Meninas que fazem arte

Renata de Bonis

A jovem de 25 anos concluiu os estudos artísticos na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em 2005, e já desponta como um nome promissor da pintura brasileira. Renata acaba de voltar dos EUA, onde treinou suas pinceladas no Parque Nacional Joshua Tree, uma região desértica na Califórnia – ela concorreu com artistas do mundo todo e foi selecionada para uma residência artística de um mês por lá. “Estou gostando de observar os coiotes americanos enquanto masco um tabaco e penso na próxima pintura”, escreveu ela de lá, por e-mail, num dos raros momentos do dia em que teve acesso à internet.

Como é seu trabalho: pinturas com tinta a óleo de tamanhos variados. Renata se inspira quase sempre em lugares que já visitou – não à toa dois de seus quadros chamam-se As Memórias Emprestadas e Passagem. Suas últimas telas, por exemplo, são resultado de uma viagem de carro que fez para o litoral do Uruguai no réveillon de 2008 para 2009.
Rotina: ela gosta de pintar na laje de casa, onde fica seu ateliê, cenário da foto ao lado. “Vistos daqui, o nascer e pôr do sol são lindos. Mas confesso que, cada dia, acordo num horário diferente.”
Quando não pinta…: se farta de comida árabe no Centro de São Paulo. Com ajuda do marido baterista, organiza no clube paulistano Berlin uma balada mensal em que a discotecagem é feita só com vinis. Renata, aliás, tem uma coleção de quase 200 deles – incluindo raridades como a primeira versão de Harvest, de Neil Young, e todos dos Beatles.
Quanto custa: o metro de uma pintura sua sai por R$ 3 500.
Onde comprar: galeria Laura Marsiaj (www.lauramarsiaj.com.br).

Naiah Mendonça

Naiah, de 30 anos, faz gravuras inspiradas em mulheres nuas da época do Renascimento, clica amigos com rabiscos que parecem arranhões e adora se filmar.
“Acho que é preciso ter atitude e coragem para fazer arte”, diz a jovem diante de um autógrafo enquadrado da briguenta cantora americana Patti Smith, que fica bem visível na sua sala de estar.

Como é seu trabalho: Naiah esquece a timidez quando faz arte. Ela gosta de aparecer em seus vídeos, às vezes nua, e de desenhar nos corpos dos amigos. Na fotografia Marianna Cidade (2005), uma amiga publicitária deixou a região dos seios à mercê de seus rabiscos vermelhos.
Rotina: notívaga, Naiah gosta da tranquilidade da noite para produzir seus trabalhos. Nunca vai para a cama antes das 3 da manhã. A artista, solteira, mora sozinha numa mistura de casa e ateliê, com prateleiras repletas de livros de arte e utensílios domésticos.
Quando não cria…: está no cinema ou vendo filmes em casa. Prefere aqueles mais artísticos como os do cineasta chinês Wong Kar-Wai. Pelo menos três vezes por semana, faz ginástica – para a sorte de quem assiste a seus vídeos.
Quanto custa: gravuras custam R$ 1 500, e as fotografias e os vídeos, a partir de R$ 3 mil.
Onde comprar: no ateliê dela, tel.: (11) 3582-8561.

Para começar sua coleção

Não há números confiáveis que quantifiquem o crescimento do mercado de artes no Brasil. Mas galeristas são unânimes em afirmar que a cada ano mais pessoas se interessam em colecionar obras – e a crise econômica não inverteu a tendência. “Gostar de um trabalho artístico é identificar na peça gostos e referências de si próprio. Não é preciso ser especialista para achar obras que tenham a ver com você”, explica Eduardo Brandão, dono da galeria Vermelho, conhecida por reunir em São Paulo uma trupe de criativos jovens artistas. Leve em conta também:

1 Visitar exposições com frequência, além de passatempo, ajuda a aprimorar o que se gosta mais e menos no mundo das artes. Se quiser se aprofundar, vale a pena ler sites especializados (comece pelos theartnewspaper.com e o
e-flux.com) e revistas gringas como a Artforum e a Frieze.
2 Nas galerias, não se limite a visitar o que está exposto. Seja curioso e peça para ver o acervo, tire suas dúvidas com os funcionários e não tenha receio de explicar com suas próprias palavras o que mais lhe agrada.
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Para quem quer gastar pouco dinheiro no início, a dica é começar comprando gravuras (em vez de telas e esculturas). Não é raro encontrar algumas bem bacanas por menos de R$ 1 000. Outra sugestão é participar de clubes de colecionadores. O do Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, por exemplo, funciona assim: os sócios pagam uma anuidade de R$ 3 200 (para gravuras) ou R$ 2 600 (fotografias), em até dez vezes, e recebem, ao longo de um ano, cinco trabalhos feitos por artistas selecionados pela curadoria do museu.
4 É bacana comprar obras de artistas jovens. Por estarem começando, suas peças não são tão caras quanto as de nomes consagrados. Além disso, quando menos se espera, eles podem ficar famosos e sua obra passar a valer uma pequena fortuna. Boa parte das grandes cidades do país tem galerias de arte que se dedicam a divulgar jovens artistas.
5 Não compre um quadro para combinar com a cor do tapete. Isso é decorar sua casa, e não o começo de uma coleção de arte.