Conheça o ambicioso próximo passo de Ricardo Almeida

O alfaiate mais poderoso do país conta em primeira mão por que seus ternos custarão a partir de R$ 25 mil e revela os planos de internacionalização da marca

Ricardo Almeida

 (Marcus Steinmeyer/VIP)

Ricardo Almeida, 62 anos, não gosta de ficar parado. Ele deu a maior parte desta entrevista andando por sua fábrica, um enorme galpão no bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, enquanto mostrava e apalpava tecidos com fio 330, feitos de materiais nobres como a lã de vicunha.

Essas tramas serão usadas em ternos que custarão a partir (atenção para o “a partir”) de 25 mil reais, em uma novíssima parceria com a Loro Piana, a mais tradicional fabricante de tecidos do mundo.

O anúncio oficial será realizado em um desfile neste mês de outubro — no entanto, ele revela aqui a novidade em primeira mão.

Os planos de Ricardo são ainda mais ambiciosos. Ele estuda propostas de abrir uma fábrica um Portugal, internacionalizar a marca e poder atender pessoalmente clientes especiais, como xeiques dos Emirados Árabes. Seria uma nova etapa na carreira do alfaiate mais respeitado do Brasil.

Por aqui, ele conta com 18 lojas próprias, sendo duas femininas e uma flagship. Detalhe: sem nenhum investidor. Suas peças são vendidas em cerca de 110 multimarcas em todo o país.

Conta hoje com 600 funcionários trabalhando em duas fábricas, a do Bom Retiro e a sapataria em Franca, no interior de São Paulo. E o número mais impressionante: ele já fez mais de 20 mil moldes.

Em outras palavras, já confeccionou ternos sob medida para 20 mil clientes, entre eles alguns dos homens mais poderosos do Brasil.

 

Entrevista Pingue-pongue

Você vai anunciar agora em outubro uma grande parceria internacional. Do que se trata?

A gente fechou um negócio com a Loro Piana [fabricante italiana de tecidos premium].

Vamos utilizar materiais superexclusivos, nobres, como os fios 200, a lã de vicunha, que precisa até de autorização para entrar no Brasil, já que trata-se de um animal em extinção e por isso há uma licença especial.

Como surgiu essa parceria?

Tenho clientes em Dubai, Catar, Londres, e a Loro Piana quer que eu atenda essa cartela de consumidores deles lá fora, só que falta tempo. Mas esse não é o passo que eu vou dar agora, preciso acertar isso com o Vittorio [Osella, expor manager da Loro Piana], que está vindo aí para o desfile que vai acontecer agora em outubro com os novos tecidos.

Olha aqui, isso é um fio 200. É cashmere, seda, linho e vicunha [lendo a composição do tecido], para ternos que vão custar acima de 25 mil reais.

Quem vai comprar?

Empresários, médicos, personalidades, qualquer um que tenha condição de comprar. É mais barato adquirir ternos destes tecidos aqui do que lá fora, onde custam entre 10 e 15 mil euros. Olha este tecido com fio 330. Nem a gente viu isso pronto.

Tem que parar todo o maquinário para fazer numa velocidade menor para o fio não arrebentar. Não é para qualquer um. É um tecido muito caro porque tem muito fio por centímetro quadrado.

Por que comprar um terno tão caro?

No mercado de luxo, as pessoas querem o melhor do melhor, né? E esse é o melhor do melhor. Quem quiser, vai ter.

Pela primeira vez você vai colocar uma marca ao lado da sua…

São tecidos muito caros, as pessoas sabem que Loro Piana é caro. Se eu apenas deixar Ricardo Almeida, as pessoas acharão que eu pirei. Se eu colocar a marca do tecido, elas irão entender que é algo fora da curva.

Haverá pronta-entrega ou somente sob medida?

Vai ter pronta-entrega na loja para as pessoas experimentarem, entenderem o tecido e a padronagem. Mas a maior parte será sob medida. Poucas peças e somente em algumas lojas.

