Como We’re The Champions se tornou o primeiro hino pop de estádio

Há 40 anos, o Queen entoava a canção que foi inspirada nas torcidas de futebol e, por isso mesmo, é cantada nos estádios até hoje

 (Jean Claude Coutausse/AFP Photo)

Em outubro de 1977, a banda inglesa Queen lançava um compacto com as músicas We Are the Champions e We Will Rock You, que também abriam o álbum News of the World.

Poucos meses depois, torcedores começaram a cantá-las em jogos de futebol na Inglaterra e de outros esportes nos Estados Unidos, conforme registrou em maio de 1978 o jornal britânico Daily Mail.

Apesar do forte apelo da batida marcial de We Will Rock You, We Are the Champions foi a que se consolidou como hino pop de torcidas do mundo todo.

A canção composta pelo vocalista Freddie Mercury é usada até hoje em comemorações de grandes vitórias – até no Brasil isso já ocorreu.

O exemplo mais recente foi o da torcida do Real Madrid cantando a música inteira, com as luzes do Estádio Santiago Bernabéu apagadas, na festa de recepção ao time campeão da Uefa Champions League em junho de 2017.

Música adequada ao torneio. Afinal, We Are the Champions foi cogitada para ser o hino oficial da Champions na reformulação da competição em 1992.

Mas os executivos de marketing que trabalhavam com a Uefa optaram por uma composição nova com um jeito de música clássica.

Não é por acidente que a canção encanta torcedores. Mercury confessou à revista americana Circus de janeiro de 1978 que sua inspiração veio mesmo dos estádios. “Estava pensando em futebol quando a compus. Queria uma música participativa. O foco era nas multidões. É claro que eu dei uma sutileza mais teatral que a de um coro de futebol comum. Pode ser vista como a minha versão de My Way [sucesso de Frank Sinatra]. Nós chegamos lá e certamente não foi fácil.”

Meses antes da morte de Mercury, em novembro de 1991, o guitarrista Brian May (que compôs We Will Rock You) disse à revista britânica Q que We Are the Champions “transformava um show num jogo de futebol em que todo mundo estava do mesmo lado”.

Mas, em entrevistas de 2017 a duas publicações musicais importantes, May tentou negar essa história. “É engraçado, mas as duas músicas não foram compostas pensando especificamente em esportes. Acho que estávamos cientes dessa possibilidade, mas falávamos mais de nosso público de rock”, disse May à revista americana Rolling Stone.

Já à britânica NME, ele afirmou que seu parceiro de banda nem se interessava por futebol, contradizendo a afirmação de 1978 do próprio Freddie.

O que importa é que as torcidas amam We Are the Champions. E ela abriu caminho para que várias outras músicas populares (não só de rock ou pop) chegassem aos estádios. 


Outros hits dos estádios

You’ll Never Walk Alone
Gerry & The Pacemakers

O marco zero do pop de estádio. Em 1964, a torcida do Liverpool começou a cantar essa música comovente gravada por uma banda local. O ritual se repete até hoje.


 

Seven Nation Army
White Stripes

Maior “rival” atual de We Are the Champions. Gente do mundo todo imita a festa da torcida da Itália na Copa de 2006, que cantou a melodia apenas como “Ô… ô ô ô ô ô… ô…”. No Brasil, as torcidas de Internacional e Flamengo criaram letras alternativas para a música inteira.


 

Aquarela do Brasil
Ary Barroso

Canção brasileira conhecida no mundo todo, é entoada pela torcida do PSG desde a chegada de Neymar ao clube francês em agosto.


 

Wonderwall
Oasis

Cantada no estádio do Manchester City – time pelo qual os membros da banda inglesa torcem.


 

Song 2
Blur

Usada para comemorar os gols do St Pauli de Hamburgo, o clube mais hipster do futebol mundial


 

Amigo
Roberto Carlos

A melodia virou base do coro “Não para, não para não para” da torcida do Corinthians em 2008.