“Gostam de mim porque sempre vou pra cima”, diz Gleison Tibau, com 20 lutas pelo UFC

O UFC 164, marcado para este sábado, dia 31 de agosto, é um marco para a carreira do potiguar Gleison Tibau. Aos 30 anos, o lutador peso-leve completa 20 lutas pelo UFC — é o brasileiro que fez mais combates pelo evento. O recordista enfrenta o americano Jamie Varner na última luta do card preliminar. […]

UFC Fight Night Weigh-in

O UFC 164, marcado para este sábado, dia 31 de agosto, é um marco para a carreira do potiguar Gleison Tibau. Aos 30 anos, o lutador peso-leve completa 20 lutas pelo UFC — é o brasileiro que fez mais combates pelo evento. O recordista enfrenta o americano Jamie Varner na última luta do card preliminar. Na luta principal da noite, o campeão da categoria de Tibau, Benson Henderson, coloca seu título em jogo contra o número 2 do ranking, Anthony Pettis. O co-main event é entre os pesos-pesados Frank Mir e Josh Barnett. E, na luta que o precede, os penas Chad Mendes e Clay Guida encaram-se. Abaixo, com a palavra, Gleison Tibau.

Você vai completar agora 20 lutas pelo UFC. Como analisa sua trajetória no evento?
É uma história muito legal. Poder olhar pra trás e ver tudo o que passou me dá uma felicidade muito grande. Tive vitórias e derrotas, mas o que mais me marca é a alegria de poder fazer o que amo, que é lutar.

Qual foi, em sua opinião, sua melhor luta pelo UFC?
As duas no Brasil [UFC Rio 3, em outubro de 2012, e UFC Jaraguá do Sul, em maio deste ano] foram maravilhosas por causa da torcida, é uma sensação inigualável. Mas tem uma que guardo com muito carinho, que foi contra  Kurt Pellegrino [UFC 128, em março de 2011]. Ele é natural de New Jersey, a luta foi na casa dele e consegui vencer. Era uma pressão muito grande, mas consegui lutar bem e calar a torcida. Foi muito bom [risos].

E qual a luta gostaria de ter esquecido?
Não digo esquecer, mas a luta contra o Melvin Guillard [TUF 9 Finale, em junho de 2009] eu acho que era pra ter outro resultado. Não perdi aquela luta. Ele acabou vencendo por decisão dividida dos juízes.

Qual o segredo para ficar tanto tempo lutando pela mesma organização?
Não sei se é um segredo, mas eu sou um cara que não nego luta, estou sempre à disposição do UFC. Podem me dar qualquer adversário, qualquer dia, que o que quero é lutar. Já lutei machucado, sem tempo pra treinar, e sempre foi em busca de vitória, sempre vou pra cima. Acho que é por isso que gostam de mim [risos].

Você tem um cartel com 36 lutas. Quando lutou pela primeira vez profissionalmente, era praticamente uma criança, tinha 16 anos. O que mudou no MMA desde aquela época até hoje?
Ah mudou muito, mas muito mesmo. Era outra época, agora nosso reconhecimento é muito maior. Vi o esporte mudar de 1999 até hoje [quando começou a lutar], vi o UFC mudar de 2006 até hoje [data em que entrou na organização]. E isso é ótimo! Hoje, ando na rua e muita gente me reconhece, seja nos Estados Unidos ou no Brasil.

Como um cidadão da pequena Tibau foi parar no UFC?
Eu já passava das 10 lutas no Brasil quando recebi o convite. O UFC não era o mesmo de hoje, mas já era o sonho de todo lutador. Foi muito bom, fiquei muito feliz. Estreei logo contra o Nick Diaz. Perdi, mas logo depois consegui uma vitória. Fiz uma luta no Brasil depois, tomei um esporro do UFC, mas aceitaram minhas explicações [risos]. Naquela época, eles não colocaram exclusividade no meu contrato e acabei pegando uma luta em Natal. Depois disso, só lutei pelo UFC.

Você vai muito para Tibau? Tem planos para a cidade, como o de montar uma academia?
Tenho sim. Sempre que passo pelo Brasil, tenho que ir lá. Quero montar um projeto social para ensinar luta à molecada de lá. O brasileiro tem um dom natural para o esporte. Acredito que possa sair muitos outros lutadores de Tibau.

Como foi sua preparação para enfrentar Jamie Varner?
Foi ótima, estudei muito o jogo dele e caí em cima daquilo que identificamos como seus pontos fortes e fracos. Estou pronto pra lutar.

O que uma vitória sobre Varner pode fazer por sua carreira?
Pode me colocar entre os 10 melhores da categoria, e esse é o meu foco agora. Quero entrar nesse ranking para poder sempre encarar os melhores, vencê-los e chegar até o cinturão.

Você tem gás para queimar em quantas lutas mais pelo UFC?
Um montão, viu [risos]? Quero lutar profissionalmente por mais 10 anos. Em 2013, esta será minha terceira luta e já quero outra até o fim do ano. Nos próximos anos , quero sempre lutar quatro vezes. Farei minha 20ª luta pelo UFC e sei que posso ser o lutador com mais lutas na história do evento. Já sou o brasileiro com mais lutas por lá, mas isso não é uma meta. É consequência do prazer que tenho por lutar.