Neymar Jr: “Meu pai não toma decisões na minha carreira. Eu decido.”

O camiseta 10 da seleção brasileira abre o jogo sobre futebol, estilo, família e quais críticas realmente o incomodam

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 (Thierry Le Goues/Revista VIP)

A juventude de Neymar Jr. reservou uma sequência de reveses na seleção brasileira.

O menino-prodígio foi desprezado na convocação para uma Copa.

O jovem craque foi alijado no meio de seu primeiro mundial com uma perigosa joelhada nas costas e ainda amargou de longe a derrota de 7 a 1 na semifinal.

Agora, adulto formado, Neymar Jr. tem a chance de enterrar o que deu errado, se consagrando numa nova Copa do Mundo – algo que já ocorreu antes com Pelé, Romário e Ronaldo

Aos 18, não foi chamado para o mundial apesar do clamor popular. Aos 20, perdeu uma final de Olimpíada. 

Aos 22, foi forçado a abandonar sua primeira Copa por contusão e assistiu de fora à pior derrota da história da seleção.

A virada no enredo começou aos 24, com a conquista do ouro olímpico.

Agora, aos 26 anos, definitivamente na idade adulta, tem a chance de apagar as decepções anteriores se consagrando na Copa seguinte. Assim como Pelé superou 1966 em 1970, Romário se livrou de 1990 em 1994 e Ronaldo deixou 1998 em 2002.

Talvez nenhum desses três mitos tenha sido alvo da atenção de tanta gente fora de campo.

Neymar vive na era dos jogadores-celebridade, com mais de 93 milhões de seguidores no Instagram em maio.

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 (Getty Images/Reprodução)

Com tal popularidade, enfileira contratos publicitários com marcas internacionais como a Replay. E os comerciais brasileiros fazem com que o craque pareça onipresente na TV nos meses pré-Copa.

Mas tudo isso é consequência do que ele faz com a bola.

O craque do Paris Saint-Germain francês (ou PSG) concedeu à VIP uma entrevista por e-mail durante sua recuperação da fratura no pé direito, sofrida em fevereiro.

Os temas foram divididos em dois blocos: um sobre Copa e futebol, outro sobre estilo de vida e as pessoas mais próximas.

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 (Thierry Le Goues/Revista VIP)

Quando você torceu o pé contra o Olympique de Marselha, chegou a passar pela sua cabeça “acabou a Copa para mim”?

Na hora, não, a dor era muito forte e não deu para pensar em nada.

Num segundo momento, minha preocupação era o jogo contra o Real Madrid, pela Champions League [em 6 de março].

Só depois, quando o pé desinchou e começamos a ter noção de que seria mais grave do que pensamos no início, a Copa veio à cabeça. Aí bateu uma preocupação, uma tristeza.

Graças a Deus, não passou de susto.

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 (Getty Images/Reprodução)

Você teve uma grande frustração em 2014. Outros gigantes saíram do fracasso numa Copa para reinar em outra, como Pelé, Maradona, Romário e Ronaldo. Isso dá uma vontade extra? Esta Copa será A SUA Copa?

Não há como ter mais vontade do que já tenho de disputar uma Copa. É o sonho de toda criança e tenho toda e mais alguma vontade de jogar. E não será a “minha” Copa.

Será a Copa do Mundo da seleção brasileira!

O que mudou com a saída do Dunga e a entrada do Tite?

São dois grandes treinadores. Respeito e tenho muito carinho por eles. Acredito que a seleção teve um encaixe melhor com o professor Tite e os resultados apareceram.

Mas não dá para comparar.

Qual a melhor dupla de frente? Pelé e Coutinho ou Neymar e Coutinho?

Pelé e Coutinho.

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 (Thierry Le Goues/Revista VIP)

O que é a Copa em sua vida, desde menino até virar craque? E qual o saldo do mundial de 2014 para você?

Como sempre falo, Copa do Mundo é um sonho. Realizei esse sonho em 2014, no Brasil. Agora o sonho é o título.

A primeira de que me lembro foi a de 2002. Tinha 10 anos e cheguei até a fazer o cabelo de Cascão, imitando o Ronaldo.

Gostaria muito de ter sido convocado para a de 2010, mas não aconteceu, paciência.

Não é algo que me consuma.

O saldo de 2014? Acredito que tudo o que aconteceu naquela Copa me ajudou muito a ser o atleta que sou hoje.

Chego mais preparado à Rússia.

O ouro olímpico fez alguma diferença na sua vida?

Toda a diferença. É o título mais importante que conquistei até agora com a camisa da seleção brasileira, importante para o país e para mim.

Foi mais que uma medalha, foi um processo do ponto de vista profissional e pessoal.

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 (Ivan Pacheco/Reprodução)

Qual das críticas, rótulos e maledicências o incomoda mais? “Cai-cai”, “fominha”, “pavio curto”?

Nenhum. O que me incomoda e me deixa bravo é quando falam besteiras sobre minha família na mídia.

