex e vídeos do gato, você com certeza vai alimentar ainda mais a dúvida sobre levar ou não as conversas para uma coisa mais picante.

Ao mesmo tempo, você não quer ser o responsável pelo fiasco de uma coisa que ainda está no começo.

Afinal de contas, suas intenções não são meramente sexuais, são só tentativas de decifrar o que exatamente ela quer de você nos primeiros passos.

Qual é, então, a hora certa de colocar o sexo em pauta? Existe uma hora certa?

 

As contas da primeira vez

casal

 (Elite Daily/Reprodução)

Já antecipamos que a coisa não é matemática.

Mas independentemente da sua opinião sobre o assunto, é difícil argumentar com a ciência.

Vamos a ela.

Como explica a psicóloga clínica Dra. Carla Manly, a oxitocina, hormônio do bem-estar que é liberado quando fazemos coisas prazerosas (como o sexo) pode acabar destruindo relacionamentos que são construídos apenas com prazer sexual.

“Quando a sexualidade ocorre no início de um relacionamento, a relação se torna baseada no vício inconsciente dos altos níveis dos neuroquímicos que são criados durante o sexo e o orgasmo”, explica.

Segundo a especialista, quando esses níveis caem à medida que a sexualidade diminui (ou entre os períodos de sexualidade), as pessoas podem associar sentimentos negativos (tristeza, depressão, solidão) ao parceiro.

Com isso, os parceiros podem inconscientemente culpar o outro por essa sensação.

Encontro de Casal

 (Pinterest/Reprodução)

“Se um relacionamento é construído só à base de sexualidade (como muitos são),  pode não durar pouco, coisa de seis a 12 meses”.

Depois dessa “fase de adaptação”, a paixão pode diminuir e, aí, caso o interesse (pelo o quem vem além do sexo) não existir, a coisa pode degringolar.

“Quando a intimidade sexual é adiada por pelo menos três a seis meses, o casal tem uma base boa, que pode ser aumentada pela paixão da sexualidade, não depender dela”, diz a doutora.

Quando os estágios iniciais são construídos com amizade e interesses comuns, em vez do sexo em si, o casal cria conscientemente e inconscientemente maneiras de manter conexões saudáveis ​​sem depender dos altos daquela avalanche neuroquímica que vem do rala e rola.

Em vez de ser atraído e “temporariamente” ligado pela sexualidade, uma forte amizade estimula coisas além dos lençóis.

Dopamina, serotonina e ocitocina, por exemplo, vêm por meio de uma conexão contínua em outros campos.

Rir, caminhar, fazer exercícios juntos ou cozinhar em um momento de intimidade pode, basicamente, ser um plantio para algo ser colhido melhor em um longo prazo.

Mas a ciência, nesse caso, não é exata.

sexo primeiro encontro

 (Man of Many/Reprodução)

 

Direto para a cama

De acordo com o sexologista Dr. Jess O’Reilly, o timing perfeito deve ser um jogo justo – contanto que tudo seja consentido e aconteça de uma forma saudável.

“O que é mais importante na hora de decidir fazer sexo com alguém novo pela primeira vez é ter a pessoa jogando no mesmo time que você”, diz.

Basicamente, é enxergar que tudo está na mesma sintonia.

Mas se a dúvida é exatamente essa, a melhor recomendação é deixar tudo fluir o mais naturalmente possível.

A não ser que você esteja se relacionando com pessoas muito pouco experientes, é fácil notar o interesse, principalmente, quando o clima for leve e muito sincero.

“Você não quer pressionar e não quer enrolar ninguém. A compatibilidade, assim como especificamente a sexual, deve ser abordadas desde o início. Se você quer sexo imediatamente, porque você o vê como algo essencial, e seu parceiro ainda não estiver no clima, talvez vocês não sejam sexualmente compatíveis”, diz.  

sexo

 (The Local/Reprodução)

Ou seja: pode ser que nem todo encontro termine (e nem deva terminar) em pernas rolando pela cama.

Se vocês cultivam valores sexuais muito divergentes, na verdade, você tem sorte em descobrir isso logo no início para poder diminuir expectativas e, se for o caso, terminar tudo de uma forma saudável. 

O resumo de tudo, então, é que os primeiros encontros podem dizer mais sobre nós (e de uma eventual relação longa) do que imaginamos.

Com bastante atenção aos sinais, paciência e franqueza, dificilmente uma boa transa vai deixar de rolar.

Ou melhor: dificilmente os dois vão “falar línguas diferentes” por muito tempo.

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