O nerd por trás da Comic Con

Quem é Pierre Mantovani, sócio da maior feira de cultura pop do mundo, que recebe 200 mil pessoas a partir de hoje em São Paulo

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Vai ser épico. Em 2014, quando a Comic Con Experience, ou CCXP, aportava em São Paulo, o slogan adotado pelos organizadores podia até soar fantasioso. Mas a feira de cultura pop já estreou no Brasil batendo um recorde: maior público em uma primeira edição de evento indoor, com 97 mil pessoas. Agora, em seu terceiro ano, outra marca hiperbólica: ela deve virar a maior Comic Con do mundo, com 200 mil visitantes em mais de 100 mil metros quadrados. Estúdios de cinema, empresas de games, editoras, cerca de 460 quadrinistas e diretores, produtores, roteiristas e atores de filmes e séries de fantasia, ficção científica e super-heróis são as grandes atrações dos quatro dias da CCXP, entre 1º e 4 de dezembro, na São Paulo Expo.

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Por trás do evento está Pierre Mantovani, um empreendedor comunicativo, nascido no ABC paulista há 41 anos, casado e pai de duas crianças – e que tem dormido só quatro horas por noite. Pierre é, desde 2011, CEO do Omelete, parceiro da PiziiToys e da Chiarosuro Studios no evento. O grupo que comanda, além do portal de cultura geek com 9 milhões de visitantes todos os meses, tem ainda a Loja Mundo Geek, a Social Comics (serviço de quadrinhos que funciona como a Netflix, , por streaming, por 19,90 reais ao mês) e o Omelete Clube (assinatura de caixas, por 100 reais mensais, com conteúdo – adivinhe? – nerd).

Pierre começou a empreender no fim dos anos 1990, no sótão da casa dos pais, com a agência de marketing digital Tribal, depois de passar as madrugadas de sexta e sábado estudando sobre internet com os dois sócios originais – e aproveitando o pulso único da conexão discada (e bastante cara) de então. Cresceu tendo o Citibank como cliente e expandiu os negócios para a Europa. “Quando vendi a Tribal em 2008, 60% do faturamento eram em euro”, conta. “Depois fiz o que todo mundo que ganha dinheiro com internet faz: resolvi abrir uma aceleradora.” Dos poucos projetos em que investiu, apenas um vingou, e justamente aquele que ele conhecia muito bem: o Omelete. “O site tinha nascido em 2000 dentro da Tribal, mas eu não me envolvia com ele. Só depois que vendi a empresa é que assumi a gestão”, relembra.

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O grupo, que não revela o faturamento, mas fechou 2014 com 14 milhões de reais, cresceu como consequência da expansão do portal. Para impulsionar os negócios no Omelete, Pierre percebeu que tinha que abraçar outros campos que não apenas venda de mídia. “Pensei: temos um e-commerce dando dinheiro? Não. Vamos montar. E surgiu o Mundo Geek. Temos um evento dando dinheiro? Não. Vamos montar.” Foi quando os sócios o levaram para conhecer a Comic Con de San Diego – e ele entendeu a grandeza do negócio. “O nome não é propriedade de ninguém, porque Comic Con é ‘conferência de quadrinhos’ e há várias no mundo”, explica. O negócio aqui deu provavelmente mais certo do que em qualquer lugar do mundo.

Foto de Matt Cowan/Getty Images Foto de Matt Cowan/Getty Images

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Este ano, além do tamanho gigantesco, outra novidade foi o CCXP Unlock, programação com palestras com nomes como Jim Michaels, produtor da série Supernatural, Antonio Tabet, do Porta dos Fundos, e Renato Aragão – sim, o Didi Mocó. Porque “um pouco de nostalgia é preciso”, diz Pierre. “A CCXP é a experiência máxima da cultura pop”, atesta o empreendedor, que tem uma certeza: vai ser épico.