25 anos sem Miles: um gênio mais atual do que nunca

Miles Davis é singular. Revolucionou a linguagem do bepop, trouxe o cool jazz, o fusion e ainda flertou com o hip hop. O artista continua atual e prova isso novamente com material inédito

Antes de ler essa nota, dê play na playlist especial que preparamos para o dia e entre no clima do gênio do jazz – e da música e cultura em geral que ajudou a desenvolver.

Se a fama de algum artista for medida pelo tempo em que ele se mantém influente mesmo após sua morte, então Miles Davis está no hall dos lendários. Ok, não é como se alguém tivesse dúvida disso, mas no dia que marca os 25 anos que partiu é sempre importante lembrar do impacto cultural que o artista teve no mundo da cultura, sendo capaz de revolucionar sua linguagem uma infinidade de vezes dentro de sua carreira: partindo de nova leitura do bepop, passando pelo cool jazz, talvez seu período mais consagrado, até o fusion, quando teve a ousadia de misturar elementos do rock com sua imensa base de jazz. Davis chegou até a flertar com a mescla do jazz com o hip-hop, mistura que se mostrou certeira quase 10 anos depois dos primeiros experimentos do artista.

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Só no último ano a lenda do jazz “lançou” uma cinebiografia e dois CD’s. O filme, dirigido e protagonizado por Don Cheadle conta a história dos últimos anos de inatividade de Miles na década de 1970, quando um bloqueio criativo e o vício o afastaram da música. Escolhido para fechar o festival de cinema de Nova York, a obra foi aclamada pelos críticos, mas ainda não tem data para lançar no Brasil.

Parte do segundo grande quinteto de Miles, com Ron Carter e Tony Williams (Crédito: Reprodução)

No universo musical, o artista ainda tem novos lançamentos por vir. O mais novo deles é a caixa Miles Davis Quintet: Freedom Jazz Dance: The Bootleg Series, Vol 5. A coletânia reúne gravações nunca antes lançadas do período entre 1966 até 1968, quando o trompetista estava com seu “segundo grande quinteto”, que contava com os não menos lendários Herbie Hancock (piano), Wayne Shorter (sax tenor), Ron Carter (contra-baixo) e Tony Williams (bateria). No período, Miles demonstrava uma clara mudança de estilo, saindo do cool jazz que marcou o início da década de 1960 e indo para o fusion que se transformou nos discos Bitches Brew e Jack Johnson.

Entre as gravações presentes na caixa, performances que entrariam nos discos Miles Smiles (1967) e Nefertiti (1968), além de mais de duas horas de gravações originais, com bastidores das gravações, diálogos entre os músicos e takes refeitos. Será a primeira vez que sessões completas de gravações de Miles pela Columbia são lançadas comercialmente. A caixa ainda traz entrevistas exclusivas de Ron Carter e Wayne Shorter sobre o os bastidores das gravações.