Histórias da primeira delegação brasileira nos Jogos de Inverno

Mesmo sem neve, o Brasil participa das Olimpíadas de Inverno desde 1992

Christian Munder durante os jogos de 1992

Christian Munder durante os jogos de 1992 (Reprodução/Getty Images)

No Brasil não tem neve (ou tem em raros episódios), mas desde 1992 o país manda delegação para os Jogos Olímpicos de Inverno. E não fazemos feio: é nossa a melhor colocação da América Latina na história das Olimpíadas de Inverno, o 9º lugar da snowboarder Isabel Clark em 2006.

Se ainda hoje esse é um território pouco conhecido por nós, em 1992 fomos para Albertville, na França, em um esquema parecido com o do clássico filme Jamaica Abaixo de Zero.

Neste mês em que a 23ª edição da competição acontece em Pyeongchang, na Coreia do Sul, e você vai ver muito curling na TV, conheça aqui histórias marcantes daquela nossa primeira participação.

O pai de tudo

Não fosse Domingos Giobbi, o Brasil demoraria mais para participar de uma Olimpíada de Inverno.

Ele fundou, em 1959, o Clube Alpino Paulista, primeira entidade de esportes de inverno (atual Confederação Brasileira de Ski). Por meio dela, organizava campeonatos brasileiros – na Argentina ou Chile, por motivos óbvios – e mandava atletas para mundiais de esqui.

Foi a partir desses eventos que Giobbi selecionou os competidores de 1992.

A delegação tinha sete esquiadores – apenas uma mulher.

Sem dinheiro

Embora filiada ao Comitê Olímpico Brasileiro, nossa missão não teve ajuda. “Se naquela época nem nós entendíamos os esportes na neve, imagina o COB. Fomos para a França sem dinheiro, uniforme, nada”, relembra Marcelo Apovian, atleta dos Jogos de 1992 e 1998.

Os esquiadores pagaram passagens do próprio bolso e o Comitê Olímpico Internacional ajudou a cobrir gastos por meio do programa “Solidariedade Olímpica”.

Apovian, Giobbi, Munder e Sylvio Mundi

Apovian, Giobbi, Munder e Sylvio Mundi (Acervo Marcelo Apovian/Reprodução)

No improviso

Christian Lothar Munder era um de nossos atletas. Nascido em Campinas, morava na Alemanha desde 1 ano de idade. Sem índice para participar da equipe de lá, usou o passaporte brasileiro para competir pelo Brasil.

Aproveitou ainda seus laços germânicos para ajudar a equipe: conseguiu que a fornecedora dos alemães doasse para a delegação brasileira o uniforme azul que marcou o time, além de consultas com a equipe médica europeia.

Rivalidade zero

Ainda graças à amizade de Munder, a equipe brasileira conseguiu participar de vários treinos em Albertville ao lado dos esquiadores alemães e suíços, que não viam a delegação brasileira como concorrente.

Apesar da pouca tradição em esportes da neve, nossos atletas já eram conhecidos dos europeus por participarem de competições por lá.

Superclássico

A rivalidade entre brasileiros e argentinos não existe na neve.

Além de sermos considerados “small nations”, países sem tradição nos esportes gelados, o técnico do Brasil era argentino e os atletas treinavam juntos na Vila Olímpica.

“Como o Campeonato Brasileiro era na Argentina, os dois times se conheciam há tempos”, conta Hans Egger, porta-bandeiras do Brasil em 1992. Mas todo dia as delegações cediam às tradições e armavam uma pelada internacional.

Vingança no campo

Os jogos de futebol serviram também como uma espécie de vingança: se nas pistas não éramos páreo para os europeus, com a bola no pé a gente levava vantagem.

Por isso, certo dia, na Vila Olímpica, nossos atletas desafiaram para uma pelada um catadão de atletas alemães e suíços.

Naquelas épocas anteriores ao 7 x 1, nós ganhamos sem muito esforço.

Pé-frio

Fabio Igel, um dos principais nomes da delegação, havia passado anos em uma escola especializada em atletas de neve na Suíça e tinha chances de trazer bons resultados.

Três semanas antes dos Jogos, porém, rompeu quase todos os ligamentos do tornozelo em… um jogo de futebol pelo time da faculdade.

“Achei que a bota do esqui ia servir como gesso. Participei dos treinos em Albertville, mas saía deles direto para a barraca da enfermaria alemã. No fim, não consegui competir, qualquer trepidação era um sacrifício.”

Só quando acabaram os Jogos ele voltou para o Brasil – e teve que fazer uma cirurgia.


Asics nos Jogos

Uma linha do tempo com a participação da marca japonesa na história olímpica

1956

 (Asics/Divulgação)

A Asics faz seu primeiro produto para Olimpíadas: o After Runner Shoes, com material especial na sola e reforço na área do tornozelo para proteger o tendão de Aquiles.

1968

 (Asics/)

O japonês Kenji Kimihara vence a medalha de prata na maratona da Olimpíada do México usando o tênis Magic City Runners, criado pela Asics para evitar bolhas, com entradas de ar no peito do pé.

1972

 (Asics/Divulgação)

A Asics lança seu primeiro tênis de basquete a participar dos Jogos Olímpicos, o Fabre (na foto, modelo atual), usado pela seleção japonesa.

1976

 (Asics/Divulgação)

O corredor de longas distâncias finlandês Lasse Virén vence as provas de 10 mil e 5 mil metros rasos em Montreal usando um Onitsuka Tiger.

1993

 (Asics/Divulgação)

O nome da Asics é talhado no Museu Olímpico, na Suíça, como uma das empresas que fazem parte da história do evento.

2016 e 2018

 (Asics/Divulgação)

A Asics se torna a fornecedora oficial da delegação japonesa, vestindo os atletas da Olimpíada do Rio e de Pyeongchang.

2020

 (COI/Reprodução)

A marca será Gold Partner dos Jogos de Tóquio. Vai vestir não só a delegação japonesa, mas também todos os voluntários do evento.