Seis histórias que provam que o GP Brasil já foi uma grande farra

A gente relembra as histórias folclóricas de tempos que eram mais descontraídos do lado de fora — embora a seriedade também reinasse na pista.

Ayrton Senna

Ayrton Senna, da McLaren, comemorando a vitória no GP do Brasil de F1,. (Ricardo Correa//Reprodução)

Com o Mundial de 2017 já definido, a VIP decidiu relembrar alguns dos melhores “causos” que a prova em Interlagos já propiciou desde a primeira disputa, em 1972 (uma corrida-teste que não valeu pontos para o campeonato).

Uma das histórias mais conhecidas e emblemáticas, por sinal, completa 26 anos em 2017: a primeira vitória de Ayrton Senna no Brasil, em 1991.

Depois de diversas tentativas frustradas, o então bicampeão finalmente venceu em casa e de forma épica.

Sua McLaren começou a apresentar problemas na parte final da prova, e o piloto teve de completar as últimas voltas com apenas a sexta marcha, algo supostamente impossível — até então.

Senna contou depois que pensou: “Vai ter que dar nem que seja no grito”.

Ele também revelou uma inteligente estratégia: quando o câmbio começou a falhar (ficando sem a quarta marcha), Senna conseguiu fazer voltas impressionantemente rápidas, a ponto de o segundo colocado, Ricardo Patrese, acreditar que o brasileiro apenas administrava a vantagem.

“Quando tentei diminuir a diferença, ele rapidamente respondeu com uma volta rápida e imaginei que ele estava administrando. Quando ele começou a perder muito rendimento e tentei descontar tudo, já era tarde”, explicou o italiano.

 

Essa é apenas uma! Vamos a outras histórias dignas de cinema

1. Primeiro Beatle em SP

George Harrison e Emerson Fittipaldi

George Harrison e Emerson Fittipaldi (reprodução/internet)

Em 1979, muitos anos antes de Paul McCartney e Ringo Starr pisarem em palcos paulistanos, George Harrison esteve na cidade.

Só que não para fazer show. Ele veio como apaixonado por F1 e amigão de Emerson Fittipaldi. Tanto que eles passaram dias de folga na casa do piloto no Guarujá. “Era especial.

A gente ficava até altas horas com os amigos. Quando amanhecia, ele tirava o violão e cantava Here Comes The Sun”, disse Fittipaldi à VIP.

Quando Emerson se acidentou na Indy, por sinal, o beatle fez uma versão especial da música com uma mensagem para ele se recuperar
– e cantou “Here comes Emerson”, fazendo trocadilho e forçando a rima. Veja:

 


2. Troféu Bico do Prost

(Arquivo pessoal//Reprodução)

Em 1993, Ayrton Senna conquistou mais uma vitória no Brasil. A poderosa Williams era favorita, mas uma forte chuva fez com que Alain Prost perdesse o controle do carro no S do Senna.

E o que o bandeirinha responsável pela sinalização na curva fez? “Assim que Prost desceu do carro, fui para a pista recolher o bico da Williams de um lugar perigoso [Prost bateu em Christian Fittipaldi ao rodar]. Não tive dúvida: ergui a peça e mostrei para arquibancada, como um troféu. A turma delirou”, diz Marcelo Krauze, que ainda entregou a bandeira do Brasil a Senna na volta de comemoração.


3. Corridas no trânsito de São Paulo

Propaganda - Chevrolet Chevette GP

(reprodução/internet)

Na década de 70, era comum que as montadoras brasileiras emprestassem frotas de seus carros para os pilotos e equipes durante a semana do GP do Brasil. Em 1976, foi a vez da Chevrolet disponibilizar unidades do Chevette GP, versão esportiva do nosso saudoso Chevette.

É claro que, nas mãos dos melhores pilotos do mundo na época, os Chevettinhos tiveram uma semana bem atribulada: ficaram famosas as histórias de rachas e exibições de perícia em São Paulo, no caminho entre o Hotel Hilton (então no centro da cidade) e o autódromo de Interlagos.

Diz a lenda que um deles sequer foi devolvido – bateu num poste e acabou indo direto para o ferro-velho.


4. Campeão… por 38 segundos

Esta é mais recente, mas não menos extraordinária: o GP Brasil de F1 de 2008 é considerado por especialistas como a decisão mais dramática que já houve na categoria.

Afinal, Felipe Massa venceu a corrida com sua Ferrari e foi campeão do mundo por 38 segundos até que… Lewis Hamilton  ultrapassou Timo Glock na última curva e conquistou o título por apenas 1 ponto.


5. “Eu sou você amanhã”

Nélson Piquet

(Ricardo Chaves/Reprodução)

Esta não foi em São Paulo, mas vale a licença poética. Em 1974, a F1 desembarcou em Brasília para uma prova extracampeonato (tipo de “amistoso”, comum na época, que deixou de acontecer).

Um jovem conseguiu uma “boquinha” para fazer serviços gerais no boxe, incluindo limpar o capacete do argentino Carlos Reutemann, da Brabham.

Sete anos mais tarde, o tal moleque vencia seu primeiro título mundial de F1 justamente sobre Reutemann e pilotando uma Brabham. Autor da façanha? Nelson Piquet.


6. Vencedor no 2º lugar

Giancarlo Fisichella

Giancarlo Fisichella, da Jordan, durante o GP do Brasil de F1, no Autódromo de Interlagos. (Marco de Bari/Reprodução)

Abra o livro de estatísticas de F1 e veja: Giancarlo Fisichella foi o vencedor do GP Brasil de 2003. Procure a foto do pódio.

Ué, Fisichella em segundo? Sim, Kimi Raikkonen foi erroneamente declarado vencedor, mas a cronometragem foi revista e o finlandês entregou o troféu na etapa seguinte, em Ímola, ao verdadeiro ganhador.