[Ensaio VIP] Christiana Ubach: jeito de menina, atitude de mulher

Há poucos anos, ela era só um rostinho bonito começando na TV. Hoje, a atriz é revelação do ano e uma loira de parar o trânsito.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Foi um salto e tanto, e a gente acompanhou de perto.

Em janeiro deste ano, Christiana Ubach abriu a seção Preliminares da VIP loiríssima e recém-premiada como Melhor Atriz no Festival de Cinema Luso-Brasileiro, em Portugal, pelo filme Boa Sorte, Meu Amor.

A carioca de 26 anos crescida na Serra de Itaipava, “numa vida solta, cercada de bichos”, como diz, começava a despontar para um público bem maior que o de 2009, quando estreou em Malhação.

Alguns olhos já estavam voltados para ela quando, no mesmo ano, havia interpretado Patricia Pillar na juventude, em A Favorita.

Nada mais justo que os holofotes fossem virando aos poucos para ela.

Não bastasse a beleza estonteante (o que são esses olhos, meu Deus, e essa boca?!), a psicóloga de formação punha há cinco anos o talento à prova, desde que abandonou a faculdade para se dedicar ao tablado.

“Começou por uma questão física”, diz ela sobre a escolha inicial pela nova carreira: achou interessantes os exercícios de atuação e estava com saudade de suar a camisa (foi bailarina na infância).

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Deu certo. Do teatro, onde viveu personagens como a pecadora Dorothea, de Nelson Rodrigues, Chris, como chamam os amigos, cavou espaço na TV e no cinema.

Sem esquecer de Lacan, seu mestre no mundo da psicologia, para o qual voltou neste ano a tempo de concluir o curso com uma tese sobre os sonhos e seus significados.

Agora, dá um passo maior ainda na carreira como Paulinha, uma das protagonistas de Além do Horizonte, novela da Globo no ar há um mês.

O que mudou nesse meio tempo de faculdade e set de filmagens? “Rolou um desbunde filosófico”, diz, tentando explicar o quanto mudou seu jeito de ver o mundo e o tanto que aprendeu a curtir melhor a vida, longe da casa dos pais, que não cansavam de mimar a caçula. No pacote dessa mudança/evolução, já estavam as fotos sexy de janeiro (“acho que está no pacote dessa minha vida nova”, disse à época).

Como todo grande personagem, desses que capricham no arco dramático, Chris (é muita simpatia para não se sentir íntimo de cara) fecha agora, neste ensaio delicioso para a VIP, um ano e tanto da carreira e ainda mais gostosa que há 11 meses.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Apreciando bem as fotos, vendo um pouco da novela, não tem muito segredo: dá para sacar que ainda vai longe, muito longe.

E, junto com ela, o robozinho que participa do ensaio. Depois de cair de amores pela loira, nunca mais soube-se dele na redação da VIP. Não foi o único que pensou em fazer o mesmo…

 

Você largou psicologia para se dedicar à carreira de atriz…

[interrompe] Consegui concluir o curso no ano passado, depois de oito anos!

E como foi esse salto de uma carreira para outra?

Começou, veja só, por uma questão física. Eu fiz balé quando era mais nova e estava parada, querendo fazer algum exercício.

Vi algo relacionado a treinamentos de atores numa escola de teatro e pensei “nossa, quero fazer!”, porque os exercícios de teatro mexem também com o emocional, sabe?

É uma loucura. Então, eu tinha as duas coisas numa só. E nisso fui gostando, fui ficando, percebi que podia trabalhar sério com teatro, ter uma carreira…

 (Alê de Souza/Revista VIP)

E que ramo da psicologia você optou no fim do curso, mais freudiana, lacaniana?

Eu sou total lacaniana! O meu trabalho de conclusão de curso é sobre como ele aborda a questão dos sonhos.

Você não acha que há um excesso de “psicologização” nas discussões sobre sexo?

Claro! Desde que Freud fez sua revolução com a teoria da sexualidade, todo mundo acha que sabe tudo do seu ego, a raiz dos seus problemas e termina complicando além da conta.

Isso é superdelicado. Estamos vivendo ainda o efeito de todas essas descobertas e acho que não sabemos para onde estamos indo direito, e as pessoas são muito travadas.

Eu acho que isso tudo [sexo, desejo] é menos complexo, que as pessoas deviam se jogar mais, encanar menos.

Já fizemos todas as revoluções sexuais, qual a dificuldade em aceitar que é mais fácil e simples do que se pensa?

