Elas no ringue

Este ano, em Londres, haverá a estreia do boxe feminino como esporte olímpico. Siliconadas estão vetadas

Pela primeira vez na história (ok, como piada isso já cansou, mas agora é fato) dos Jogos Olímpicos, pugilistas mulheres se enfrentarão por uma medalha. O boxe feminino foi incluído na Olimpíada de Londres deste ano e, assim, todos os 26 esportes dos jogos terão disputas dos dois sexos. Trinta e seis moças deverão desferir jabs, diretos e cruzados, entre outros golpes, para disputar o lugar mais alto do pódio.

Apesar disso, muitos ainda torcem o nariz para elas no ringue. Não deveriam. As mulheres têm técnica de sobra, fazem lutas empolgantes – e estas não são as únicas qualidades de algumas, como bem se observa na foto da sueca Frida Wallberg, a maior pugilista da história de seu país. Abaixo, cinco fatos curiosos sobre o esporte.

Chance brasileira
Roseli Feitosa é séria candidata a medalha em Londres. Campeã mundial nos 81 quilos, teve que baixar para 75 para se encaixar nas categorias dos jogos (51, 60 e 75 quilos). Por Londres também fez as pazes com o técnico Cláudio Aires. Os dois brigaram em outubro de 2011, após uma derrota da atleta nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara (ela ficou com o bronze). Roseli tenta uma vaga para a Olimpíada no único torneio classificatório, em maio, na China.

Fama na Fazenda
Uma das pugilistas mais famosas do Brasil é sérvia. Duda Yankovich está radicada no país desde 1999 e envolveu-se com o boxe em 2000, quando começou a treinar com a equipe de Acelino Popó Freitas – chegou a campeã mundial na categoria superleve da Women’s International Boxing Association. Em 2011, entrou no reality show A Fazenda, da Record, e foi expulsa acusada de agredir um participante. Agora, voltou forte aos treinos na academia dos lutadores do UFC Rodrigo “Minotauro” e Rogério “Minotouro”, a Team Nogueira.

Pernas de fora
Uma polêmica assolou o universo do pugilismo feminino no começo do ano, quando a Federação Internacional de Boxe (Aiba) sugeriu que as atletas usassem minissaias nas competições olímpicas. As lutadoras acharam a ideia machista. Depois do bafafá, ficou acertado que as boxeadoras poderão optar entre a sainha e o tradicional short.

Peitões vetados
São poucas as diferenças entre as regras do esporte para mulheres e homens. Elas podem usar protetor de seios e devem lutar com os cabelos presos apenas por elásticos. Também devem provar antes das lutas que não estão grávidas. Os combates têm entre 4 e 8 rounds de dois minutos, enquanto os masculinos têm de 4 a 12 assaltos de três minutos. Outra: mulheres com peitos de silicone não podem lutar.

Inglesa pioneira

As primeiras lutas femininas de boxe aconteceram nos anos 1720 em Londres. Além de socos, as mulheres podiam dar chutes, joelhadas e arranhões nas adversárias. A primeira boxeadora a vencer num ringue foi Elizabeth Wilkinson, em 1722, que derrotou Martha Jones. Por décadas, o esporte foi visto como masculino demais. Ainda hoje briga por legitimidade em vários países. É o caso de Cuba, supertradicional no boxe para homens. Aspas do técnico da seleção: “As cubanas deveriam estar mostrando seus bonitos rostos, não levando socos neles”.

Matéria publicada na VIP de abril de 2012.