Fender relança modelos clássicos em versões modernas

Fender Mustang e Duo-Sonic foram criadas para serem instrumentos de iniciantes, mas seu som lo-fi cativou músicos provocando revival dos modelos

O que começou como uma ferramenta de estudos se tornou um clássico cult que agora ganha relançamento. Foi mais ou menos essa a trajetória das guitarras Fender Mustang e Fender Duo-Sonic, que após anos aparecendo no mercado em reedições esparsas, recebem o tratamento de um guitarra de primeira linha.

A linha offset (termo usado para modelos de tamanho reduzido) chega com grandes novidades A Duo-Sonic tradicional ganha a companhia da Duo-Sonic HS, uma versão modernizada do modelo com tamanho convencional de braço e melhores captadores. Já a Mustang conta agora com três modelos: o tradicional, o 90, com braço e captadores melhores e uma versão baixo.

Lançadas inicialmente em 1956, os dois modelos tinham como atrativo ser uma versão em tamanho menor da Stratocaster, ícone da marca. Com corpo e braço menores que a média e um design assimétrico, a Mustang e Duo-Sonic foram vendidas como guitarras de treinamento, feita para iniciantes na arte. Por ter essa função, sua parte eletrônica também deixava a desejar aos mais profissionais. Em contrapartida, o som “rústico”criou um grupo de entusiastas do modelo. Taxada como guitarra para aprendizes, foi só na década de 1990 que os modelos se tornaram instrumentos de estúdio.

Com o nascimento do grunge os modelos voltaram a receber a devida atenção. O som “sujo” da guitarra casou perfeitamente com o gênero, se tornando um fenômeno cult. O modelo Mustang se tornou sinônimo de Kurt Cobain, que adotou o modelo como favorito, sendo o guitarrista mais famoso a usar a peça até hoje.

Com a onda de música lo-fi, a Mustang e Duo-Sonic são cada vez mais usadas atualmente. Mac DeMarco, The 1975, Ty Segal e Unknown Mortal Orchestra são alguns dos artistas que renegaram as clássicas Les Paul e Stratocaster por um design diferente, menor e mais pessoal.

QUESTÃO DE SOM

Mas as novas guitarras não são só uma questão de estilo. O timbre é um dos aspectos mais valorizados por músicos, e caso você queira um exclusivo, deve buscar esses modelos. Por ter uma escala mais curta, o som das Mustangs e Duo-sonic perdem os graves, deixando o som mais estridente. Por conta dessa característica, essas guitarras não são recomendadas para quem vai tocar covers, uma vez que grande parte das músicas foram gravadas com modelos tradicionais como Les Paul e Stratocaster. Outra vantagem dos braços curtos está nas técnicas de bending (quando o guitarrista puxa a corda para cima para criar efeito no som), que ficam mais fáceis, uma vez que a tensão nas cordas é menor por conta do braço reduzido.

Somente se uma guitarra for semi-acústica (a mesma utilizada por Chuck Berry, B.B. King e Noel Gallagher, mais encorpada, lembrando um violão) que seu formato é realmente importante. Caso contrário, sua madeira, tipo de captação, cordas utilizadas e até mesmo o amplificador ao qual será conectada são fatores que pesam mais que seu modelo. Diferentes tipos possuem um timbre quase idêntico; o que varia é a escolha do estilo do músico e sua adaptação ao desenho escolhido.

Allan Francisco, repórter da VIP, sobre a influência do corpo da guitarra em seu som

Para completar as questões técnicas, os captadores devem ser levados em conta. Com a nova linha da Fender, as guitarras receberam modelos com captadores diferentes. As Mustang e Duo-sonic tradicionais utilizam dois captadores single, que por serem mais simples, geram um pouco mais de ruído com um som mais agudo, magro. Já o Mustang 90 traz captadores P90, que em questão de som ficam entre o single e o humbucker. Do primeiro ele herda o ruído característico enquanto do segundo fica o som cheio e pesado, característico desse tipo de peça. Uma escolha interessante para quem busca som novo e sujo.

A Duo-Sonic HS leva esse nome por conta de seus captadores: perto do braço, conta com um single e na parte de cima com um humbucker. A mistura dos dois traz um dinamismo interessante para quem tocar a HS, que pode escolher entre dois sons completamente diferentes.