Papo VIP: Zé Cafofinho, que fará show no Sesc este domingo

O show do músico pernambucano é uma boa pedida aos fãs de música que não vão ao Lolla neste fim de semana

Neste fim de semana acontece o Lollapalooza 2017. Repleto de shows nacionais e internacionais (com nomes do rock, pop e música eletrônica)​, os dias 25 e 26 de março prometem causar movimentação absurda na região de Interlagos, na capital paulista.

Aos que preferem gastar menos — ou até mesmo aproveitar ambos! — haverá, na direção “oposta” de São Paulo, show de Tiago Andrade, que também atende como Zé Cafofinho, no Sesc Belenzinho. O músico conta com a companhia de Gaby Amarantos, apresentando canções do álbum Casulo.

Confira nosso bate-papo rápido com Zé, comentando inspirações, expectativas para a apresentação e o som latino americano.

O que um paulista pode curtir mais sobre o rock de Recife?
Um calor da cumbia-rock-punk pernambucana e o treme-treme da minha amiga Gaby Amarantos.

Essa experiência em diferentes gêneros (como samba, jazz latino, ska e rock) influenciou na criação do disco “Casulo”. Comparado às composições e em seus trabalhos anteriores, o que há de diferente em suas apresentações?
Não muito nesse último trabalho, essas influencias estão mais nos anteriores Um Pé na Meia Outro de Fora e Dança da Noite. O Casulo é um disco que o instrumental é de um power trio que tenta tocar cumbia, de um jeito um pouco mais visceral e um pouco menos jazz.

O brasileiro não costuma se identificar como latino-americano. Sua música pode ser uma tentativa de aproximar a música brasileira deste tipo de reconhecimento — por estarmos próximos cultural e geograficamente de gêneros propriamente latinos?
Sim, essa é minha maior busca com meu Casulo.

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 (Divulgação/Helder Tavares/Fonte padrão)

O que podemos ver em um show seu que está “em falta” em um festival como o Lollapalooza?
O real lado B das coisas.

Como foi o processo de criação do “Casulo” — da inspiração, conceito do disco e, agora, com a divulgação?
Em Recife a gente tem uma ligação muito forte com a musica latina, principalmente na periferia.Escutei desde que me entendo por gente estilos como o merengue, cumbia, zuky, guaracha. Tenho um necessidade antiga de olhar mais pro oeste. Fiz uma viagem anos atrás para o Chile e peguei um táxi, cujo motorista sabia tudo da política do Brasil. Eu fiquei imensamente envergonhado de não saber nada da dele. Fique remoendo isso até que um tempo depois fiz uma outra viagem pro Pacífico Sul, desta vez pro Peru e nessa viagem compus praticamente todas as músicas do disco. Na hora de gravar fui buscar na minha adolescência o punk rock dos anos 1980 e inicio dos 1990 do Cólera, Garotos Podres, Titãs e Devotos, esse protesto latino americano.

Por fim, gostaria que você recomendasse um grupo/artista pelo qual você foi/é influenciado — músicos latinos não muito conhecidos por aqui, que vale a pena o leitor VIP ficar de olho.
Gosto de tanta coisa e tanta coisa distinta de gênero, geografia, idade e época histórica. Tenho escutado muito e novamente Luiz Gonzaga, tem um cara chamado Goran Bregovic que eu sempre escuto também. Lavando prato gosto de David Bowie, Tom Waits, as Gnossiennes de Erik Satie e ou Cartola. Gosto muito do ultimo disco de Gal e dos baianos do Baiana Sytem, MC Troinha, a música que vai passando na rua. Me alimento de tudo, até do que “não gosto”.