Felipe Massa: “Estou superfeliz com minha decisão de parar na F1”

Felipe Massa disputará seu último GP Brasil em 13/11. Após 15 Temporadas, 11 Vitórias e um vice-campeonato mundial, ele deixa a categoria

OS ÚLTIMOS GPS
Desde que anunciei minha aposentadoria [em 1º de setembro], as corridas têm um sabor especial de despedida. Agora é curtir cada corrida num país diferente. A de Suzuka foi incrível. O carinho dos japoneses é impressionante. Fiz um vídeo do trajeto do hotel ao autódromo, todo mundo querendo ver você, fazendo fila o dia inteiro para tirar uma foto.

Esse carinho não tem preço. Estou superfeliz com minha decisão de parar na F1. Não sinto nenhuma mágoa ou algo do tipo. Decidi pela aposentadoria e sou um cara grato por tudo o que consegui e alcancei. Não tenho nenhuma frustração, e sim agradecimento por tudo o que conquistei.

FUTURO

Foto: Mark Thompson/Getty Foto: Mark Thompson/Getty

Foto: Mark Thompson/Getty (Foto: Mark Thompson/Getty Images/)

Esta é a hora certa [de parar], é um momento bom. No esporte, aposenta-se cedo. A F1 não é diferente do futebol, por exemplo. Sou realizado e isso é o mais importante. E estou pronto para fazer outras coisas e bem empolgado para continuar correndo.

No automobilismo, você pode ser competitivo em categorias excelentes mesmo fora da F1. Na minha época de estreante na F1, eu tinha muito mais perguntas que respostas. Hoje é o contrário. Claro que ainda há muitas perguntas [risos], mas tenho mais experiência e vejo que o time confia na minha opinião, me perguntando mais sobre as coisas.

Fui parte fundamental na melhora da Williams de 2013 para 2014 [a equipe subiu de oitava para terceira colocada de um ano para outro], por causa da minha experiência de tantos anos em uma equipe grande como a Ferrari, minhas ideias, meus palpites, o trabalho na fábrica etc.

FÓRMULA 1 CHATA

Foto: Mark Thompson/Getty Images Foto: Mark Thompson/Getty Images

Foto: Mark Thompson/Getty Images (Foto: Mark Thompson/Getty Images/)

A F1 tem que voltar a ser algo que as pessoas queiram ver. Simplificar é um caminho. Regras mais fáceis, por exemplo. O importante é ter mais competição. Não acho que precisa aumentar a carga aerodinâmica só para deixar os carros mais rápidos, o que acaba atrapalhando as ultrapassagens, as disputas – que é o que o público quer ver.

“A F1 está chata.”

Ninguém quer ver apenas um time ganhando. Mas essa questão de hegemonia é algo que acontece com frequência. Dizem: “Ah, antigamente era muito legal… Os pilotos guiavam muito, hoje eles não guiam p**** nenhuma”.

Vai lá guiar para ver se é fácil! As pessoas acabam esquecendo como era a realidade naquela época. Em 2014, após 20 anos da morte do [Ayrton] Senna, o SporTV reprisou diversas corridas daqueles anos [décadas de 1980 e 90]… Era muito chato! Pô, tinha corrida em que o segundo e o terceiro tomavam volta. Em que isso era mais legal [que os GPs de hoje]? E isso era em quase todas as corridas! Se você fala disso agora, vão dizer: “Você não sabe o que está falando, você não assistiu, era criança…” Tá bom, então vai lá e assiste. Depois você me conta!

EXIGÊNCIA DO TORCEDOR

Foto: Pascal Rondeau/Allsport Foto: Pascal Rondeau/Allsport

Foto: Pascal Rondeau/Allsport (Pascal Rondeau/Allsport/Reprodução)

Tenho certeza de que naquela época do Senna também deveria haver críticas sobre ter apenas uma equipe ganhando. Claro que não por parte dos brasileiros, já que havia um piloto brasileiro ganhando. Mas, na temporada de 1994, eu lembro que estavam massacrando o Senna porque não tinha ganhado nenhuma corrida naquele ano. Mudou para o melhor carro [ele trocou a McLaren pela Williams] e não estava vencendo… Aí ele morreu e virou deus. 

BRINCADEIRAS COM O “APOSENTADO”

Foto: Mark Thompson/Getty Foto: Mark Thompson/Getty

Foto: Mark Thompson/Getty (Foto: Mark Thompson/Getty/)

É claro que minha aposentadoria na Fórmula 1 já está rendendo boas risadas [com os outros pilotos do grid]. Brincadeira sempre tem. Quando estamos em algo chato num fim de semana de corrida, eu brinco e respondo: “Estão vendo, não vou ter mais que passar por isso”.
E todo mundo ri!