Você já atende clientes fora do Brasil?

Não vou lá, eles vêm aqui. A própria Loro Piana fala “vai lá atender os caras”, mas não tenho tempo. Se eu for montar um negócio no exterior preciso ter uma fábrica, possivelmente em Portugal, ou a logística não iria funcionar. Estou vendo se farei isso.

Dois grupos de investidores [donos de shoppings e marcas de luxo na Europa] estão sondando a gente para montar um negócio. É um passo grande. Ou faço tudo ou não faço. Eu não tenho vaidade para dizer que montei uma loja em Dubai sem estar lá.

É verdade que o filho do xeique do Catar é seu cliente?

Ele já foi à loja da Bela Cintra [nos Jardins, em São Paulo]. Eles vêm até mim. Atendo muita gente de Angola, pessoas trilhardárias vêm para cá comprar conosco. Tenho clientes de lá que compram 15 ternos de uma vez.

Ricardo Almeida

 (Marcus Steinmeyer/VIP)

Somos uma marca muito forte em Londres e nos Estados Unidos. Eles dizem não encontrar o mesmo corte. O Paulo Bacchi, dono da Artefacto, veio fazer três ou quatro ternos comigo. Há presidentes de bancos que trabalham lá fora, mas são do Brasil, que me procuram.

Por quê?

Eles falam que lá fora é mais caro, demora mais e meu molde é slim, deixa mais jovem e alonga.

Hoje você está sozinho ou tem algum sócio investidor?

Estou sozinho, as lojas aqui são minhas. No Brasil o crescimento está normal, não preciso de investidor. Só se fosse mesmo para montar algo lá fora, com alguém que tenha experiência.

É verdade que o Evo Morales pediu para você fazer um terno para ele?

Sobre clientes do exterior e presidentes, eu não posso falar. Mas o Evo Morales, que eu me lembre, não. Há outros presidentes que a gente atende.

Fizemos todo um trabalho para candidatos que foram eleitos. Não dá para divulgar isso porque fica feio para o outro país. Por que o cara não faz lá, sabe?

Nos EUA ninguém queria vestir o presidente Donald Trump e sua mulher. Quem topou foi muito criticado. Você os vestiria?

Qualquer cliente que procura a minha loja é prontamente atendido. Acho que, por lei, minha marca não pode se negar a vender para alguém, mas eu, Ricardo Almeida, eventualmente posso querer não receber.

O Trump tem os problemas dele, mas acho radical dizer que não o atenderia. É difícil julgar de fora como é a pessoa. Se ele foi eleito lá é porque tem gente que gosta dele. Não dá para falar se o cara é bom ou ruim.

Tem alguém que você gostaria de vestir?

Gostaria de atender o Beckham e o Cristiano Ronaldo.

O que você acha da São Paulo Fashion Week?

Acho que a SPFW está passando por mudanças que eu não sei ainda quais são. É uma pena brecar esse calendário de moda.

Talvez o formato que está sendo feito ainda não seja o melhor.

Por que você saiu?

Eu não considerava correto o que o Paulo Borges estava fazendo. Achei que ele estava colocando muitas marcas que não eram do mesmo segmento, vamos dizer assim. Quando a SPFW começou, eram as 20 melhores marcas brasileiras.

Ao passar para 44, não eram só as melhores, né? Na época o mercado tinha Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch, Forum, Zoomp, Iódice.

Eram todas etiquetas com um estilista, conhecidas, de glamour. Então ele continuou batendo na tecla de ter um lançamento de coleção para entrar na loja depois de seis meses. Eu fui contra.

Você voltaria?

Não sei. Precisaria vir com uma proposta, onde seria, como seria, o que ele me daria em troca. Quando faço um desfile fora, tenho um patrocinador que me ajuda.

Quando participava da SPFW, se tivesse algum patrocinador meu que entrasse em choque com o dele, eu não poderia usar, ficava limitado.

