Como Michael Jackson revolucionou o intervalo do Super Bowl

Justin Timberlake será a atração do Super Bowl LII, 25 anos depois que Michael Jackson transformou o show da final do futebol americano em grande evento pop

 (Reprodução/Getty Images)

A 52ª edição do Super Bowl, a final do futebol americano, está marcada para 4 de fevereiro em Minneapolis, com Philadelphia Eagles e New England Patriots na disputa do título. Como sempre, o intervalo será preenchido com um show de música no gramado.

O astro de 2018 será o cantor Justin Timberlake, no 25º aniversário da bombástica apresentação de Michael Jackson, que transformou o que era um espetáculo tapa-buraco num grande evento pop – às vezes mais comentado e assistido que o próprio jogo.

No Brasil, a transmissão será do canal pago ESPN.

Timberlake voltará ao Super Bowl após 14 anos. Naquela vez, ele participou da apresentação de Janet Jackson, irmã de Michael. E fez história também, embora por um episódio que gerou escândalo (leia abaixo).

O show de Michael em 1993 despertou os astros pop para as vantagens do Super Bowl.

A exposição é ótima, já que o evento alcançou as maiores audiências da história da TV americana. E, embora não se receba cachê da NFL (apenas uma ajuda de custo), o show do intervalo provoca um aumento nas vendas de álbuns ou downloads de músicas individuais.

De 1967 até 1992, o show do intervalo foi um evento antiquado, com fanfarras universitárias, espetáculos coreográficos e artistas da música antigos ou caretas demais para o público de pop e rock.

O mais bizarro foi o show de 1989 com Elvis Presto, um imitador de Elvis Presley que também fazia truques de mágica durante a música. Foi um personagem criado apenas para aquele evento.

A gota d’água para a NFL desistir desse modelo antiquado foi em 1992. No revezamento entre as emissoras abertas da TV americana, a transmissão daquele ano era da CBS e o show temático tinha patinadores no gelo e jogadores de hóquei olímpicos, além da cantora Gloria Estefan.

Para concorrer, o canal Fox, então iniciante, programou uma entrada ao vivo do programa humorístico de sucesso In Living Color, dos irmãos Keenan e Damon Wayans.

No intervalo, a audiência do Super Bowl despencou 22% e os Wayans até esnobaram, fazendo contagem regressiva para que os telespectadores voltassem à CBS para ver o reinício do jogo.

Para 1993, a NFL e a NBC (transmissora daquele Super Bowl) sabiam que não podiam tomar uma surra de audiência dessas no intervalo. Isso poderia afetar o preço alto cobrado aos anunciantes por um comercial de 30 segundos.

A saída encontrada foi Michael Jackson. Ele aceitou não receber cachê ao ficar lisonjeado com a promessa de que 120 milhões de pessoas no mundo todo poderiam vê-lo pela TV.

Michael entrou no palco do Rose Bowl, em Los Angeles, e dominou a plateia com Billie Jean, Black or White e We Are the World, além de fazer o passo Moonwalk.

A audiência de 93 milhões de telespectadores nos Estados Unidos foi maior que a do próprio jogo (91 milhões).

Pela primeira vez o show do Super Bowl conseguiu isso. Mas longe de ser a última.

Em anos recentes, os astros atuais vêm repetindo esse feito. Em 2017, Lady Gaga atingiu audiência de 117 milhões contra 111 milhões durante o jogo.

Timberlake e o “Nipplegate”

Neste ano, Justin Timberlake fará sua terceira participação no Super Bowl.

Em 2001, integrava o grupo ‘N Sync, que dividiu o palco com o Aerosmith. E, em 2004, foi protagonista do “nipplegate” (ou “mamilogate”) em seu dueto com Janet Jackson.

Timberlake entrou no palco para cantar Rock Your Body com Janet. Como parte da coreografia, Justin deveria puxar um lado do bustiê de couro da colega, mas o sutiã vermelho que ela usava por baixo ficaria no lugar.

Acidentalmente (ou não, de acordo com teorias da conspiração), o sutiã também foi abaixado e o mamilo direito de Janet ficou exposto por frações de segundo até a CBS cortar para outra câmera.

A emissora recebeu inúmeras reclamações pela exposição do seio e uma multa de 550 mil dólares do órgão federal de comunicações americano, que se livrou de pagar após recurso na Justiça. E Janet foi vilanizada pelo ocorrido, caindo em relativo ostracismo.

As 10 maiores audiências do show de intervalo

Katy Perry, 2015 – 118,5 milhões de espectadores

Lady Gaga, 2017 – 117,5 milhões de espectadores

Coldplay (com Beyoncé e Bruno Mars), 2016 – 115,5 milhões de espectadores

Bruno Mars (com Red Hot Chili Peppers), 2014 – 115,3 milhões de espectadores

Madonna, 2012 – 114 milhões de espectadores

Black Eyed Peas, 2011 – 111 milhões de espectadores

Beyoncé (com Destiny’s Child), 2013 – 110,8 milhões de espectadores

The Who, 2010 – 106 milhões de espectadores

Bruce Springsteen, 2009 – 103 milhões de espectadores

Tom Petty & The Heartbreakers, 2008 – 97,5 milhões de espectadores