[Ensaio VIP] Bianca Bin: uma bad girl boa demais

Levamos Bianca Bin ao charmoso Hotel Santa Teresa, no Rio, e saímos de lá embasbacados, como você ficará agora

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Existe uma longa distância entre o sonho de uma garota do interior e uma mulher realizada, com carreira estabelecida, casa montada e tudo o mais. Aos 22 anos, a atriz Bianca Bin, dona de um rostinho e um corpo aparentemente frágeis, encurtou esse tempo da maneira mais madura possível.

Nascida em Jundiaí e criada em Itu, ambas cidades do interior de São Paulo, ela saiu de casa aos 16 anos para estudar teatro. Em pouco tempo, tinha seu primeiro papel, em Malhação, na Globo. E então emendou uma novela em outra, sempre fazendo mocinhas românticas, e acabou se casando. Aí veio uma crise de ansiedade difícil, que durou meses, mas que ela encarou com bravura.

Hoje, segura de si, interpreta sua primeira vilã, a Carolina da novela Guerra dos Sexos, diz que não é nenhuma “florzinha” e que este ensaio veio no momento certo. “Estou forte de novo. Sem crise.” É assim, com conversa fácil, voz decidida e opiniões fortes, que ela transforma seu rosto angelical numa mulher crescida, só para provar uma máxima com a qual concordamos há tempos: sensualidade tem tudo a ver com atitude e segurança.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Como foi gravar uma das melhores brigas entre mulheres já vistas em novelas, entre você e a Luana Piovani?
Ela que me batia, né? Então a pergunta seria como foi apanhar! A Luana é uma fofa, generosa, é sempre uma delícia contracenar com ela, uma ótima troca. Era vidro e vaso caindo para cá, tapa na cara para lá… Ela ficava o tempo todo preocupada se ia me machucar.

E como é fazer um ensaio sensual pela primeira vez?
Tudo é personagem, sou eu encarnando uma personagem. Sou reservada, tímida. Mas aí ponho uma máscara, que faz parte da profissão. Só que me senti em casa fazendo as fotos. Eu já conhecia o [fotógrafo e maquiador] Alê de Souza, a equipe era bacana e o lugar, lindo. Então, para mim foi tranquilo.

O convite veio na hora certa?
Estava amadurecendo a ideia havia um tempo, com vontade de fazer. Aí veio o convite de uma revista que admiro, acho linda. Talvez fosse mais difícil se fosse uns meses atrás. Mas agora me sinto mais segura em mostrar esse lado mais mulher.

O que você acha de fotos sensuais caseiras?
Acho que cada um faz o que bem entender na vida.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Você ainda tem um rótulo de mocinha. Isso é favorável, atrapalha ou é indiferente?
Existe, sim, é um fato, ainda mais fazendo televisão. Não é como no teatro. Eu sou branquinha de olho claro, não tem como fugir, pois é o meu perfil. Agora sou uma vilã às avessas, um lobo com pele de cordeiro. Não me atrapalha. Eu não sou uma florzinha.

Qual papel seria seu sonho interpretar?
Olha, tem um personagem que a Debora Falabella faz no filme 2 Perdidos numa Noite Suja que achei demais. Seria muito desafiador. A composição que ela fez foi genial, ela virou um moleque, era um menininho mesmo, chamava Paco. É um filme forte que seria interessante de fazer.

Que outras referências você tem como atriz?
Eu digo que tenho o privilégio de trabalhar com muita gente que admiro demais. Isso para mim é foda. É muita sorte. Uma pessoa que acho genial é o Gero Camilo, incrível. É dele a melhor peça que eu vi na vida, a Aldeotas. Também me inspiro na Adriana Esteves como Carminha. É claro que a novela tinha outro tom, Guerra dos Sexos é comédia. Procurei criar uma Carolina minha, nem vi a versão antiga [de 1983, com Lucélia Santos].

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Já que o assunto é Guerra dos Sexos, você tem alguma dica para homens sobre como saber lidar com mulheres?
Não vou me arriscar, eu admito que a gente é realmente difícil. Tudo para as mulheres vai para o lado sentimental. Definitivamente, temos outro tipo de raciocínio. Nossa cabeça vai longe. Gostamos de discutir relacionamentos, conversar, ser ouvida. Já o homem é mais pragmático, prático. Minha dica é admitir isso e não questionar muito, senão são dois trabalhos.

Você lida bem com homens?
Sim. Eu tive um relacionamento bem longo de seis anos antes de ficar com o Pedro. Comecei a namorar cedo, são muitos dias corridos com homens. Eu tenho maior facilidade de lidar com os meninos, era do tipo que brincava mais com eles. Tenho um lado bem masculino, esse lado prático, de ser direta, ser franca, conversar sobre putaria. Eu vejo meus amigos me tratando como um amigo e percebo que eles se sentem à vontade de falar essas coisas comigo por perto. E aí eu aproveito e dou minha visão feminina na conversa.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Aos 19 anos, você disse que faria sem problemas uma cena de nudez como atriz, mas não faria ensaio sem roupa. Ainda pensa assim?
Pois é, continuo com a mesma opinião. Nudez por nudez é besteira. Mas a nudez de um personagem, que faça sentido, pela arte, desde que com pessoas sérias e trabalho sério, eu faria sem problema nenhum.

