Uma viagem de volta aos cheat codes

Hoje, eles estão quase extintos, mas são inegavelmente parte da história dos games

Que atire a primeira pedra aquele que nunca usou um código (ou cheat codes, ou passwords, ou trapaças, ou trapaças, ou seja lá como você queira chamar) no videogame, seja para passar de fase, seja por motivos de pura diversão. Não é razão para se envergonhar: todo mundo já cedeu às tentações e comprou aquela revista que ensinava sequências de botões e passwords secretos.

Aí vai um pouco de cultura: os códigos na realidade não nasceram com o objetivo de tornar a vida do jogador mais fácil ou dotá-lo de superpoderes, mas sim como ferramentas de auxílio aos desenvolvedores. Basicamente, tratava-se de um “passe-livre” durante o período de testes. Eles apenas ativavam os códigos para poder verificar a programação de todas as fases, inimigos, comandos e outros aspectos sem ter que se preocupar com as vidas, a pontuação ou tempo.

Mas aí, curiosos que somos, descobrimos que havia como acessar essas trapaças e jogar como um programador. O negócio ganhou tanta importância que se tornou parte da cultura dos games, e os próprios desenvolvedores começaram a esconder esses códigos em seus jogos, cada um ao seu modo

Uns colocavam seus nomes, outros faziam trocadilhos, enquanto sequência de botões, números e letras também entravam na dança. E aí com a explosão dos consoles domésticos nos anos 80, eles entraram de vez na vida dos jogadores, que davam peso de ouro a informações desse tipo.

Aos poucos, eles foram desaparecendo. Ainda existem códigos à moda antiga em alguns jogos, mas atualmente os segredos e trapaças são ativados de jeitos diferentes (ou mesmo comprados). E é pelo bem do saudosismo e da nostalgia que fomos atrás dos mais famosos códigos dos games, aqueles que verdadeiramente transformavam a experiência do game e que ainda hoje são lembrados como os maiores exemplos dessa cultura em desaparecimento.

Konami Code

Cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B, A, Start. Apenas os fortes conseguiam enfrentar Contra e outros jogos da Konami sem esse código. Dá para dizer que é o mais famoso código da história, uma referência da cultura dos videogames (há até quem tenha o código tatuado). Vem de uma época em que os jogos eram infinitamente mais difíceis, fazendo de sua existência um alento aos menos habilidosos. Está presente em mais de 200 jogos, com efeitos diferentes em cada um. Nosso preferido? Quando o juiz era transformado em cachorro no International Superstar Soccer Deluxe.

(Crédito: Reprodução) (Crédito: Reprodução)

(Crédito: Reprodução) (/)

Códigos de GTA

A série já é famosa pela liberdade que dá ao jogador de simplesmente andar pelo mundo atirando em estranhos, roubando carros e atropelando inocentes e outras coisas que ele certamente não faria na vida real. Mas e se ele pudesse fazer isso com o veículo que quisesse, com dezenas de armas à disposição – munição infinita inclusa – e sem que qualquer coisa pudesse impedi-lo? Foi exatamente o que os programadores pensaram ao incluir os códigos de GTA. Quer um caça? Digite JUMPJET e um aparecerá bem na sua frente! A polícia está te enchendo o saco? ASNAEB é o caminho para a liberdade. Mas nenhum supera ROCKETMAN, que libera um jetpack instantâneo.

Códigos de Doom

Doom está em todas as listas de principais jogos de tiro em primeira-pessoa e também figura entre os títulos mais difíceis da década de 90. Extremamente popular, assim como seus códigos. Finalizá-lo era um grande desafio, mas depois disso – ou mesmo antes, se você não tivesse paciência – a brincadeira começava com IDDQD e IDFKA, os códigos que davam, respectivamente, invulnerabilidade e armadura máxima, todas as armas e todas as chaves. Trocando em miúdos, “God Mode” (“Modo Deus”). Sim, já existia esse tipo de trapaça antes, mas o que dizer de um jogo em que o personagem se torna um Deus no Inferno?

