Sexo sem fim

A colunista-delícia da VIP vai a fundo na pesquisa – tanto teórica quanto prática – e dá para a gente a receita soberana da transa demorada

Cena: eu, depois de ter tido múltiplos orgasmos provocados pelas mãos de uma desconhecida, estou sentada em frente a um homem nu, também desconhecido para mim, observando ele ter seu pau tocado por uma mulher. E nada disso tem a ver com sexo. Rewind. Vou começar do começo.

O tema de minha coluna era sexo demorado. Comecei com o livro que tem feito muito sucesso nos EUA, ainda não lançado no Brasil, Slow Sex – The Art and Craft of the Female Orgasm, de Nicole Daedone. A autora arrasa.

Os workshops que costuma fazer por lá têm mudado completamente a visão sexual de muita gente. Ela fala que devemos nos despir de tudo que sabemos sobre sexo e adquirir uma nova visão, limpar o sexo de todos os pesos que atribuímos a ele, de toda a visão viciada que fomos obtendo ao longo da história.

Partilho totalmente dessa visão. Sinto que vivemos num mundo em que o sexo nunca anda sozinho, mas sempre vem acompanhado de implicações morais e românticas – mesmo quando achamos ou dizemos que não. Ao lado disso vem um peso que no nosso tempo conta mais do que nunca: a obrigação subliminar da performance (principalmente no sexo casual, a versão supostamente mais livre e leve da prática). E junto disso tudo está a maior babaquice da nossa época: o fato de agirmos como se todos fôssemos bem resolvidos sexualmente, quando ainda existem milhares de questões profundas e problemáticas, apesar de todo esse discurso supostamente liberal que vemos na mídia, nas mesas de  bares, nas camas.

Já fascinada por esse novo conceito do livro, quis ir mais fundo. E a maneira de me jogar mais nessa ideia foi buscar alguma prática. Só falar é muito fácil. E, se eu questionava justamente o discurso (que destoa totalmente da realidade), precisava transcendê-lo. Não sou uma mulher que fica só na teoria. De jeito nenhum!

Então, procurei a massagem tântrica, que, embora não fosse exatamente a prática da teoria que andei lendo, tinha alguns pontos em comum que me interessavam. E foi lá, no Centro Metamorfose (centro tântrico que trabalha com técnicas criadas por Deva Nishok), em São Paulo, que tive uma das experiências mais intensas da minha vida. Recebi a massagem da yoni, que visa justamente uma transcendência por meio do orgasmo da mulher. Tive orgasmos múltiplos (sim, eles existem), chorei sentindo uma conexão profunda comigo e com o universo e fiquei por muito tempo depois com uma energia absurda percorrendo meu corpo, algo que eu sentia da ponta dos pés à cabeça. Energia de vida. Imagine você provocar isso em uma mulher? E logo depois me vi naquela cena citada inicialmente, pois fiz questão de ver também esse processo realizado em um homem (a lingam massagem).

Eu só queria fazer uma matéria sobre o orgasmo feminino, só isso. Mas acabei mudando totalmente minha visão sobre sexo. Porque sexo é muito mais que sexo. Entendeu?

Aqui algumas dicas para o sexo demorado. Porque se tem uma lição que você vai tirar disso tudo é que a pressa, nesse caso, meu amigo, é realmente inimiga da perfeição.


1.
Foque na sensação
Esqueça o que você sabe. Tente se livrar dos vícios que adquiriu na sua vida sexual. O sexo como o conhecemos gera expectativas, julgamentos, ansiedades. No fim das contas ninguém aproveita totalmente a experiência em si. Samvara, a terapeuta que fez a massagem em mim, chama a atenção para o fato de que estamos acostumados com fantasias, um prazer criado. O foco na sensação é o que traz os orgasmos mais poderosos. Então esqueça medos e questionamentos e expectativas, sinta seu desejo, foque no seu tesão e no dela, mesmo se for apenas one night stand. Faça isso ser intenso.

2. Tenha calma
Para que o sexo possa demorar, é preciso uma coisa que não é o forte do mundo masculino: muita calma. Guarde essa palavrinha como a chave de tudo. Pashupati, o terapeuta que eu vi servir de “modelo” para Samvara demonstrar as técnicas no homem, falou algo muito interessante: “O sexo normal, o sexo selvagem, aquela coisa meio coelho, é justamente para não sentir nada, é para acabar rápido. Todos os homens têm o que eu chamo de angústia do orgasmo. Quando acaba, é como um alívio. E esse sexo leva para o vazio. O homem precisa aprender a ficar no limiar, tendo vários orgasmos, sem ter a ânsia da ejaculação”. Curta mais o percurso.

3. Mapeie a mulher
No livro Slow Sex…, Nicole Daedone diz que numa mulher “você toca num ponto e ela sente em mil outros”. É assim. Por isso você não precisa ir direto ao ponto e já chegar metendo o dedo, já querendo que ela toque no seu pau. Calma, lembra? Aproveite que você tem na sua frente um ser com muitos pontos erógenos. Explore o pescoço, o ombro, a barriga, a parte interna das coxas. Na minha massagem tântrica, uma das coisas mais excitantes foi uma técnica chamada “sensitive”, que consiste em algo muito simples: ficar passando a ponta dos dedos pelo corpo todo com um toque bem sutil, para acordar a eletricidade corporal, e a pessoa tomar contato com a própria energia. Outra coisa interessante que senti foram os quases. Aproveite os arredores das zonas sexuais mais óbvias para só depois, quando ela estiver bem louca, chutar para o gol.

4. Experimente o tantra
Veja as dicas de Pashupati: Comece olhando o corpo dela sem desejo, sem vontade de comer, mas com atenção. É um olhar artístico. Depois mirem olho no olho, sem desviar, sem julgar, sem tentar entender – e sem rir. Fiquem alguns minutos assim, até o relaxamento fazer sumir a ansiedade. Depois passem a se tocar com a ponta dos dedos, percorrendo cada pedaço de pele, sem pressa, com admiração. Se você se mantiver assim, vai ficar menos ansioso, com menos ânsia para ejacular. Se ambos conseguirem relaxar e respirar, na hora da penetração algo novo surge. É totalmente diferente, sente-se cada milímetro da penetração. E, se continuarem nesse relaxamento e sem pressa, quando o orgasmo vier – e é provável que venha para ambos ao mesmo tempo –, é uma explosão energética incrível, provavelmente jamais experimentada por ambos.

5. Entenda as diferenças do sexo normal e do demorado
Antes da sua próxima transa, reflita sobre esta comparação feita pela Nicole Daedone: