Uma aula picante com Arlequina: entenda melhor o conceito de submissão e dominância

Especialista no assunto analisa a personagem mais sensual de "Esquadrão Suicida" (e sua estranha paixão pelo Coringa)

Um dos filmes mais aguardados do ano que, infelizmente, decepcionou muitos fãs, Esquadrão Suicida foi lançado na última quinta-feira (4). Ao longo do filme, conhecemos personagens marcantes em situações de tensão e alívio cômico. Felizmente, não estamos aqui para fazer críticas. Ao invés disso, vamos falar sobre uma das relações mais clássicas dos quadrinhos: a de Arlequina (originalmente “Harley Quinn”) e Coringa.

Por isso, conversamos com quem entende do assunto para entendermos melhor o conceito de submissão e dominância.

Quem é Harley Quinn

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Personagem apresentada na série animada de Batman (do original, Batman: The Animated Series), a até então Doutora Harleen Quinzel trabalhava como psiquiatra no Asilo Arkham, o hospital psiquiátrico para onde são levados os principais criminosos de Gotham City. Acontece que, um dia — como é muito bem ilustrado em Esquadrão —, em meio às pesquisas sobre os lunáticos do local, ela descobriu dados sobre o Coringa e, ao longo do tratamento do paciente, se apaixona por ele.

O relacionamento entre os dois é explicado tanto nas histórias em quadrinhos quanto na série do mesmo jeito: ele é manipulador, dominante e, muitas vezes, abusivo. Contudo, em meio a brincadeiras e poucos gestos de carinho, fica claro que ele também sente algo por ela.

Dominância vs Submissão

Para poder entender mais sobre a relação entre a personagem e o um dos mais marcantes vilões de todos os tempos, conversamos com Ana Canosa, psicóloga, sexóloga e colunista da VIP.

Tudo gira em torno de uma apropriação cultural, na dominância de espaços públicos e privados, já que os homens aprenderam a gostar de mulheres submissas e conviver com elas. “É uma referência cotidiana que depende da atividade de quem domina”, explica a especialista.

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No filme, vemos uma Arlequina que faz de tudo pelo “Pudinzinho” (apelido carinhoso que ela dá ao Coringa) e tem medo de perdê-lo. No “nosso mundo” isso não é muito diferente, já que é comum que o membro submisso da relação sinta-se com a segurança abalada caso algo aconteça com aquele que ele “segue”. “Em uma relação sempre haverá alguém mais dominante (…), tudo depende do quanto de submissão existe nas duas partes e, claro, quando ela [relação] caminha para tornar-se violenta, não é nem um pouco saudável”, avalia Ana Canosa.

No mundo real, pode ser que um fique “de saco cheio” do outro, já que há ausência de iniciativa – como em uma conversa em que um indivíduo só pergunta e o outro só responde — gera falta de interesse em uma relação.

Invertendo os papéis

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Durante a narrativa, não conseguimos imaginar muito bem a situação em que um maluco homicida como o Coringa rende-se aos desejos de sua amada. Mas quem disse que para isso acontecer na vida real precisa dar certo nos quadrinhos? Então saiba como trazer a história para a vida real:

1 – Aprenda a negociar com sua parceira, afinal é normal homens mais tranquilos curtirem submissão e não sufocarem os desejos de “sua” mulher. Se você costuma guiar sua parceira e nunca tentou deixar-se ser levado, “a hora é agora”. “No começo, pode parecer estranho, mas uma mulher dominante instiga e você pode curtir a ideia”.

2 – Lembre-se que uma relação dominante x dominante pode não dar tão certo. Deve-se negociar os papéis pois, literalmente, há uma disputa de poderes consciente. “Isso pode acontecer em todas as áreas, desde uma discussão dentro do supermercado até debaixo dos lençóis”, completa Ana.

Fique longe dos extremos!

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3 – Como em quase qualquer situação, o extremismo pode ser fatal: nas histórias em quadrinhos, o Coringa tenta matá-la diversas vezes pelo excesso de submissão. De novo, entramos no caso do “saco cheio” citado acima. De vez em quando faz bem tomar iniciativa e mostrar os próprios desejos.

4 – Fica a dica: “saiba dar lugar ao domínio do outro”. Transportando isso para a nossa realidade, a chave é evitar utilizar sua dominância para se sentir melhor. “É importante que você também deixe a pessoa submissa em evidência”, como é saudável para os dois lados. “Isso alimenta a energia sexual”, afirma Ana.

Para o dominante, parece sempre bom ter “alguém” que cumpra seus desejos, não é? Assim, deixamos o questionamento para você, leitor: os homens gostam de dominância para cumprir seus desejos sexuais ou porque é mais fácil conviver assim?