 

O fato de seu pai tomar decisões para sua carreira ajuda você a se concentrar em jogar bola?

Meu pai não toma decisões na minha carreira. Eu decido sobre a minha carreira.

Ele é o melhor conselheiro que tenho, mas quem decide sou eu.

Meu pai cuida de outros interesses que correm em paralelo para que eu possa me dedicar inteiramente à minha profissão.

Quem se veste melhor? Você ou o Daniel Alves?

Essa é fácil, né? Eu!

 

Quem escolhe suas roupas e acessórios?

Eu mesmo. Gosto de me vestir bem, de escolher meus acessórios, essas coisas.

 

Defina seu estilo e o que ele tem a ver com a Replay.

Gosto muito da Replay, são roupas que falam comigo. Desde que me mudei para a Europa e conheci a marca, me identifiquei na mesma hora.

A Replay tem estilo, é ousada e alegre. Sou eu!

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 (Thierry Le Goues/Revista VIP)

Você é um garoto-propaganda muito valioso. Existe algum tipo de propaganda que você se recusaria terminantemente a fazer?

Qualquer coisa que gerasse violência ou que incentivasse a guerra. Armas de fogo, por exemplo. O mundo precisa de paz.

 

Vai ter dancinha, corte de cabelo diferente ou outra surpresa durante a Copa?

Vai ter treino, foco, doação, essas coisas… Isso eu garanto.

 

Falando de sua iniciativa social, o Instituto Neymar Jr. está conseguindo cumprir o que você pretendia quando o fundou?

Está indo além das minhas expectativas. É um dos grandes orgulhos da minha família.

Só recebo boas notícias sobre a transformação que está acontecendo no Jardim Glória, na Praia Grande, bairro onde cresci.

Completamos três anos de atividades, sempre buscando melhorar a cada dia. Vale a pena acompanhar nossas atividades nas redes sociais ou pelo nosso site www.institutoneymarjr.org.br.

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 (Divulgação/Reprodução)

De que realizações do instituto você sente mais orgulho?

Minha parte preferida é o atendimento médico.

Saber que muitas crianças têm acesso a coisas básicas como exames oftalmológicos — e ganham os óculos também — e tratamento dentário, por exemplo, me deixa orgulhoso.

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 (Divulgação/Reprodução)

Quanto tempo você consegue passar com seu filho por causa da sua agenda?

Moramos em países diferentes e, por maior que seja o tempo com ele, nunca é o bastante, né?

Ele é a pessoa que mais amo neste mundo e estar com ele transforma qualquer minuto em uma vida inteira.

O que você e seu filho fazem juntos?

O Davi cresceu, né? Está com 6 anos… Hoje conversamos bastante, sobre muitos assuntos. Mas, claro, também brincamos, cantamos e jogamos videogame.

Nesse período de tratamento, me ajudou muito a segurar a onda.

 

Davi leva jeito com a bola? Você gostaria que ele se tornasse jogador de futebol?

O Davi tem que ser criança, como deveria acontecer com todas as crianças do mundo.

Quando ele crescer mais um pouco e decidir o que quer da vida, ele sabe que o apoiarei, assim como minha família me apoiou.

E, se ele quiser ser, como eu e o avô dele, atleta, que saiba das dificuldades.

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Aquela paradinha ⚽️

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O que você faz em Paris nas horas livres? Como está seu francês?

Ainda não domino totalmente o idioma, mas já estou conseguindo me virar.

É gostoso falar francês… Minhas horas livres são com amigos e família, é muito difícil sair com alguma privacidade, mesmo na Europa.

 

E russo? Aprendeu algumas palavras para falar durante a Copa?

het! [“não” em russo]

 

É você mesmo quem cuida do seu perfil no Instagram?

Eu! Só eu tenho a senha das minhas redes sociais. Mais seguro, né?

Quantas vezes por dia você tem de recarregar o celular?

Essa pergunta é boa! Se eu pudesse, carregava comigo um aerogerador portátil! Vivo procurando tomada.

 

Existe diferença entre “tóis” e “parças”? Explique para a gente, por favor.

“Tóis” é um cumprimento que rolava há alguns anos. “Parça” é tipo uma abreviação de parceiro. Mas não usamos mais esses termos, são do passado.

 

Como se faz para ser um parça? Eles são dos velhos tempos ou há espaço para novos amigos se integrarem a esse grupo mais próximo?

Tem alguns que são meus amigos de muitos anos e outros que se juntaram há menos tempo. Não há distinção.

Alguns parças vão para a Rússia para acompanhá-lo de perto?

Meus “parças” na Rússia serão os atletas do elenco da seleção brasileira. Eles estarão comigo na Rússia, comprometidos em darmos tudo de nós para alcançar o título.

 

Para encerrar: em que você costuma pensar antes do sono chegar quando se deita para dormir?

Quem me conhece sabe que eu não durmo, desmaio! Quando dá sono e começo a pensar em dormir, já era… apaguei…

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