Imortais ao vivo

Gravações de shows históricos trazem dois dos maiores monstros sagrados que já passaram pelos palcos: james brown e Freddie Mercury

imortais ao vivo - abre

imortais ao vivo - james brownJames Brown no Harlem
“Poderoso Chefão do Soul”, James Brown (1933-2006) era um demônio no palco com suas danças gingadas, seus gritos poderosos e sua banda afiadíssima e cheia de balanço. Só que seus primeiros discos não passavam toda essa intensidade. Até que, em 1962, ele resolveu bancar a gravação de um show no Apollo, lendário templo da música negra no bairro nova-iorquino do Harlem. O LP que saiu em 1963 vendeu bem, influenciou dezenas de artistas e transformou Brown num gigante. Para comemorar o cinquentenário desse marco artístico, Best of Live at The Apollo: 50th Anniversary (Universal, R$ 28 em média) compila as melhores faixas dos três LPs de Brown no Apollo (além do primeiro, ele repetiu a dose em 1967 e 1971), mais duas de uma gravação de 1972. Em Night Train, Sex Machine, Soul Power e There It Is, o pai do funk dá uma aula de como empolgar uma plateia. E um ouvinte.

Queen na Cortina de Ferroimortais ao vivo - queen
O carisma do cantor Freddie Mercury (1945-1991) num palco foi uma das razões que levou o Queen a conquistar tantos fãs pelo mundo. Outra razão foi o pioneirismo da banda em ir a países que não recebiam grandes shows de rock em estádios – como o Brasil em 1981. Isso se repetiu com o primeiro megashow de rock num país da famigerada Cortina de Ferro comunista.
O espetáculo na Hungria em 1986 acaba de ganhar uma edição remasterizada no Brasil: com dois CDs e um DVD, Hungarian Rhapsody: Live in Budapest (Universal, R$ 38 em média) tem o grupo afiado diante de 80 mil pessoas. Além dos clássicos do Queen, há curiosidades como uma canção de ninar húngara (Tavaszi Szél Vizet Áraszt) e uma sequência de covers (Baby I Don’t Care, Hello Mary Lou e Tutti Frutti). O DVD tem um extra sobre toda a turnê de 1986, a última da banda. A seguir, Mercury foi tomado pela aids que o mataria.

MESTRES BRASILEIROS

imortais ao vivo - erasmo carlosErasmo Carlos
O selo Polysom relança em vinil de 180 gramas Carlos, Erasmo…, LP de 1971 do amigo de fé de Roberto Carlos. É digno de uma edição em disco com alta qualidade sonora. Muito a fim de sair da sombra do Rei, Erasmo tascou uma mistura de rock, samba e MPB em composições fortes como De Noite na Cama e na cover de Agora Ninguém Chora Mais, de Jorge Ben. Preço: R$ 70, em polysom.com.br.

imortais ao vivo - rita leeRita Lee
Três Tons de Rita Lee (Universal, R$ 55) é um box com os primeiros álbuns-solo da roqueira: Build Up (1970) e Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972), feitos quando ela ainda integrava os Mutantes (que participaram das gravações); e Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974). De sucessos como Mamãe Natureza a um bizarro hino ao Corinthians em Amor Branco e Preto, uma coleção pop de respeito.

imortais ao vivo - marcos valleMarcos Valle
Em 50 anos de carreira, Marcos Valle sempre mandou bem no jazz, bossa nova e MPB de grande sucesso. Quando exagerou no pop, nos anos 1980, ficou meio caricato. Mas retomou a velha classe, como demonstra no álbum Ao Vivo (Sony Music, R$ 29), gravado no Rio de Janeiro com a cantora de jazz americana Stacey Kent. Romântico e relaxante. E muito bem tocado.
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imortais ao vivo - franzFRANZ FERDINAND DIVERTIDO
Queridos pelas pistas de dança mais roqueiras, os escoceses do Franz Ferdinand chegam ao quarto álbum com o mesmo estilo: ritmo acelerado herdado de outras bandas de brancos nervosos dos anos 1980 como Talking Heads, Clash, Buzzcocks e XTC. Right Thoughts, Right Words, Right Action (Sony Music, preço a definir) é animado e menos marcial. Diverte com suas guitarras tocadas como um ralador de queijo e seus teclados que podem soar como um órgão de trilha de filme B de ficção científica ou um sintetizador antigo baratinho. Destaques: as velozes Right Action, Evil Eye e Bullet, e as um pouco mais calmas Stand on the Horizon, Fresh Strawberries e Brief Encounters.