Lutadores do UFC param a Oscar Freire

(ou “A noite  em que eu não entrevistei ninguém”) A rua Oscar Freire, um dos dez endereços de compra mais exclusivos do mundo, já tinha visto de quase tudo. Peruas com roupas caríssimas, ricaços de carrões blindados, artistas brasileiros e estrangeiros. Mas na terça-feira à noite certamente o cenário foi inusitado. Homens fortões, quase todos […]

(ou “A noite  em que eu não entrevistei ninguém”)

A rua Oscar Freire, um dos dez endereços de compra mais exclusivos do mundo, já tinha visto de quase tudo. Peruas com roupas caríssimas, ricaços de carrões blindados, artistas brasileiros e estrangeiros. Mas na terça-feira à noite certamente o cenário foi inusitado. Homens fortões, quase todos vestindo camisas pretas, chegavam aos montes no número 228. Eram lutadores do UFC, como José Aldo Júnior (detentor do cinturão dos pesos-penas), Junior Cigano dos Santos (próximo desafiante do cinturão dos pesos-pesados), os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro Nogueira, Murilo Bustamante, Thiago Tavares, Charles do Bronx e vários outros.

Estavam todos na inauguração da loja da Pretorian, a maior marca de luta do Brasil e patrocinadora de 12 atletas do Ultimate Fighting Championship. O tumulto por causa dos atletas era tamanho  que o trânsito estava parado oito quarteirões antes da loja. O prédio de quatro andares tem mil metros quadrados no total. No primeiro, funciona a loja propriamente dita, que vai vender roupas, produtos para luta, motos e carros customizados. A Pretorian também lança uma nova marca, a PTRN, com produtos mais finos – exatamente como o novo endereço.

O terceiro e o quarto andares são onde ficam o pessoal do administrativo, o diretor de marketing e criação Alexandre Bucci e o presidente Ruy Drever. Mas o mais bacana mesmo é o segundo andar, onde foram colocados um ringue e um octógono. Uma academia particular, toda envidraçada, em plena Oscar Freire, apenas para os donos da Pretorian, seus atletas e seus amigos. Gente como os irmãos Diniz, herdeiros do grupo Pão de Açúcar, e os atores Bruno Gagliasso (que estava ontem por lá), Malvino Salvador e Wagner Moura já disseram que querem usar aquele espaço. (Ruy Drever me prometeu que eu também posso.) Na inauguração da loja, aconteceram duas lutas de muay thai (meu professor Ivam Batista foi o árbitro delas) e uma de MMA.

O evento estava tão cheio, mas tão cheio que mal dava para se locomover. Além dos lutadores, do Bruno e de empresários do esporte (como Wallid Ismail, mentor do Jungle Fight), espremiam-se na inauguração um monte de gente da imprensa. Alguns mais famosos, como Sabrina Sato e César Polvilho, do Pânico, e Paula Sack, ex-canal Combate, atual UFC. Outros, gente como eu. Com uma diferença: eles trabalharam. Eu não: decidi só papear, sem anotar nada. E tive ótimos papos. Ciceroneada por duas pessoas incríveis, o niteroiense Fernando Flores (assessor de, entre outras pessoas e empresas, Minotauro e José Aldo) e a repórter Paula Sack, fiquei flanando pelos lugares mais VIPs da festa e conversando com todos os lutadores – tudo sem o bloquinho na mão e sem gravador. Reproduzo aqui alguns dos melhores momentos:

Os atletas patrocinados pela marca com o ex-boxeador Popó (últ. à dir.), o diretor de marketing e criação Alexandre Bucci (ajoelhado, no meio) e o CEO Ruy Drever (de branco, ao lado)

  • Cheguei à festa junto com José Aldo. Ele não conseguia entrar na loja, tamanho o assédio na porta. Carregava seu cinturão, e eu pedi para segurar. Queria ver se é pesado. É, mas não muito – tem o mesmo peso de uma réplica do cinturão que é vendida ao público pelo site do UFC.
  • Thiago Tavares, maior lutador de MMA de Santa Catarina e contratado pelo UFC, é um tuiteiro fanático (@TavaresMMA). Não estava conseguindo sinal dentro da loja e começou a ficar um pouco desesperado. Saiu algumas vezes para poder postar seus comentários, quase um minuto a minuto da festa.
  • Murilo Bustamante disse que vai lutar no evento Clube da Luta, em 20 de julho, no Rio de Janeiro, e que, por isso, está sem praticar seu segundo esporte favorito até lá: o surfe. “Concentração total antes da luta”, contou.
  • Paula Sack vai ter uma coluna na nova revista UFC, a revista oficial do evento, que será lançada em agosto. “Vou falar dos bastidores do UFC, que eu conheço muito bem e há tanto tempo”, disse. Ela contou que tem tanta história que já pensou na estrutura das colunas para cinco edições. “E o que tem de casos que sobraram…”
  • Charles do Bronx franziu a testa quando me apresentei e disse que já havia falado com ele por telefone. “Já, é?”. “Já, claro!”, disse a namorada, cutucando o braço dele. E me explicou: “Eu que agendo as entrevistas dele, ele nunca se lembra.”
  • Cigano disse ainda está fazendo fisioterapia na mão por causa de sua última luta, contra Shane Carwin (ele desfigurou o oponente), e que ela desinchou um pouco. “Ele me deu umas unhadas”, disse o lutador. Ele também comentou sobre as vitórias no boxe no fim de semana dos irmãos ucranianos Wladimir e Vitali Klitschko. “O Wladimir unificou três dos quatro cinturões do boxe.” O catarinense ainda se divertiu fazendo fotos com Montanha Silva, ex-lutador do K-1.
  • Aliás, mesmo com tanta estrela do UFC, uma das grandes atrações da noite foi o ex-lutador Montanha Silva. Com 2,20m e 164 quilos, ele fez fotos ao lado de quase todo mundo. Popó, ex-boxeador e atual deputado federal, pediu para fazer uma foto de sua mão fechada (como um soco) ao lado da mão de Montanha – ele batia na cintura do cara. E Cigano também quis uma foto ao lado do gigante. “Nossa, pareço uma criança ao lado dele”, disse o atleta.

    Foto que eu fiz no celular da Paula Sack, que gentilmente me cedeu: Popó, Montanha, Paulinha e Cigano

  • Uma das duas lutas de muay thai, no ringue no segundo andar da loja. Além delas, houve uma de MMA no octógono

 

Ruy Drever, o CEO da Pretorian, me envia o vídeo produzido por eles com o coquetel de inauguração:

http://www.youtube.com/watch?v=z-uR8mEfb5g

Atualização: 28 de julho de 2001