Exorcismo em forma de música

Tyler, the Creator solta seus demônios no controverso Goblin

A transgressão é o tempero da música. Elvis e sua pélvis insinuante, Björk e seu horrendo vestido de cisne, Eminem e suas letras escabrosas, RATM e suas posições esquerdistas. O nome da vez no quesito provocação é Tyler, the Creator. Goblin (Lab 344, preço a definir), segundo álbum solo do líder do coletivo californiano Odd Future, é o exorcismo dos demônios dentro de Tyler.

Apesar do apelido de “Criador”, ele destrói convenções, valores e posturas com frases raivosas e, muitas vezes, podres. Apologias ao suicídio e a crimes como assassinato e abuso sexual fazem parte do show de Tyler nesse seu segundo trabalho. Assim como o primeiro, Bastards, ele mantém conversas com um psiquiatra imaginário. Nesses papos escatológicos e ultraviolentos de consultório, ele revela, em Transylvania, que “eu amo putas, principalmente quando elas só fazem boquete e lavam a louça”. Bom álbum de um sujeito louco.

Esse clipe pede estômago forte. É sério.

Criolo canta a capital
Para quem mora nas grandes cidades, Nó na Orelha dá um nó na garganta

Os bares estão cheios de almas tão vazias e não existe amor em São Paulo, decreta Criolo no seu mais recente trabalho, Nó na Orelha (Independente, R$ 24,90). Com 23 anos de rap nas costas e o título de precursor da Rinha dos MCs (tradicional batalha entre rappers), Criolo se mostra maduro neste álbum plural, com elementos de afrobeat, reggae, soul e, claro, hip hop. Seu legado no rap dá as caras mais explicitamente em quatro músicas: morro, drogas e crítica social são o tema de Grajauex, Sucrilhos, Lion Man e Subirusdoistiozin. Nem por isso é um trabalho em um só tom. A música Não Existe Amor em SP, por exemplo, reflete o espírito da juventude criada no concreto da metrópole: um mundo de gente, uma solidão sem fim. Difícil não concordar com Criolo: aqui, ninguém vai pro céu.

Uma amostra da face hip-hop de Nó na Orelha:

E uma homenagem de Criolo a Chico Buarque e Milton Nascimento: