3 livros para relaxar em tempos tensos

Separamos algumas obras recentes com textos saborosos e leves, mas sem cair na gracinha fácil e boba

Por Marcelo Orozco

Humor brasileiro

Não espere uma torrente de piadas a cada página. A novíssima antologia O Melhor do Humor Brasileiro (Companhia das Letras, R$ 74,90) reúne trechos literários com vários tons humorísticos que não necessariamente provocam gargalhadas fáceis. Há ironias, sarcasmos e até mesmo mau humor, como aponta o organizador Flávio Moreira da Costa na introdução. Com textos divididos por períodos históricos do Brasil, o livro traz contos, poesias, crônicas, trechos de romances e peças de teatro, e até letras de samba – no caso, algumas das espertas composições de Noel Rosa na década de 1930. O campeão de inclusões é o maior escritor nacional: Machado de Assis, com 11 textos. Mas há vários outros autores, dos especialistas do riso – Barão de Itararé, Millôr Fernandes e Luis Fernando Veríssimo – a outros inesperados, como o sisudo intelectual e político Rui Barbosa, que tirou humor de discursos de colegas no Congresso.

Aziz Ansari

Como estabelecer e manter relacionamentos amorosos na era dos smartphones, apps e outros recursos tecnológicos? A busca de respostas foi a motivação maior do comediante americano Aziz Ansari em sua série Master of None, disponível na Netflix, que teve boa repercussão cult nos Estados Unidos e no Brasil e terá uma segunda temporada. Mas Aziz não se contentou com o vídeo. Em parceria com o sociólogo Eric Klinenberg, publicou o livro Romance Moderno (Paralela, R$ 44,90). A base é uma pesquisa séria sobre relacionamentos que a dupla desenvolveu nos Estados Unidos, em Paris, Tóquio, Doha e Buenos Aires. Os dados e depoimentos levantados ilustram como funcionavam as relações no passado e como funcionam agora. Nas mãos de outro autor, não teriam potencial humorístico. Mas a graça vem das análises e comparações que Aziz desenvolve com seu estilo cômico. Uma obra tão divertida quanto útil.

Gary Shteyngart

A capacidade de rir de si mesmo – e fazer os outros rirem junto – é uma qualidade excepcional num mundo em que arrogância, empáfia e vaidade predominam. E Gary Shteyngart, um judeu russo que se mudou para os Estados Unidos aos 7 anos (hoje tem 44), possui esse talento. Isso está nítido em sua obra mais recente, , que ele publicou em 2014. É seu livro de memórias, o primeiro de não ficção. Com a autoestima de alguém que foi apelidado de Fracassinho pela própria mãe na infância, Gary diverte ao repassar com uma visão satírica cada perrengue e situação torta que encarou na vida – de paixonites falidas a empregos ruins. E nós rimos porque são experiências comuns a muita gente. Só que ele encara com um pessimismo otimista. Ou um otimismo pessimista, tanto faz. Recomenda-se também seus romances: O Pícaro Russo (Geração Editorial, R$ 54), Absurdistão (Rocco, R$ 45), Uma História de Amor Real e Supertriste (Rocco, R$ 49,50).