Série 3% da Netflix é destaque de um mix-distópico da cultura pop

Conversamos com o elenco para ficar por dentro deste "admirável novo mundo" da primeira série originalmente brasileira da Netflix

Estreia hoje 3%, a primeira série originalmente brasileira da Netflix que, em seus (primeiros?) oito capítulos conta a história de um mundo distópico, que luta por ideais distintos e aposta forte em referências quase explícitas a sucessos como Admirável Mundo Novo e as sagas Jogos VorazesMaze Runner.

Tanto os atores quanto os personagens da série possuem histórias e características bem distintas — e isso ficou bem nítido na coletiva de imprensa, nas entrevistas em particular e nos episódios exibidos em si.

O “quinteto-protagonista”, digamos assim, composto por Michele, Fernando, Joana, Rafael e Marco, consegue deixar isso muito claro logo de cara. Porém, como você aprende ao decorrer dos episódios, há uma brincadeira com os pré-conceitos criados pelo próprio espectador.

Como explicado por Bianca Comparato (que interpreta Michele), em um bate-papo com a VIP, “nem todos são o que aparentam ser, há uma certa profundidade que envolve cada personagem”.

netflix-série

Apesar da abordagem parecer ser clichê, a jogada fica inteligente ao ser explorada por vários momentos que o telespectador comum simplesmente não tem como prever. O “jogo de surpresas” pode cansar alguns, porém, é garantia também de que você também pode julgar o livro pela capa — e errar feio.

Outro obstáculo foi a questão de os atores estarem preparados fisicamente para entrar em ação nos diferentes tipos de provas. Bianca, por exemplo, acabou recebendo uma preparação intensa e isso é bem explicado na proposta dada a sua personagem. “Por sempre estar em uma questão de vida ou morte, manter a ‘corda esticada’ era muito importante para dar a tensão para o público”, como explicado pela atriz.

Michel Gomes, que interpreta Fernando na série, deixa claro que o obstáculo principal é o fato de aprender uma nova forma de locomoção, já que seu personagem é cadeirante — e Michel, não. Contudo, com Fernando a sacada é diferente: “ao invés de ser tratado como um pobre coitado, o fato de ser cadeirante é um motivo a mais para passar pelo processo seletivo”.

Tratando-se de motivações, podemos notar um ponto em comum entre o quinteto: cada um tem seu motivo para estar onde está e cada um pensa de um jeito. Além de, claro, a intenção de passar para o “lado de lá” (que é um mistério aos que estão aqui), aparentemente todos farão um sacrifício maior se necessário.

Diferente de Jogos Vorazes, por exemplo, onde “somente um sairá vitorioso”, em 3% não temos a certeza de quem ficará para trás e quem avançará para as próximas etapas, já que o risco é alto, todos estão sendo vigiados, de certa maneira, e há essa certa “flexibilidade matemática” por serem os tais 3%. Já que não conhecemos o total, fica complicado pensar nessa parcela específica para tentar supor quantos sairão vivos — e esse é o destaque principal da série.

Desconfio que o motivo mais distinto seja o de Joana (Vaneza Oliveira): “o processo em si vem muito mais uma fuga do que uma esperança […] o que move a Joana não é o processo, mas uma necessidade de sobrevivência”. Soa individualista? Com certeza, mas fica fácil ver que esse buraco está mais em baixo.

Pode-se fazer um paralelo da série com um singelo jogo. Rafael (Rodolfo Valente) sem sombra de dúvidas é um grande jogador, sem considerar que também pode perder e, não saber sobre seu real destino, torna-se um grande medo. Para ele e Marco (Rafael Lozano) não há outra saída se não ganhar.

tres-netflix-cultura-série

E justamente quando começamos a pensar que a sobrevivência está acima de tudo, Marco sabe que pode trazer outros, aproveitar-se das qualidades e habilidades alheias e vencer em grupo — sempre pronto para sacrificar caso seja necessário, claro.

Justamente pela saturação de acontecimentos imprevisíveis começamos a pensar em como 3% poderia dar errado. Arriscar na mistura e na fórmula batida de distopias do futuro pode soar como ideia de fracasso, mas pela construção inteligente, bom desenvolvimento dos personagens e vontades únicas, a série consegue te manter na ponta do sofá (ou da cama, como quiser) a cada reviravolta.

Prepare-se para passar o final de semana grudado na Netflix e boa série!