Papo VIP: Mitch Lowe, co-fundador da Netflix

O empreendedor é um dos grandes destaques dessa edição da Campus Party. O evento vai até domingo (5)

Um dos principais palestrantes do Palco Principal da décima edição da Campus Party é Mitch Lowe, empreendedor e co-fundador da maior rede de streaming da atualidade, a Netflix. Mitch também é CEO do serviço MoviePass, um aplicativo que funciona (por enquanto) no exterior e, por meio de uma assinatura mensal (de cerca de U$30), você pode ir a qualquer cinema que quiser, uma vez por dia, durante todos os dias.

Conversamos com ele a respeito de sua visão no mercado, dicas de empreendedorismo e o futuro do nosso entretenimento. A entrevista, na íntegra, você confere abaixo.

No começo, [1998] qual era a proposta da Netflix?

A visão  que tínhamos era resolver dois problemas: nós todos amávamos filmes, de vários gêneros, e nunca conseguíamos encontrá-los. Então, queríamos um lugar onde as pessoas pudessem conseguir filmes estrangeiros (como filmes franceses, do Brasil), então uma das coisas que queríamos fazer era levar diversos títulos para lá.

O segundo problema era que, nas locadoras, havia o terrível problema do conceito de devolução, o que limitava as pessoas de alugar algo que elas não saberiam se iriam gostar. […] Então quando nos deparamos com essa ideia, o que tentávamos fazer era dizer que “tudo bem experimentar”, pois não haverá custo adicional. A ideia inicial era resolver problemas que nós, individualmente, tínhamos.

Qual era seu papel naquela época?

Eu era o único do grupo com experiência na área de entretenimento em vídeo […]. Passei 13 mil horas trabalhando em locadora, então eu sabia o que o público pensava a respeito de entretenimento, como elas decidiam o que fazer, o que pegar. Logo, minha função era criar este conceito e trabalhar com os estúdios.

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Mesmo com a facilidade de acesso [nos serviços de streaming], porque as pessoas ainda vão ao cinema?

Existem coisas que só conseguimos em uma sala de cinema, como a grande tela, o som potente, e mesmo com sistemas que imitam isso, não é a mesma coisa. Outro ponto é o fato de haver pessoas ao seu redor. Assistir por conta própria não é igual. Quando há centenas de pessoas ao seu redor, com medo ou dando risadas, é uma experiência totalmente diferente. Não é o único lugar que isso ocorre, mas acho que é um bom lugar pra essa experiência de entretenimento.

Serviços de streaming substituirão a mídia que temos hoje?

De jeito nenhum. O que estamos vivendo, todos os dias cada vez com mais opções, de vez em quando streaming é bom. De vez em quando, baixar também é bom (como quando você está em um avião, por exemplo, diferente do que seria você estar em casa). Até a mídia física ainda tem o seu espaço nisso, em questão de qualidade e consistência. [Streaming] É uma opção, uma grande, mas é só mais uma opção.

Quando MoviePass funcionará no Brasil?

Estou muito animado com a ideia de expandir para a América Latina. Bem, não falo português, falo espanhol, mas entendo a cultura. Espero que em alguns anos isso ocorra. Acabei de fechar um negócio nos Estados Unidos com uma companhia chamada Vista, que cuida da tecnologia de cinemas do mundo inteiro (a maior do mundo nesse ramo). Eles estão nos ajudando a expandir o serviço.

Por fim, quais lições sobre empreendedorismo você aprendeu ao longo da sua carreira?

Quando você tem uma startup e está tentando crescer seu negócio, o que vale é a porcentagem de escolhas certas que você faz. Isso determina o sucesso ou falha. Então como se preparar para essas decisões? Você precisa de três coisas: da cultura certa, do pessoal certo e do sistema de dados certo, para ser capaz de ter todas as informações, com as pessoas inteligentes e a cultura que apoia inovação, porque você não pode começar rápido uma startup se tem medo de fazer as escolhas erradas. Você precisa dessas três coisas para servir como sua base.