Fatalities com um botão em Mortal Kombat

Nem era tão difícil fazer os fatalities de Mortal Kombat antigamente. O problema é que a partir de Mortal Kombat 3, os caras exageraram – cada personagem tinha cinco finalizações possíveis, fora aquelas específicas de cada arena. Aí não tinha jeito, era preciso jogar com aquela folha cheia de anotações do lado. Felizmente os preguiçosos podiam sequenciar os modificadores antes de cada luta para 9-4-4 nos dois controles. Então, depois do famoso “Finish him!”, era só apertar um único botãzinho para ver seu personagem desossar o inimigo em um espetáculo de brutalidade pixelada. Isso também era usado só para ver quão impiedosos eram cada um dos lutadores. Mas a molecada de hoje em dia está tão desacostumada que pode COMPRAR ESSA HABILIDADE no novo Mortal Kombat. Essa geração, viu…

Personagens secretos de NBA Jam

Falando em Mortal Kombat, quem diria que Raiden, o deus do trovão, tem um belo arremesso da linha dos três pontos? Ninguém, claro. Mas dava para descobrir isso em NBA Jam Tournament Edition (aquele do “BOOM SHAKALAKA!”), onde era possível habilitar o lutador para jogar contra Scott Pippen, Charles Barkley e outras lendas do basquete americano. Também figuravam entre os personagens secretos nomes da política americana como Al Gore, Bill Clinton (presidente à época) e Hillary Clinton. Nas versões mais recentes, aparecem Dick Cheney e George Bush, além dos Beastie Boys.

Debug Mode em Sonic the Hedhehog 2

Esse aqui é complicado. Primeiro, era preciso acessar a opção de testes sonoros e tocar as faixas 19, 65, 09 e 17 nesta ordem. Isso habilitava a seleção de fases. Depois de mais uma sequência de botões, uma nova ordem de faixas – 1, 9, 9, 2, 1, 1, 2 e 4. Pegou? São duas datas na ordem ano, mês, dia. Isso habilitava o Debug Mode, que permitia ao jogador posicionar qualquer objeto do jogo em qualquer local, e usar o Sonic para brincar nesse playground dos anos 90. Se Sonic 2 é considerado o melhor da série, os códigos certamente têm sua parcela de responsabilidade.

Samus de maiô em Metroid

Quem é Justin Bailey? Ninguém sabe ao certo. Mas esse nome deu o que falar nos anos 80, porque ele revelou que por baixo daquela armadura cheia de tecnologia estava uma mulher. A molecada pirou ao saber que Samus Aran era uma caçadora de recompensas, e não um aventureiro espacial. E ainda aparecia em trajes de banho – pixelizados, claro. Era só colocar esse nome na tela de password que a verdadeira identidade da heroína era revelada, e ainda vinha com a maior parte das armas do clássico de NES.

Dois personagens iguais em Street Fighter

A Capcom já havia previsto a briga que rolaria quando dois jogadores quisessem escolher o Ryu no Street Fighter II e colocou um clone americano entre os lutadores (Ken, caso não tenha percebido). Mas isso não foi o bastante, e só foi possível selecionar o mesmo personagem a partir da Champion Edition, que continha também os quatro chefes como selecionáveis. Quer dizer, isso se você não conhecesse o código do Super NES. Bastava pressionar baixo, R, cima, L, Y e B enquanto o logo da Capcom estava na tela e pronto, Ryu vs Ryu era possível (e Zangief vs Zangief, Blanka vs Blanka, etc.)

(Crédito: Reprodução) (Crédito: Reprodução)

(Crédito: Reprodução) (/)

Jogadores abduzidos no FIFA 2000

Hoje, FIFA busca o realismo dos campos de futebol. Há 15 anos, queria mesmo é tirar com a  cara dos jogadores. O password “dizzy” habilitava o Alien Mode, que fazia com que um disco voador aparecesse no meio do jogo e abduzisse os atletas do seu time. Tá certo que isso seria ótimo para sumir com aquele zagueiro pereba. O problema é quando os extraterrestres encrencavam com seu atacante de contrato milionário!