A luta do século (de novo): Mayweather vs McGregor

Depois de muitas negociações, o pugilista e o lutador de MMA fazem uma milionária superluta de boxe que nem vale cinturão

LAS VEGAS, NV - AUGUST 23: Boxer Floyd Mayweather Jr. (L) and UFC lightweight champion Conor McGregor face off during a news conference at the KA Theatre at MGM Grand Hotel & Casino on August 23, 2017 in Las Vegas, Nevada. The two will meet in a super welterweight boxing match at T-Mobile Arena on August 26 in Las Vegas. (Photo by Ethan Miller/Getty Images)

“Atenção: eu disse a todos os meus críticos que sou o maior de todos os tempos”, bradou Muhammad Ali assim que desceu do ringue após nocautear o até então campeão mundial dos pesos-pesados George Foreman no oitavo assalto.

O evento foi realizado num estádio para 70 mil pessoas numa madrugada de 1974, em Kinshasa, capital do Zaire (atual República Democrática do Congo), que é conhecido até hoje como Luta do Século (século 20, no caso), exaltada em documentários e livros.

Desde então, o rótulo foi banalizado por vários embates inexpressivos que se venderam como tal.

A verdadeira luta do século entre Muhammad Ali e George Foreman

A verdadeira luta do século entre Muhammad Ali e George Foreman (Arquivo/Revista VIP)

Mas agora um duelo promete a grandiosidade necessária para ser a nova Luta do Século (desta vez, do 21): o desafio entre o americano Floyd Mayweather Jr. e o irlandês Conor McGregor, marcado para 26 de agosto em Las Vegas, Estados Unidos.

Será um encontro entre o melhor pugilista de sua era, que ganhou títulos mundiais em cinco categorias, e um ídolo do MMA, que foi o primeiro a deter simultaneamente dois cinturões no UFC.

O desafio será de boxe, esporte em que Mayweather está invicto com 49 vitórias. McGregor, que soma 21 vitórias e três derrotas no MMA, terá de se adaptar às regras. O “clash de titãs” já movimenta um rico mercado.

O cartel de Mayweather é de 49-0 (26 K.O) em lutas de boxe. Ja o de McGregor é de 21-3 (18 K.O) em lutas de MMA

O cartel de Mayweather é de 49-0 (26 K.O) em lutas de boxe. Ja o de McGregor é de 21-3 (18 K.O) em lutas de MMA (Reprodução/Getty Images)

Cada um dos lutadores vai botar no bolso 100 milhões de dólares apenas para subir ao ringue, não importa o resultado. Nada mau para dois homens que adoram ostentar sua riqueza e seus bens materiais.

Fábrica de dinheiro

Além da bolsa de cada lutador, a superluta fatura até com as itinerantes coletivas de imprensa, que têm venda de ingressos ao público por 40 dólares cada. Apenas para ver os dois trocarem ameaças verbais bem ensaiadinhas.

Agora pense em ingressos para a própria luta: espera-se uma bilheteria de 70,2 milhões de dólares no T-Mobile Center de Las Vegas. Há bilhetes custando até US$ 94 mil num site americano de revenda legalizada. Os mais baratinhos custam módicos US$ 500.

Data Local Idade O que vale Bolsa Arrecadação da TV
Ali x Foreman 30 de outubro de 1974 Stade du 20 Mai, em Kinshasa Ali, 32
Foreman, 25
Título mundial dos pesos-pesados Us$ 5 milhões /cada (Us$26 milhões hoje) Us$ 60 milhões (Us$ 315 milhões hoje) da exibição em circuito fechado nos eua
Mayweather x McGregor 26 de agosto de 2017 T-Mobile Arena, em Las Vegas, EUA Mayweather, 4o
McGregor, 29
Luta-exibição Us$ 100 milhões/cada Expectativa de Us$ 475 milhões em pay-per-view nos Estados Unidos

E olhe que desta vez nem haverá cinturão em disputa. Nem mesmo uma medalhinha.

Uma projeção da ESPN confirma: o pay-per-view deverá arrecadar cerca de 475 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos – 15 milhões a mais que a luta de Mayweather contra Manny Pacquiao, que unificou os cinturões dos meio-médios de boxe em 2015.