Apesar de casada, você ainda é muito assediada?
Não, sou super-respeitada. Esse negócio que aliança atrai homem é mentira. E no Rio [onde mora desde 2009] tem muita mulher bonita, a concorrência é grande.

Tem muitas coxudas nessa concorrência? O que você acha desse novo padrão de beleza?
Eu acho lindo coxão! Eu queria ter coxão! Eu sou do tipo que sabe elogiar beleza de mulher, então acho lindo mulher com pernas torneadas. A gente que não tem sente uma invejinha. Mas não gosto dessas supermalhadas, perde um pouco do traço feminino, daí deixa de ser sensual e fica agressiva, quase masculina. Não vou citar nomes, mas eu acho muito feio quando passa do normal. Sabe quando a gente percebe que não é só alimentação e musculação bacana, tranquila? Dá para ver.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

O que você acha que mais pode diminuir a libido de alguém? Pesquisas que publicamos mostram que em primeiro lugar vem o cansaço.
A insegurança. Quando você não sabe o que o outro está pensando ou se está escondendo alguma coisa, você se sente menos atraente, fica ciumenta. Insegurança é um mal da humanidade. Quando ela bate, tem que tratar, saber por que está vindo, para não virar coisa pior. Se acontece comigo, eu tento entender se posso resolver sozinha e, se não, eu divido com meu parceiro. E libido é corpo. Se estamos cansados, o corpo não produz hormônios suficientes e a gente só quer descansar com ar condicionado.

A empatia com o parceiro é importante, mas outra pesquisa mostrou que 63% das mulheres, em pelo menos algum momento, pensam em outra coisa que não nele durante a transa. O que você acha disso?
Pode ser normal, cada um tem suas fantasias, mas é preciso tentar manter foco. Eu vivo ali, não penso em outras coisas. É compreensível, mas isso é novidade para mim [risos]. Acho que vale qualquer tipo de diálogo com o parceiro. Não pode ter vergonha ou pudor de se expor em um relacionamento maduro. Eu sou muito franca. Você mora sozinha há seis anos e, há dois, com seu marido.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Você se considera madura para a sua idade?
Tenho muitos amigos que me chamam de espírito velho, acho que é minha personalidade. Ter ficado longe de casa desde cedo me fez amadurecer muito.

Como é a vida de casada?
Muito boa! Eu encontrei no Pedro [Brandão, também ator] meu equilíbrio. O que vivemos em dois anos não está escrito, foi muito intenso. Ensinamos várias coisas um para o outro, vivemos perrengues…

O convite para interpretar Carolina veio do autor Silvio de Abreu, que te ligou pessoalmente. Como foi a conversa?
Foi no início do ano passado. Eu agradeci muito e disse que ele tinha aberto o meu ano com chave de ouro. Aliás, devo muito da minha carreira a ele, que me tirou da Malhação e me colocou na vitrine da novela das 9 com a Fátima de Passione. E, agora, minha primeira vilã.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

Como foi a preparação para o papel?
Depois de fazer Cordel Encantado, tirei nove meses para cuidar de mim, dava para ter um filho [risos]. Tive uma crise de ansiedade que virou pânico. Foi um período foda para mim. Daí eu descansei, reencontrei minha turma, fiz terapia.

E como está sendo interpretar uma vilã?
Ah, eu amo fazer heroínas românticas, mas fazer uma vilã é muito divertido! Eu acho que a Carolina é um tesão. Como atriz, aprendi muito. Ela é dissimulada e posso brincar com polos completamente opostos. Eu me divirto.

Você se acha ousada como ela?
Ela é muito ousada, né? Parece aquele cachorro pequeno, com olhos esbugalhados, que late ardido, de uma braveza só, mas não tem tamanho para isso. Acho que a nossa única semelhança é meter as caras e ser determinada. Sou assim, mas não sou má.

Certa vez você disse que também tinha um lado mau…
Ah, não mau, às vezes eu tenho preguiça de alguns assuntos e de algumas pessoas. Acho que seria um lado menos fofo. Sou exigente comigo mesma e acabo sendo com as outras pessoas também. Mas tenho, sim, uma personalidade difícil.

Difícil como?
Ah, não vou me entregar [risos]! Mas eu sou virgem com ascendente em escorpião, então você pode imaginar.

Bianca Bin

 (Alê de Souza e Adriano Damas/VIP)

 

Fotos: Alê de Souza e Adriano Damas
Estilo: Rodrigo Grunfeld e Arno Jr.
Coordenação de produção: Marcia Kimie
Produção de moda: Marco Frige
Assistente de fotografia: Paulo Vitor
Assistente de beleza: Willian Sancho
Assistente de produção: Renata Liporaci
Tratamento de imagem: Marisa Tomas (CTI Abril)
Agradecimentos ao Hotel Santa Teresa (santateresahotelrio.com)

Ensaio publicado originalmente na edição 336 da Revista VIP em março de 2013.