Como seria a história do futebol se já tivesse árbitro de vídeo?

O recurso do árbitro de vídeo será finalmente usado na Copa de 2018. O que seria diferente se a regra já valesse no passado? 

 (Emilio Andreoli/Getty Images)

O Mundo — ou pelo menos a Copa — se prepara para o futuro: a partir de Rússia 2018, a maior competição de futebol do planeta irá adotar o VAR (Video Assistant Referee, ou assistente de vídeo, em tradução livre).

A medida chega após a FIFA ter testado a tecnologia em seus campeonatos mundiais de clubes e diversos outros países terem adotado a técnica em seus campeonatos nacionais e copas.

Apesar de parecer processo irreversível em prol de uma disputa mais justa e menos propensa a erros humanos, a tecnologia ainda não será adotada no campeonato brasileiro, sendo restrita apenas à Copa do Brasil.

 (Paolo Rattini/Getty Images)

Para mostrar para os dirigentes que lideram o futebol brasileiro a importância de tal tecnologia para um campeonato mais justo, relembramos abaixo os erros de arbitragem em Copas do Mundo que poderiam ser evitados com o VAR.

Talvez, a lembrança do Desastre de Sarriá os faça entender a importância do assunto — que não se trata apenas de um custo a mais.

 (Reprodução/Getty Images)

1962 – Brasil 2 x 1 Espanha

Se adicionado, o árbitro de vídeo poderia ter impedido o Brasil de ser bicampeão do mundo. No terceiro jogo da fase de grupos, a Espanha vencia por 1 x 0 no segundo tempo quando Nilton Santos derrubou Collar com o corpo dentro da área.

Pênalti — que o juiz chileno Sérgio Bustamante não deu. Ele se enganou porque estava longe e Nilton deu um passo para fora da área para iludi-lo quanto ao local da infração. Se fosse em 2018, os espanhóis pediriam a análise do replay.

Bustamente também anulou um gol de bicicleta espanhol. A Espanha voltaria a ser castigada na de 1 x 0 para o Brasil em 1986: um chute de Michel que abteu na trave cruzou a linha não foi considerado pela arbitragem

1966 – Inglaterra 4 x 2 Alemanha Ocidental

O terceiro gol inglês, já na prorrogação da final de 1966, é o lance mais duvidoso de todas as Copas. A bola bateu no travessão e quicou em cima da linha, mas nunca houve certeza se ela entrou por inteiro no gol, mesmo com análises de vídeos, filmes e fotos.

Só mesmo um sensor eletrônico na bola poderia encerrar o debate. Mas o bandeirinha Tofiq Bakhramov confirmou o tento e ganhou uma estátua em seu Azerbaijão natal pela fama que alcançou.

A vingança alemã viria nas oitavas da Copa de 2010, quando a Inglaterra teria empatado o jogo se fosse confirmado um gol de Lampard em que a bola ultrapassou a linha por 30 centímetros. A Alemanha acabou ganhando por 4 x 1.

1982 – Itália 3 x 2 Brasil

No primeiro tempo, Zico invadiu a área italiana e teve a camisa rasgada por um puxão do zagueiro Gentile. O buraco aberto no tecido não deixava qualquer dúvida de que foi pênalti.

Os brasileiros certamente pediriam a ação do árbitro de vídeo se fosse possível na época.

Só que isso não ocorreria por causa de um detalhe que o o árbitro israelense Abraham Klein revelou em 2012 ao jornal britânico The Guardian: uma fração de segundo antes do puxão, foi assinalado impedimento de Zico.

“Se a bandeira do auxiliar não tivesse sido levantada para indicar impedimento, eu teria apitado pênalti sem hesitar e dado o segundo cartão amarelo para Gentile”, relembrou Klein após 30 anos.

1986 – Argentina 2 x 1 Inglaterra

O gol de mão de Maradona que abriu o placar é um dos mais reprisados da história das Copas. O árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não viu o toque e trocou olhares com o auxiliar búlgaro Bogdan Dotchev, que ficou parado, o que indicaria alguma irregularidade.

Só que Bin Nasser decidiu assumir a responsabilidade sozinho e nem consultou o auxiliar, apontando o centro do campo para validar o gol. O vídeo mudaria a história, já que a “Mão de Deus” era explícita em qualquer ângulo de câmera.

A mãozinha do argentino atacou novamente na Copa de 1990, quando Dieguito evitou um gol certo da União Soviética num jogo que a Argentina ganharia por 2 x 0.

2002 – Coréia do Sul

Dois jogos da Coreia na Copa que sediou em parceria com o Japão mereciam a intervenção do árbitro de vídeo. Desde que os juízes tenham errado por incompetência e não por má-fé, e aceitassem rever os lances.

Nas oitavas contra a Itália, um gol legítimo de Tommasi na prorrogação teria encerrado a partida por morte súbita. Só que o juiz equatoriano Byron Moreno anulou por impedimento inexistente.

Pouco depois, os coreanos fizeram o gol da classificação. Nas quartas, a Espanha teve um gol anulado por suposta falta de seu ataque. Depois, outra anulação, sob a alegação de que a bola teria saído de campo antes do cruzamento que gerou o gol – não saiu.

A Coreia venceu nos pênaltis.

 

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Comentários

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  1. Pessoal, boa tarde!
    Sou leitor da versao impressa… e vi que nessa reportagem vcs usaram a bandeira do reino unido e não da Inglaterra. Lembrando que nas copas cada pais vai com sua bandeira e nas olimpíadas vão como reino unido ou GRB

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