No começo ele dava uma verba, pagava os modelos e ajudava com a parte de styling. Depois cortou isso do pessoal que o ajudou a fazer seu nome. Precisaria ser uma coisa que também desse retorno ao estilista.

Você já afirmou que foi o precursor do see now, buy now.

Aqui no Brasil, eu fui a pessoa que disse isso 100 vezes. E na época falei para todo mundo na SPFW. Mas o pessoal disse que não, que era de outro jeito no mundo inteiro. Eu respondi: “Por isso o mundo inteiro também está com esse problema”. Além disso sou totalmente contra liquidação.

Você não liquida?

Não. O mundo inteiro da moda liquida, por isso está com problemas. Chanel, Hermès e Louis Vuitton não liquidam e vão bem. Quando você lida com mercado de luxo, é diferente. Se você quer ser um produto nobre, tem que ter respeito.

Não posso vender uma roupa e na semana seguinte você ver a mesma peça pela metade do preço. Outra coisa, quando você liquida o cliente que vai entrar na sua loja não é o mesmo de posicionamento, o empresário.

Você terá outro público que não é o da sua marca. E quando ele estiver usando, o seu cliente vai falar: “Espera lá, o cara está usando a mesma coisa que eu?”. Acho totalmente errado.

Você chegou a trabalhar para outras marcas no início da sua carreira?

Não, eu fazia coleção para outras lojas. Era fabricante, não tinha minha loja. Colaborava com a Hugo Boss quando a marca chegou ao Brasil. Fazia Richards, Bruno Minelli, que era um cliente muito forte.

A minha marca eu vendia mais no interior e em algumas lojas femininas. Em São Paulo, havia poucas lojas masculinas. Eu fui o primeiro a trazer os importados para a Hugo Boss, eles me apresentaram todo mundo lá fora.

Conheci as melhores tecelagens por intermédio deles. Depois cansei e disse que não iria vender para mais ninguém.

Montei duas lojas [no Shopping Iguatemi e no Morumbi, em São Paulo], quase quebrei porque tinha 110 funcionários na minha fábrica e tive que mandar 70 embora. Precisava apenas de 25 e apostei no que eu acreditava, tecidos de qualidade e um corte diferente do que existia, e aí fui fazendo meu nome.

E quando chegaram os importados ao Brasil…

Em 2009, quando vieram os importados para o Brasil, pensei: “Preciso crescer, senão vou virar um alfaiate de quintal”. Então comecei a abrir lojas.

Ricardo Almeida

 (Marcus Steinmeyer/VIP)

Em 2010 montei minha fábrica aqui ao lado [que agora é a antiga] e aumentei o número de lojas. Em oito anos a gente montou 20.

E de lá para cá você só cresce. A crise não bateu à sua porta?

Consigo crescer na crise. Consigo ponto, um monte de coisas que não alcançaria num mercado eufórico.

Do tipo?

Se todo mundo estivesse vendendo e eu quisesse um certo ponto num shopping que vale 10, o dono pediria 15 e a conta não fecharia. Aí não compraria por 15 e apareceria um cara que não entende direito de negócios e levaria por esse valor, achando que iria lucrar.

Eu perco o espaço para esse cara. É como aluguel, hoje você aluga pela metade do preço, principalmente prédios comerciais. Então na crise eu vou lá e não pago nem 10, pago 6.

A crise não atingiu seu cliente?

Minha teoria é a seguinte: por que a gente continuou crescendo? Quando todo mundo está eufórico, você tem 100 pessoas consumindo tudo porque entra dinheiro e eles gastam com tudo e em qualquer lugar.

Aí vem a crise, você não tem mais 100 caras consumindo, somente 40, que vão escolher onde comprar. Se você estiver no topo, desses 40, pelo menos 20 vão comprar com você. Antes, de 100, talvez só 10 iriam. Então essa venda é canalizada mais para você.

Seu cliente se preocupa mais com a qualidade?

