Terra do pornô

Musa da pornochanchada estreia talk-show dedicado exclusivamente a conversas sobre sexo no Canal Brasil. Conversamos com a apresentadora e pedimos para ela avaliar o que mudou na percepção do brasileiro em relação a sexo ao longo dos anos

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O cinema nacional se reergueu de vez, mas esqueceu no caminho para a recuperação, ironicamente, o seu gênero mais brasileiro. A pornochanchada existe hoje em reprises transmitidas em horários alternativos na TV a cabo e na memória de quem participou ou assistiu às produções da época.

O Canal Brasil prova que quer manter a memória viva e trazer para as novas gerações esse espírito indo além da exibição dos filmes. No dia 4 de junho, às 0h, vai transmitir o primeiro episódio de Pornolândia.

Apresentado por uma das musas do gênero, a atriz Nicole Puzzi, o programa semanal é como um talk-show, só que, ao invés de velhos entrevistando celebridades, Nicole Puzzi entrevista profissionais do sexo. Tanto a versão pejorativa que vossas mentes já captaram (atrizes pornôs, prostitutas), como profissionais que têm como ganha-pão o rala-e-rola alheio (médicos, cirurgiões, psicólogos).

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>>> Conversamos com a apresentadora e pedimos para ela avaliar o que mudou na percepção do brasileiro em relação ao sexo ao longo de sua carreira. As opiniões não são muito otimistas, mas “o Pornolândia quer contribuir com o fim dessa caretice”:

1) “A cabeça do público é, aparentemente, mais aberta. Ao menos da boca para fora, todo mundo é mais liberal hoje em dia. Mas só da boca para fora mesmo.”

2) “O preconceito contra mulheres ainda é forte. Mas acho que preconceito vem daquilo que faz você se sentir menor. Homem que trata mulher como ser inferior: tem insegurança sexual sim.”

3) “As vítimas de preconceito hoje são mais vocais. Se uma mulher é tratada com diferença por ser mulher, ela diz que está se fodendo para a opinião alheia.”

4) “Quando você lê Raul Pompéia, Aluísio Azevedo (autores brasileiros do século 19), percebe que a mentalidade do brasileiro em relação ao sexo não mudou nada ao longo desses anos, só mudaram mesmo os usos e os costumes.”

5) “Os homens começaram a ser mais sinceros sobre seus gostos por certos tipos de mulheres fora do padrão novinha, magrinha, de peito arrebitado. A Suzana Vieira, com mais de 50 anos, é vista como uma mulher sensual, por exemplo. Mas ainda precisam ser mais sinceros quanto às gordinhas. Homem adora gordinha no quarto, mas não quer ser visto com uma na rua.”