Os jogos de esportes que estamos esperando

Se até golfe tem games bons e recorrentes, por que não esportes mais populares?

O futebol é o esporte mais popular do mundo e, por isso, é mais do que justo que tenha uma versão fidedigna – ou que ao menos tente ser assim – nos videogames. Pro Evolution Soccer e FIFA dão conta disso, assim como NBA, NHL, NFL são boas reproduções esportivas digitais, com detalhes e simulações parecidas com a realidade. Mas ainda tem muita coisa boa em que investir…

Até existem jogos de esportes mais populares como surfe ou handebol, mas ou eles saíram há muito tempo e não há uma versão recente, ou são uma atrocidade digital

Obviamente existe uma questão de público – jogos de golfe e baseball são extremamente cultuados nos Estados Unidos, mas praticamente inexistentes em outros grandes mercados – mas tem um monte de modalidade que merecia um joguinho melhor. Vamos passar por algumas delas tentando entender por que não existem games bons (e até mesmo convencer as produtoras a trabalhar neles).

Handebol

Já falamos do IHF Handball Challenge, uma tentativa extremamente mal sucedida de levar o handebol das quadras para os videogames. A ideia foi boa e contou com o apoio da entidade máxima do esporte, mas a execução foi péssima, e essa é a principal razão pela qual o título não deu certo. Público não falta – o esporte é extremamente popular em países como França, Alemanha, Suécia, Rússia, grandes mercados de desenvolvedores e consumidores de games. Se uma grande empresa desses países assumisse o desenvolvimento, talvez a fórmula desse certo.

Vôlei

Até nos Estados Unidos o vôlei é popular, mas não existiu um game oficial do esporte em nenhum momento. Dos anos 80 ao final dos 90, saíram vários jogos genéricos, alguns bastante razoáveis. Mas dos anos 2000 para cá, tudo o que se viu foram títulos caricatos ou peitos balançando na areia (vide Dead or Alive) e International Volleyball, totalmente horrível. Claro, tem o jogo das Olimpíadas de Londres 2012 (boa sorte com ele), mas o melhor já lançado, acredite se quiser, é Super Spike V-Ball, de 1989, para NES. A coisa nunca foi séria, e já está mais do que na hora.

Surfe

O caso aqui é diferente. O benchmark dos games de surfe é Kelly Slater’s Pro Surfer, o primo aquático de Tony Hawk’s Pro Skater. Leva o nome do maior surfista da história, tem o respaldo da Activision e as mecânicas e sistemas de pontuação são iguais. O jogo é bom também. Mas foi lançado em 2002, e desde então se viu poucas pranchas nos games, nenhuma decente. KSPS não ganhou continuação, e até hoje se firma como o melhor do gênero, mas já são mais de dez anos. Toda uma nova geração de surfistas está arrebentando as ondas e o esporte está crescendo.

Quem não quer surfar com o Medina? Quem não quer surfar com o Medina?

Quem não quer surfar com o Medina? (/)

Judô, Tae Kwon Do, Karatê

Está certo que seria bastante difícil convencer alguma produtora a fazer um jogo individual de cada uma dessas modalidades olímpicas (embora isso tenha ocorrido antigamente com Jacks Uchi Mata, Taekwon-Do e International Karate), mas e se as três – e outras mais – fossem colocadas sob um mesmo título? Os jogos de luta hoje em dia são fantasiosos e exigem mais rapidez nos dedos que estratégia por parte dos jogadores, então uma dose de realismo sobre os tatames seria uma ótima alternativa. Um sistema intuitivo de sequências de comandos para executar os golpes e contra-ataques certamente daria conta da jogabilidade e favoreceria duelos mais estudados por parte dos oponentes.

Futsal

Existe um modo salão no Fifa Street e jogos de futebol indoor, que não é exatamente a mesma coisa, mas mesmo que o nosso futsal fosse um primo mais próximo dessa modalidade meia-irmã do showbol, os games não satisfazem. Mas sejamos sinceros: se conseguem adaptar um esporte com 11 jogadores de cada lado em um campo de 80 metros, porque não fazer isso em uma quadra de 40? O basquete está aí para provar que é possível. Claro que são poucos os países do mundo que levam a modalidade a sério e têm um nível satisfatório, mas é uma possibilidade!

Rugby

Sim, Rugby 15 chegou faz pouco tempo no mercado, mas se você tiver um mínimo de compaixão por si mesmo, ficaria longe dessa aberração. O último jogo decente da modalidade foi Rugby 08 lançado em 2007. Desde então, a legião de adeptos desse esporte, que cresce na Europa e aqui no Brasil, está carente de um bom game. Novamente cabe o argumento: se futebol e futebol americano rendem bons títulos, por que não o rugby?

Boxe

A EA Sports havia acertado em cheio com a série Fight Night Round. Eram games fantásticos, com os grandes nomes da história do boxe, lutas fluídas, cenário legal, tudo muito bem feito. Mas tudo isso acabou em 2011, quando saiu o último título da franquia. Depois disso, o foco se voltou para UFC, muito mais rentável atualmente que a nobre arte. Tudo bem que tem muito marketing envolvido, os lutadores de MMA são celebridades assessoradas e tudo mais, mas o boxe puro ainda tem muitos fãs mundo afora, que certamente comemorariam se agraciados com um jogo em que pudessem lutar novamente com Muhammad Ali, George Foreman — ou então fazer um Pacquiao x Mayweather decente.

Ouch. Ouch.

Ouch. (/)

Tênis

Aqui também a carência é algo recente. Top Spin e Virtua Tennis tiveram suas últimas versões lançadas em 2011, e um ano depois chegou o derradeiro Grand Slam Tennis. Desde então, nada — e lendas contemporâneas como Novak Djokovic, Rafael Nadal, Andy Murray e Roger Federer continuam na ativa, disputando os torneios tradicionais e milionários de sempre, como Roland Garros, US Open, Wimbledon e Australian Open. Além disso, mais e mais pessoas aderem à modalidade a cada ano. Então fica a pergunta: por que pararam de lançar games de tênis? Voltem, e logo.