Sim, ele terá o melhor custo/benefício. E sempre alguém está ganhando. Não tem como todo mundo perder dinheiro. Há a crise, eu perdi dinheiro, mas ele foi para alguém. Então alguém tem dinheiro.

E essa pessoa que ganhou vai querer comprar onde tem mais nome, o melhor trabalho, e é aí que a gente acaba crescendo. Arrumei os melhores pontos por causa da crise. Você tem sempre que estar no filão diferente dos outros.

Não adianta fazer igual a todo mundo. Quem tem esse tecido da Loro Piana, por exemplo? Ninguém.

Você acha que ninguém tem dinheiro aqui no Brasil? Alguém tem dinheiro. E esse cara pode comprar um terno vicunha no Brasil e vai procurar quem tem. O Ricardo Almeida tem.

Só você tem?

[risos] Com o preço que custa, acho que ninguém tem coragem de comprar. Eu tenho a fábrica.

A maior parte das marcas compra tecido e manda fazer em outro lugar. Imagina se eu mando fazer esse tecido em outro lugar e o cara entrega errado? Tem que ter fábrica, o maquinário certo.

A roupa tem o poder de eleger uma pessoa?

Com certeza absoluta, não há dúvida. Quando o Lula foi eleito eu tinha sido contratado pelo Duda Mendonça para mudar o visual dele.

Com esse outro presidente eleito aos 46 minutos do segundo, foi a mesma coisa. Ele chegou lá com as roupas diferentes, todo mundo reparou e ele ganhou credibilidade.

Você acha que mulher não vota em cara feio?

Foi uma pesquisa que disse. O Duda falou: “Ricardo, ele [Lula] não ganha porque as mulheres não votam nele, então a gente tem que deixá-lo bonito”.

Daí ele aparou a barba, deu um trato em tudo, passou a ter mais credibilidade, lógico. Imagem é tudo.

Nessa história de vestir tantos políticos, como fica seu relacionamento com a política brasileira?

De política, eu pessoalmente não participo tanto. Quando eu atendi o Lula, minha família inteira era PSDB, mas quando o Duda me chamou eu fui lá e fiz meu trabalho.

Na política realmente a gente fica muito desgostoso com tantos problemas em todos os partidos. Não é algo exclusivo de nenhum.

Todo mundo quer casar de Ricardo Almeida. Quando você casou, queria vestir o quê?

Eu já tinha minha fábrica quando casei. Não lembro se casei de Ricardo Almeida no meu primeiro casamento, faz muito tempo.

No meu segundo, a gente não chegou a casar, moramos nove anos juntos, mas não houve uma cerimônia oficial. No meu terceiro teve e fui de Ricardo Almeida.

Quantas vezes você já se casou?

Casar, casar, duas vezes só. Mas é como se tivesse casado quatro vezes. A segunda com quem eu fiquei por nove anos é a mãe das crianças.

Você tem quantos filhos?

Cinco.

Com a mesma mulher?

Não. Fiquei 11 anos com a primeira mulher, a mãe da Renata [35 anos], do Fernando [33] e do Caio [31]. E uns oito ou nove anos com a Agata, mãe do Ricardinho [14] e do Artur [12].

Algum filho quer seguir sua profissão?

Nenhum quis. Ainda tem o Ricardinho e o Artur, vamos ver.

Quem é o Ricardo Almeida fora do trabalho?

Acordo 5h45 da manhã para chegar cedo ao trabalho. Tenho ficado mais em casa porque as crianças acordam às 7.

Quando elas estão em casa espero acordarem para eu vir para cá [a fábrica da marca].

Você mora sozinho?

Sim. Meus filhos ficam metade do dia comigo, metade com a mãe deles. Muitas vezes a mãe viaja e eles ficam direto comigo.

O Ricardo é muito ligado a esportes, wake, snow, futebol, tênis, pingue-pongue, sinuca, pebolim.

Você também gosta de esportes? Pratica?