Quem não tiver nem esse valor poderá recorrer à TV – outra fonte de renda milionária. Segundo Dana White, atual presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), essa luta baterá recorde de arrecadação de um evento no pay-per-view, com preço de US$ 99 para cada cliente.

No Brasil, a luta tem exclusividade do canal Combate. Os assinantes do canal não precisam desembolsar nada para assistir a luta, enquanto o pacote ao vivo sai por R$ 74,90 na Vivo e na Sky, e R$ 89,90 na NET. A operadora da TV Globo ainda fará venda avulsa do duelo por R$ 99,90.


Figurinha repetida

Essa não é a primeira vez que o Boxe encontra outra arte marcial

  • Vale-tudo

Em 1976, a cidade de Tóquio (Japão) recebeu uma luta entre o boxeador Muhammad Ali e o wrestler japonês Antonio Inoki.

Para o embate foi criado um vale-tudo cheio de regras, que não impediram o pugilista de sofrer com chutes do oponente. No fim, o resultado foi um broxante empate após 15 rounds de duração.

O lutador de luta livre Antonio Inoki até tentou, mas no fim Muhammad Ali foi o vencedor do duelo inusitado

O lutador de luta livre Antonio Inoki até tentou, mas no fim Muhammad Ali foi o vencedor do duelo inusitado (Keystone/Getty Images)

 

  • MMA x Boxe

O UFC 118 ficou marcado na história como a primeira vez que um importante nome do boxe aceitou o desafio de lutar no octagono.

O campeão do UFC Randy Couture derrotou de lavada o lutador de boxe James Toney em agosto de 2010, em Boston (EUA). Couture aplicou um triângulo de braço e venceu Toney por imobilização em pouco menos de dois minutos de luta.


Virando a casaca

Atletas profissionais que tiveram o peito de mudar de esporte.

  • Strike out!
Michael Jordan um sua rápida passagem pelo baseball: homenagem ao pai

Michael Jordan um sua rápida passagem pelo baseball: homenagem ao pai (Jonathan Daniel/Getty Images)

Michael Jordan, após emplacar um tricampeonato com o Chicaco Bulls em 1993, decidiu se aposentar das quadras com 31 anos de idade e ir atrás do sonho de ser jogador de beisebol.

Jordam lotou os estádios, mas fracassou no Chicago White Sox. Em março de 1995, o jogador voltou ao basquete e ao Chicago Bulls, onde foi novamente tricampeão.

 

  • Acelerado
John Surtees dirigindo a Ferrari que lhe deu o título da F1 após o tri na moto velocidade

John Surtees dirigindo a Ferrari que lhe deu o título da F1 após o tri na moto velocidade (Hulton Archive/Getty Images)

O britânico John Surtees fez história no esporte ao se tornar o único campeão da Fórmula 1 e da Moto GP.

Após o sucesso sobre duas rodas, onde conquistou quatro títulos na categoria mais importante da motovelocidade mundial (1956, 1958, 1959 e 1960), Surtees se aventurou na F-1 e, em 1964, representando a Ferrari, vencendo o campeonato mundial.

 

  • Bola fora

 (Alexandre Battibugli/arquivo Abril)

Futebol é futebol não importa o piso, certo? No caso de Falcão, o maior jogador de futsal de que temos registro, a história não foi bem essa.

Em 2005, o São Paulo investiu no habilidoso atacante, que acabou não conseguindo ser nem a sombra do craque que era nas quadras.

Após alguns desentendimentos com o técnico Emerson Leão e cinco meses de clube o jogador, decidiu voltar ao futebol de salão.

 

  • Tiro Certo
Nasser Al-Attiya cansou dos ralis e resolveu ganhar uma medalha olímpica

Nasser Al-Attiya cansou dos ralis e resolveu ganhar uma medalha olímpica (Lars Baron/Getty Images)

Ser muito bom em um esporte já é difícil, agora imagine ser destaque em duas modalidades completamente distintas.

Foi isso o que conseguiu Nasser Al-Attiyah, o príncipe qatari é bicampeão (2011 e 2015) do rali mais difícil do mundo, o Dakar, e medalhista olímpico (bronze) no tiro esportivo em 2012, Londres (Inglaterra).