[Entrevista] Mark Hamill fala a VIP sobre o novo Luke Skywalker

Já não há mais Han Solo, a Princesa Leia se despede e o Luke de Mark é o último remanescente do trio do bem original no novo Star Wars: Os Últimos Jedi

 (Disney/Divulgação)

Mark Hamill nunca se livrou de Luke Skywalker. Mas, aos 66 anos de idade (e 40 depois de estrelar o primeiro Star Wars), o californiano parece nem ligar.

Depois de aparecer só no final do O Despertar Da Força, lançado em 2015, o ator é uma das peças-chave do novo Star Wars: Os Últimos Jedi, o episódio 8 da franquia, que estreia em 14 de dezembro.

Skywalker é o último dos personagens principais da trilogia original, feita entre 1977 e 1983. Darth Vader e Han Solo (spoiler para quem não sabe tudo sobre a saga) tiveram seu fim.

E a Princesa Leia se despede agora porque a atriz Carrie Fisher morreu em dezembro de 2016. Bem-humorado e com tendência a enfiar “causos” engraçados nas respostas, Mark Hamill conversou com a VIP em Los Angeles.

É surreal estar aqui 40 anos depois falando sobre este filme?

Pois é! É incomum, mas de certa forma esperado, porque continuou sendo adorado nesse tempo todo. Na época, achei que tínhamos um princípio, um meio e um fim. Depois se passaram 16 anos até a pré-trilogia ser feita [entre 1999 e 2005].

Achei que elas iam soterrar a trilogia original, mas os fãs continuaram tão apaixonados quanto antes pelos originais. E eu consigo aproveitar agora de uma maneira que não podia quando tinha 20 anos.

Guerra nas Estrelas [ou Star Wars – Episódio 4: Uma Nova Esperança, como é chamado hoje] foi meu primeiro filme. Achei que tudo ia ser assim na minha carreira, ser indicado ao Oscar e mudar o mundo!

Você não fica chateado por ser marcado por um só papel?

Sempre digo que nunca esperei ser lembrado por qualquer papel! [risos] Então ser marcado por alguma coisa é um bônus. Quando entro num auditório e vejo a paixão dos fãs, é emocionante.

Eles vêm me contar histórias: “Conheci minha mulher na fila de O Império Contra-Ataca”, “Nosso primeiro filho nasceu quando saiu O Retorno de Jedi…”.

Eu falava para o Harrison [Ford, que fazia o papel de Han Solo]: “Olha, nossos rostos estão na caixa de cereal, a gente pode cortar e fazer máscaras”. E Harrison, sendo Harrison, dizia, com pouca paciência: “É… tá, tá”.

 

Luke era o aprendiz na primeira trilogia e agora é o mentor. Gostou da mudança? Como é usar um sabre de luz agora?

[Despistando] Mas eu uso um sabre de luz? Não sei! [risos] Sempre achei a primeira trilogia um pouquinho frustrante, porque o Luke vai de menino da fazenda, passa por todo esse treinamento e vira um Jedi e aí… acaba! É como se mostrassem como o James Bond conseguiu sua licença para matar, e nunca o víssemos usando [risos].

Na verdade, nunca achei que voltaria. George [Lucas, o criador da saga] sempre fica muito deprimido ao dirigir. “Repita a cena, só que melhor” — era assim que ele dirigia, depois de grunhir e balançar a cabeça [risos].

Porque o que estava na cabeça dele não dava para traduzir na tela. Então ele disse que jamais faria os episódios 7, 8 e 9. Achei que tinha acabado minha história no 6 [O Retorno de Jedi].

 

Deve ser um pouco triste lançar este filme agora que Carrie Fisher não está mais aqui.

É horrível. Há uma melancolia que o filme não merece. Sendo egoísta, estou muito bravo com ela, porque seu timing sempre foi perfeito, exceto neste caso.

Ela deveria estar aqui para comemorar sua indicação ao Emmy [pela série Catastrophe]. E deveria estar aqui para a estreia do Episódio 8. E para o 9.

Em 2012, George Lucas quis almoçar comigo e com Carrie. Minha mulher brincou: “Será que ele vai fazer outra trilogia?”. Eu ri, porque ele tinha me dito que jamais dirigiria uma trilogia aos 70 anos de idade.

Achei que era algum extra de edição especial de blu-ray, essas coisas. Mas ele queria nos dizer que estava saindo da Lucasfilm. E comentou: “Querem fazer outra trilogia, mas, se vocês não quiserem participar, não colocaremos seus personagens no filme. Não vamos usar outros atores”.

 

E você aceitou imediatamente?

A Carrie topou [risos]. Eu desenvolvi minha cara de paisagem muito bem ao longo dos anos. Porque é preciso para negociar melhor!

Levei seis semanas para responder. Estava com medo. Houve críticas duras aos Episódios 1, 2 e 3. E eu tinha certeza de que Harrison jamais voltaria. Ele está bem na sua carreira, é muito rico e muito rabugento.

Mas aí o Harrison também topou! Não tinha mais jeito, eu tinha sido convocado para a guerra. Porque, se eu não topasse, ia ser o homem mais odiado do universo dos nerds — e eu sou um deles!

 

Tanto você quanto Carrie são muito bem-humorados. Isso afetou os personagens?

George sempre insistiu, quando eu pedia mais nuances para Luke, que ele só tinha uma missão. No fim, são arquétipos.

Os robôs praticamente tinham mais personalidade do que o Luke, que nunca entendia a piada. Mas, atrás das câmeras, Carrie e eu ríamos o tempo todo. Muitas vezes a gente se encrencava por fazer brincadeiras na hora errada.

 

Em O Despertar da Força, você não tinha diálogos. Qual a primeira coisa que vai dizer neste filme?

Devido à minha memória curta, não me lembro… [risos] Não posso falar. Mas a última cena em O Despertar da Força era meio na linha do velho que grita para as crianças saírem do seu jardim.

Ele não parece o Luke fofo de antigamente. E vou dizer: acho que Os Últimos Jedi é muito diferente dos filmes anteriores por causa do diretor Rian Johnson.

Eu disse para ele que estava aterrorizado, que era muita pressão, que não queria fazer mas era obrigado. E ele me confessou: “Eu também estou apavorado!” [risos].

Foi muito generoso, porque ele não precisava dizer isso. Ele podia ser arrogante, sendo tão jovem. Mas não, ele é um querido.


 (Disney/Divulgação)

Time mantido

Além de Luke Skywalker, outros personagens surgidos em 1977 que retornam em Os Últimos Jedi são os robôs C3-PO e R2-D2, e Chewbacca.

Mas a aposta nos novos personagens principais surgidos em O Despertar da Força segue firme.

Daisy Ridley, como a heroína Rey, novamente tem o apoio do ex-stormtrooper Finn (John Boyega) e do piloto Poe Dameron.

E Kylo Ren (Adam Driver) mantém-se como herdeiro da vilania de Darth Vader.

Há mistério se todos prosseguirão em Star Wars: Episódio 9, próximo filme da saga que está em pré-produção e com estreia prevista para 2019. Poucas informações sobre o elenco deste longa foram divulgadas.

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