Posso jogar qualquer coisa. Só baralho que eu não ando curtindo mais, mas jogo bem. Joguei muito pôquer, tranca, buraco.

Hoje não tenho muita paciência de ficar sentado. Estou gostando mais de pingue-pongue e pebolim, que é mais agitado.

Rcardo Almeida Motociclista desde a adolescência, Ricardo tem cinco bikes na garagem. A Ducati XDiavel inspirou uma coleção

Motociclista desde a adolescência, Ricardo tem cinco bikes na garagem. A Ducati XDiavel inspirou uma coleção (Fernando Cavalcanti/Divulgação)

Curto motocicleta, curto carro. Faço academia duas ou três vezes por semana na minha casa com personal.

Está casado?

Não, solteiro.

Você é sempre visto com mulheres bem mais jovens que você…

Apareceu. Apareceu [repete].

O que é importante em uma mulher?

Ser divertida.

E jovem também…?

Não necessariamente. A Hebe era divertida.

Você namorou a Hebe?

Não, só estou falando que tem mulher mais velha que é divertida. Sair com ela era legal. Não precisa ser nova para ter um astral legal.

É que calhou de vir sempre mais nova. Não que precisasse. A cada esposa nova, ela era dez anos mais jovem do que a outra.

Aliás, você tinha um macaco com uma de suas mulheres…

A Julieta, que é minha e dela.

E vocês dividem a guarda?

Sim, fica comigo e com ela. Agora ela dormiu comigo. Mas hoje vai para a casa da minha ex porque viajo amanhã.

Você tem outros bichos de estimação?

Quatro cachorros, gato, furão. Tive dois ratos, meus filhos têm um hamster, tinha um tucano mas soltei.

Caiu do ninho, a gente salvou, cuidou e quando dava para voar soltamos na reserva. Julieta deve estar com 5 anos já.

O que bebe?

Não bebo. Posso beber uma capiroska. Antes eu só tomava Schweppes e não bebia água, agora só bebo água com limão.

E comida?

Italiana. Não como nada, só pratos italianos. De comida difícil eu não gosto, nem com trufa, alho demais, pimentão. Tem que ser tudo para paladar de criança.

Menu infantil?

Quando era criança minha cozinheira fazia o que eu queria e na hora que eu queria, então já viu criança pedir verduras, legumes?

Não, era massa, carne, bife, hambúrguer, batata frita, purê, carne moída, arroz, canelone, rigatone. E doce, tudo quanto é doce, maria-mole, suspiro.

Você se cuida?

Nos conhecemos há 15 anos e você está igual. Não passo nem protetor solar. Zero vaidade. Nunca fiz plástica ou botox.

Ricardo Almeida

 (Marcus Steinmeyer/VIP)

Não passo nem creme nas mãos, elas ficam sempre ressacadas. Não dá tempo para mais nada.

Qual foi sua maior realização profissional?

Várias. Uma foi montar a Ricardo Almeida do nada. Depois minhas lojas, minha fábrica nova em 2010, o desfile na Daslu com seis passarelas simultâneas e os modelos encapuzados…

Como foi esse desfile com modelos encapuzados?

A Erika Palomino me criticou bastante em um desfile anterior em que o João Paulo Diniz, Alexandre Pires, Luciano Huck, Marcello Antony e Rodrigo Santoro estavam na passarela. Tinha muita gente famosa e ela meteu o pau.

Daí disse que no próximo desfile eu ia fazer de um jeito diferente. Fiz de sacanagem e coloquei todo mundo encapuzado.

E depois desse desfile você levou um tiro…

Foi um assalto. Pegou aqui, saiu aqui [mostra a cicatriz na barriga]. Atravessou e ficou lá dentro, tive que operar.

Não dói, na hora só queima. Tomei o tiro na sexta, na terça estava na fábrica.

Qual legado quer deixar?

Quero montar uma faculdade de moda para passar um monte de coisas que não são ensinadas no país.

Será um curso de moda com alfaiataria que não há em nenhuma faculdade aqui.