Você é dessas que pensam pouco antes de fazer?

Eu sou ariana, né?

E o que isso quer dizer?

Áries é o signo da iniciativa, da atitude.

É o que você faz, por exemplo, com os caras? Toma a dianteira na hora de conquistar alguém?

Ah, tomo! Não tenho nenhum [acentua a pronúncia] problema com isso, mesmo. Acho súper de boa.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Você me disse que vem de uma família mais conservadora. Sempre que tem isso, há uma época em que a pessoa se liberta e cai no mundo para tirar o atraso. Aconteceu com você?

Claro! Eu sou a caçula e sempre fui a mais mimada. Mas, ao mesmo tempo, tive de descobrir o mundo sozinha, porque já não tinha irmãos com a mesma idade.

Fui criada na serra, cercada de bichos, uma vida mais calma e mais solta.

Quando mudei para o Rio, rolou essa fase, sim. E foi nessa época que eu deixei de ser mimada, né? Precisava me virar sozinha [risos].

E eu pensava: “Gente, não tenho condições de clinicar como psicóloga se eu não conhecer a vida, mais pessoas, coisas novas”. Então, juntaram as duas coisas…

Quer dizer, você desbundou no mundo para valer faz pouco tempo…

Olha, mais filosoficamente do que concretamente! [risos]

No que consiste um desbunde filosófico nesse caso?

Eu acho que muita coisa que eu deveria ter vivido na adolescência acabou rolando só agora, com uns 20 e poucos anos.

De fazer o que gosto, aprender a me impor, sair, curtir. E também porque eu tive namoros longos, fui emendando um no outro.

Depois, passei uma por uma faculdade de humanas em que repensei a vida inteira.

Então, esse desbunde rolou mais na cabeça mesmo, de encarar o mundo de uma maneira, digamos, menos complicada, mais de leve.

Depois de estrear em Malhação, você faz agora o papel de uma mocinha na novela…

[interrompe] Mas não é uma mocinha clássica, dessas que sofrem por amor e tal.

Esse papel ficou com a Juliana Paes [risos].

A Paulinha [personagem que Chris interpreta na novela da Globo Além do Horizonte] é uma mulher decidida, que vai atrás dos seus quereres, dos desejos dela. Tem muita coisa para mudar ainda, não sei como o público vai reagir…

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Tem algo disso de buscar o próprio desejo em você também?

Ah, tem! Eu acho que as pessoas são muito travadas em relação aos desejos até por uma questão cultural, de falta de cultura, digo.

Foi isso que falei: é tudo mais simples, desencanem, curtam mais!

Pelo jeito, o robozinho do ensaio ouviu seu conselho, ele parece feliz ali, bastante desencanado e curtindo muito…

[risos] Eu adorei ele! Gostei da brincadeira. E acho ele lindinho, meio retrô.

Um dos principais filmes do ano, La Vie d’Adele, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, conta a história de duas meninas muito jovens que se envolvem sexualmente. Ou melhor, elas praticamente viram uma pessoa só de tanto que se pegam no filme. Você encararia cenas fortes assim?

Eu acho que o que permite isso acontecer, essa liberdade em cena, tem muito a ver com o entorno, um clima bom que pode ser criado pela direção, pela equipe.

Isso ajuda a se soltar mais.

Mas não é tão simples, ainda existem tabus em relação a essas cenas.

Mas eu entendo. Não faz muito tempo, a nossa profissão era relacionada à prostituição, por exemplo, e isso criou alguns estigmas. Mas é assim: se tem um bom roteiro e um bom clima, encaro, claro!

Você atuou com o Fiuk, que tem fama de pegador, em Malhação. Rolou um clima?

[risos] Nada, a gente era superparceiro, gravava muitas cenas juntos.

Havia — eu acho normal até — uma barreira que eu diria cultural.

Fui criada de outro jeito, vim do teatro; ele veio de um aparato maior, já era filho de famoso, mas a gente se dava muito bem em cena, então era o que importava.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

A sua tatuagem foi muito comentada na redação da VIP e chegamos à conclusão de que é daquelas feitas para que a mãe não veja…

[risos] Foi mais ou menos isso… Se bem que a última versão dela eu fiz no ano passado.

E o que havia antes?

Um coração também, mas não como é agora. Na primeira versão, eu tinha acabado de completar 18 anos.

E por que na virilha?

Ah, eu nem preciso responder essa, vai! [risos]


*Ensaio originalmente publicado na edição 345 da revista VIP.

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