Histórias que nossas avós não contavam

Gêmeas que trabalharam por 50 anos na zona de prostituição legalizada de Amsterdã contam suas memórias sexuais como se fossem “causos”

vovosAs gêmeas Fokkens no auge de suas carreiras

Não se deixe enganar pelas duas doces velhinhas com jeito de Dona Benta na capa de As Senhoritas de Amsterdã (L&PM, R$ 39,90). As gêmeas Martine e Louise Fokkens, atualmente com 71 anos, trabalharam por nada menos que cinco décadas como profissionais do sexo em De Wallen, o bairro da luz vermelha da capital da Holanda, onde a prostituição é legalizada. Em suas memórias, elas relembram seus clientes mais marcantes (as irmãs juram que foram cerca de 355 mil, de 1962 até 2013). Elas não apelam para pornô. Como se contassem “causos” inocentes, falam com humor leve de personagens peculiares.

Eis alguns:

● um cliente que queria uma transa de anões de jardim e já levava os gorros; ● o padre bem-dotado que lamentava ter entrado para a religião apenas porque sua família o obrigou; ● o cara que só queria ser uma cadeira para as duas sentarem em cima; ● o halterofilista que pendurava pesos nos testículos; ● encrenqueiros teimosos ou violentos; ● masoquistas e fetichistas de várias modalidades e idades; ● os enrolões que nunca entram e ficam rondando os prostíbulos passeando com um cachorro para disfarçar.

as-senhoritas-de-amsterdal-amp-pm-210777700 Elas também mencionam os maridos pilantras, as transformações da zona ao longo dos anos e a realização do “sonho do bordel próprio”. Mas a historinha mais curiosa é a das visitas de uma bela moça chamada Toos, em 1965. Curiosa, ela queria saber de tudo e ver como eram os quartos, mas sem iniciar na carreira. Meses depois, as Fokkens descobriram a sua verdadeira identidade: era a princesa Beatriz, futura rainha da Holanda de 1980 a 2013. Ela ia aos bordéis fazer uma pesquisa de campo sobre o país que iria governar.

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Selecionamos alguns livros na mesma pegada das “vovós de Amsterdã”. Olha só:

>>> Quadrinhos safados Se os americanos são mestres dos quadrinhos de heróis, os europeus mandam no gênero erótico. Safadas: Encontros (Editora Nemo, R$ 39), segundo de uma coleção de quatro volumes, traz uma boa seleção de histórias centradas em sexo nos meios de transporte – navio de cruzeiro, carrinho de mão, entre outros. Tem artistas históricos como Jean-Claude Forest (criador de Barbarella, ícone dos anos 60) e Georges Pichard (autor de Paulette, outra personagem cult).

>>> O troco do proibido no Rei Paulo César de Araújo foi o autor de Roberto Carlos em Detalhes, minuciosa biografia proibida pela Justiça em abril de 2007 a pedido do próprio cantor, que alegou invasão de privacidade. Sete anos depois, Paulo César revela como foi a batalha judicial e a luta contra a censura em O Réu e o Rei (Companhia das Letras, R$ 45).

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