[Ideias VIP] Walking Football, o esporte onde é proibido correr

Esta coluna é para você que acha que já está na idade da hidroginástica e da sinuca

 (KNVB/Reprodução)

Você adora jogar futebol, mas está se arrastando?

Sente que seu tempo de boleiro já era e o melhor é procurar outro esporte mais leve, como hidroginástica ou sinuca?

A idade é inexorável, eu sei. Doem as juntas, as hérnias escapam pelas vértebras, o day after da pelada é uma sinfonia de gemidos.

O corpo já não responde. Você jura que vai parar, mas bastam uns dois dias para as chagas aliviarem e a fissura voltar. Eu entendo você.

Meu pedido em nome do futebol-arte: não tome uma atitude precipitada. Sei o quanto jogar a pelada semanal é algo sagrado.

E trago uma notícia que pode estender a vida útil do boleiro para todo o sempre.

Há uma recém-nascida variação do futebol fazendo muito sucesso entre craques e bagres veteranos do Reino Unido: o walking football.

Poderíamos traduzir grosseiramente como futebol caminhando, mas o nome em português não ajuda. Vamos ver se pinta outro ou fica a expressão em inglês mesmo. Ou, quem sabe, slow football?

Trata-se do jogo de futebol com uma diferença principal: é proibido correr.

Como na marcha atlética, os jogadores não podem tirar os dois pés do chão ao mesmo tempo. Pintou um trotinho que seja, é falta.

Outra restrição é o contato físico mais ríspido. No ano passado, já eram 800 times inscritos na Walking Football United (WFU), associação pioneira da modalidade na Inglaterra.

Como em todo jogo nascente, há diferenças dependendo do lugar onde se pratica.

Alguns limitam o número de toques por jogadores, outros proíbem que a bola seja lançada a uma altura acima da cabeça etc.

Algo comum é o número reduzido de participantes, em geral cinco contra cinco, como no futsal, mas pode ser mais.

A FA, Federação Inglesa de Futebol, abraçou o esporte e publicou em fevereiro documento na tentativa de padronizar as regras. Astros da Premier League, como Harry Kane, já disputaram partidas comemorativas.

O primeiro registro do esporte é de 2011, em Chesterfield. Três anos depois, surgiu o site da WFU conectando praticantes e interessados. E a coisa pegou. Inevitavelmente, há um recorte etário entre os adeptos.

São sujeitos acima de 50 anos, boleiros cujas limitações por fôlego, lesões, peso ou questões de saúde tornaram a prática do futebol tradicional algo penoso ou até impossível.

Há times de 60+, 70+, até 80+. O céu é o limite — sem maldade no uso da expressão, por favor.

Além de ajudar muita gente a deixar o sedentarismo, o esporte tem um aspecto social: velhos boleiros sentem novamente o sabor de calçar uma chuteira, o clima do vestiário, o cheiro da grama.

Logo, as mulheres devem entrar nessa. Quem diria que uma frase como “você está andando em campo” fosse um dia virar elogio?

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