Música em cena: os melhores álbuns visuais da história

Como a evolução dos videoclipes pode mudar, na próxima década, o legado da música

 (Reprodução/Divulgação)

Uma das abordagens mais conhecidas para divulgação de uma música é o videoclipe.

A partir do impacto dessa criação audiovisual e como consequência da boa aceitação do público, surgiu um novo formato: o álbum visual.

Para entendermos a importância de filmes como A Hard Day’s Night, Moonwalker The Wall, até chegarmos ao sucesso Lemonade, da Beyoncé, vale contar essa história do começo: para ser mais exato, com as origens da era da música comercial.


Afinal, o que é um álbum de música?

columbia

 (Wikipedia/Fonte padrão)

O álbum é uma coleção de gravações em áudio (LP, CD ou uma fita de áudio). O termo remete, literalmente, à ideia de pacotes/conjuntos de envelopes, onde as músicas eram “armazenadas” no final do século 20.

De acordo com o critério estabelecido pela UK Albums Chart, lista britânica que elenca lançamentos físicos e digitais, o produto deve ter pelo menos quatro faixas ou durar no mínimo 25 minutos para ser considerado um álbum. Caso contrário, é um EP (extended play).

O formato LP (long play), padrão como conhecemos hoje, foi apresentado em 1948 pela Columbia Records. Com a comercialização dos discos de vinil, perceberam a importância da ilustração da capa — a artwork — para chamar a atenção do consumidor e fazer um lançamento musical.


A evolução sensorial

Para que uma coletânea receba o título de álbum visual, é preciso levar em conta algumas regras. A primeira é que pelo menos 80% das faixas musicais devam ter um complemento visual. A outra é que as músicas devem ser reproduzidas na íntegra, sem versão de rádio ou editada de qualquer outra forma.

A terceira norma é que esse conteúdo visual seja comercializado à parte, como no caso do filme The Wall, de Pink Floyd.

Pink Floyd - The Wall Cena de The Wall, do Pink Floyd, um marco dos álbuns visuais

Cena de The Wall, do Pink Floyd, um marco dos álbuns visuais (reprodução/youtube)

Claro, edições especiais e comemorativas, são uma ótima oportunidade de unir os dois meios: música e vídeo. Porém, a proposta do álbum visual é de divulgar a música separadamente.


História do álbum visual

A Hard Day’s Night, dos Beatles, considerado o primeiro álbum visual de grande sucesso da história, foi lançado em 1964 e abriu portas para outros grupos da época tentarem a sorte — como fez a banda The Who, em Tommy, mais de uma década depois.

O elevado orçamento de 22 milhões de dólares de Moonwalker, de Michael Jackson, lançado em 1988, destaca-se como exemplo de uma das primeiras megaproduções do gênero — justificado pelo uso de efeitos especiais, cachê de atores hollywoodianos e participações especiais de músicos como Mick Jagger.

Aqueles que confirmam Beyoncé como a primeira artista feminina a produzir um álbum visual estão atrasados por, mais ou menos, 30 anos: em 1979, o grupo Blondie produziu o primeiro álbum visual, o Eat to the Beat, vendido em VHS. 

No ano seguinte, a coleção de 12 curtas musicais foi transformada em vídeo cassete, sendo relançada em 2001 com um disco extra e quatro canções adicionais.

Com o tempo, surgiram ramificações e inspirações no modelo pouco popularizado dos álbuns visuais, gerando novas formas de comercializá-los. Em 1982, por exemplo, o Soft Cell lançou um especial em vídeo chamado Non-Stop Exotic Video Show, vendido na época nos formatos VHS, Betamax e Laserdisc.

Anos antes de ter seu remix em funk e tornar-se popular na internet brasileira, a música Sweet Dreams, de Eurythmics ganhou uma miscelânea de vídeos, contendo apresentações ao vivo, animações e vídeos conceituais.

Estes exemplos são capazes de confundir quem diz entender os álbuns visuais originais, pois a leve alteração de seu conceito-base (principalmente na última década), pode transformar este material em uma simples coleção de clipes desconexos ou em um simples filme musical que não siga a maioria das canções do álbum representado.

E, a partir daí, começamos a compreender os formatos — e influências — para os álbuns visuais das últimas décadas.


Álbuns visuais da atualidade

Se considerarmos uma evolução considerável de formato, partindo de Moonwalker e passando pelos sucessos dos anos 1990, os anos 2000 trouxeram surpresas e reinvenções neste fórmula clássica, que foi de animações japonesas a megaproduções milionárias.

Daft Punk chegou em 2003 com a animação Interstella 5555, que contava em formato fantasioso uma história de ficção científica com o tema do álbum Discovery (segundo álbum de estúdio da dupla).

Entre 2009 e 2010, iamamiwhoami ganhou uma série de vídeos no YouTube, chamada Bounty (sigla para os títulos dos vídeos), divulgados por sites de música. O curioso é que não houve nenhum contexto sobre a artista. O resultado, previsível e potencialmente intencional, foi uma chuva de comentários e teorias conspiratórias.

Kanye West supostamente queria tornar My Beautiful Dark Twisted Fantasy um álbum visual em 2010, mas a ideia foi negada. Ao invés disso, houve um curta de divulgação de 34 minutos, contando com oito canções, que foi ao ar antes mesmo do próprio álbum.

A megaprodução Lemonade, de Beyoncé, que teve custo aproximado de 1,3 milhões de dólares — quantia que retornou à cantora uma média de três milhões de dólares por dia após o lançamento do álbum —, serviu como forma de reforçar a ideia de ela ser “rainha dos álbuns visuais”, como apresentado a nós na série de vídeos Self-Titled.


Futuro do álbum visual?

Seguindo a progressão de décadas, a tendência é seguir a música: se na virada do milênio tivemos o crescimento do pop, na atual década o gênero que merece destaque é o hip-hop. Se ainda não foi aproveitado em seu potencial, ainda há espaço antes da virada do não tão distante ano 2020.

Espera-se que a grana utilizada para produção e divulgação desses álbuns seja cada vez mais próxima a de longa-metragens — Beyoncé teve a cobertura televisiva da HBO, que chegou bem perto do investimento feito para a divulgação da série Game of Thrones.

Vídeos em 360º e a tão falada realidade virtual, com total poder de imersão, podem tentar roubar a cena em edições especiais, como vimos com o Gorillaz no clipe Saturn Barz, que oferece uma “navegação” em 360º.

Álbuns visuais devem seguir, daqui para a frente, a mesma linha de crescimento da indústria de videoclipes — em termos de desenvolvimento tecnológico, orçamento e da própria estrutura/montagem. Em resumo, haverá um destaque ou outro, mas a frequência de produção deve manter-se similar ao que era nos anos 1980.