Universidade cria curso para quem deseja disputar as eleições

O curso é a distância e tem como foco quem pretende se candidatar pela primeira vez ou trabalhar em campanhas

 (Getty Images/Revista VIP)

Estômago, bolso, coração e cérebro. São esses, e nessa ordem, os elementos que compõem a “geografia do voto”.

Para Gabriel Rossi, especialista em marketing, quanto mais incerta a conjuntura política, mais os princípios fundamentais do marketing são amplificados.

Por isso, ele e o núcleo de educação a distância da ESPM criaram o curso O Comportamento do Eleitor de 2018 e Como Construir Campanhas Vencedoras para quem pretende se candidatar pela primeira vez ou trabalhar em campanhas.

O curso de extensão tem sete encontros por webconferência.

A primeira turma aconteceu em novembro e uma nova foi aberta para abril. “A economia continua tendo importância no processo decisório, assim como é imprescindível o uso da emoção”, afirma Rossi.

“Marketing é o estudo da realidade, é se organizar pela perspectiva do eleitorado. Com essa visão e as técnicas corretas, o cidadão pode e deve entrar na política para ajudar a promover mudanças tão desejadas.”

 

As cinco lições

1. Tenha o pé na realidade

“Não há campanha, marca política ou projeto de marketing eleitoral que tenda a ser vencedor se estiver dissociado do ‘princípio de realidade’”, diz Rossi.

“Uma campanha se insere sempre num contexto histórico e em uma conjuntura de dados, de modo geral, a da conservação (continuidade) ou a da mudança.”

2. Posicione-se com atenção

“O eleitor de 2018 vai querer que políticos saiam de cima do muro, mas sem o ‘pé na porta’”, conta o professor.

“Com as redes sociais e tantas outras plataformas, ‘marcas políticas’ precisam sempre buscar uma forma direta de interação e humanização.

Cada vez mais os candidatos precisarão mostrar, através de ideologias e causas, personalidade para estreitar o relacionamento com seus stakeholders [público].

Mas não vale opinar apenas pelo ato de opinar. É fundamental uma avaliação profunda.”

3. Entenda o eleitorado

“Passa a ser mais difícil entender eleitores pelo perfil demográfico.

Vivemos uma época marcada pelo fim dos estereótipos. O conceito de juventude não tem a ver com número. ‘Idade de espírito’ é o termo da vez.

O conceito de classe social também vem sofrendo deteriorações. A influência não vem mais apenas do topo da pirâmide.

Ela flui por todos os lados. Em suma: as mudanças tecnológicas e culturais não dão mais tempo para separar pessoas (eleitores) em gerações.

Faz-se necessário criar grupos por meio de conjuntos de hábitos, lifestyle.”

4. Estude a teoria

“O sociólogo francês Roger-Gérard Schwartzenberg, em O Estado Espetáculo (1977), afirma que quatro arquétipos podem definir um político: herói, homem simples, pai e o líder-charme. Fernando Collor de Mello surgiu em um momento de mazelas. Prometeu passar a limpo o país e alavancá-lo. Seu arquétipo era do herói. Luiz Inácio Lula da Silva emergiu das massas e chegou ao poder — o homem simples. Getúlio Vargas era o pai, passava a ideia de protetor e ‘cuidador’. O líder-charme é aquele que, com sua presença, beleza e carisma, desperta encantamento e persuasão: Juscelino Kubitschek.”

5.Marketing é essencial

“Marketing é a leitura da realidade, a arte de ouvir o eleitor e se organizar pela perspectiva dele. A questão egoica inerente em boa parte de nossos políticos é cada vez mais mal vista. É preciso falar diretamente sobre benefícios, valores e contar boas e autênticas histórias.”

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