[Ensaio VIP] Giovanna Ewbank: “Os homens preferem as loiras”

Se você acha que temos sorte por poder fotografar uma mulher deslumbrante como Giovanna, imagine então o Bruno Gagliasso, que acorda com ela todo dia?

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Se fosse dado a todos os homens do planeta o direito de criar, em um sonho uníssono, a mulher perfeita, arrisco dizer que a criatura seria exatamente esta com quem converso.

Aos 27 anos, Giovanna Ewbank é a personificação desse ser mítico, que habita as profundezas dos pensamentos masculinos desde, sei lá, que o mundo é mundo. Falar de sua beleza é redundância, portanto não vou nem me ater a isso.

Ela é muito mais do que a forma. É doce — mas não tem nada de boba. Tem bom papo, a conversa flui.

É super-simpática e confessa seus próprios defeitos, rindo deles. Ela se cuida, mas faz isso porque gosta e nunca ultrapassa a margem do prazeroso: deixou de ser gostoso, ela simplesmente para de fazer.

Respeita seus limites, mas se coloca sempre à prova, acha que é capaz de mais.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Aprendeu a dançar para viver uma vedete na novela Joia Rara, atualmente no ar na TV Globo no horário das 18h, e começou a treinar pole dance para viver uma stripper no cinema, no filme Jogos Clandestinos, que será rodado nos próximos meses — apaixonada, promete que vai ser adepta do negócio a vida toda e dar shows privês para o marido.

E, com isso tudo, a danada ainda consegue ser modesta. Acho que provei meu argumento, não?

A primeira coisa que pensei quando vi a foto da capa foi: “Caramba, que barriga!”

Ai, jura? Obrigada, que bom! Faço esporte desde novinha. Fiz natação dos 3 aos 15 anos.

Parei porque eu competia e estava ficando com o corpo muito atlético, os ombros largos, e já trabalhava como modelo.

Mas sempre gostei bastante de esporte, me faz muito bem, especialmente ao ar livre.

E também gosto de correr, me sinto leve, disposta. Tem dia que corro 4 km, tem dia que corro 8.

Não me forço a fazer nada. Vou respeitando meu ritmo, meu estado naquele dia. Tem que ser prazeroso.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Você foi educada em colégio alemão. Isso teve alguma influência em sua personalidade?

Foi uma educação bastante rígida. E muito de minha personalidade vem disso. Até gostaria de tirar algumas coisas. Sou muito certinha.

No colégio, não podíamos chegar dois minutos atrasados senão perdíamos a aula — hoje sou chata demais com horário e compromisso.

Minha mãe até me dizia que ia me tirar de lá. Mas eu tinha aquele negócio de “eu aguento”, “vou superar isso”.

Tento mudar um pouco e faço testes comigo mesma: “Vou chegar 20 minutinhos depois” ou “Vou deixar essa roupa desarrumada”, só para ver se fica tudo bem.

E fica. Quero ser menos certinha na vida. Acabo sofrendo porque os outros não são assim.

Para sua personagem em Joia Rara, a dançarina de cabaré Cristina, você ficou superloira. Algumas mulheres dizem que isso chega a alterar a personalidade delas. Como foi para você?

Cara, estou adorando ser superloira. No início foi um susto, não me reconhecia no espelho, não conseguia vestir minhas roupas.

Mas agora estou amando e não quero mudar mais. Principalmente em trabalhos que faço, o cabelo dá um efeito muito legal.

Alguns fotógrafos com quem trabalho há anos ficaram enlouquecidos com o resultado das fotos depois que tingi o cabelo.

E muda um pouco o jeito como me sinto dependendo do dia. Quando estou produzida com esse cabelo, me sinto super-sexy, mais sensual.

Quando não estou, parece que fico com um ar abatido. Mas, produzida, todo mundo olha, fi­­­­­­­­­­­ca comentando.

No trânsito as pessoas buzinam, chamam, é uma loucura. Homens veem cabelo loiro e já chamam, sem nem olhar a cara da mulher.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Mas você já deve estar acostumada a levar muita cantada, não?

Não, sério, não rola. Desde nova os ho­­­­­­mens nunca chegaram em mim, ficam sempre de longe. Era muito tímida.

Comecei a fazer teatro por causa dessa timidez. Sou de uma família de muitas mulheres e sempre foi a maior falação, uma querendo aparecer mais que outra.

Eu ficava no meu canto, só olhando. Minha avó então recomendou que eu fosse fazer teatro.

Foi bom de verdade para mi­­­­­­­nha vida, comecei a me relacionar de maneira diferente com as pessoas.

Mas, por ser tímida de­­­­­­mais, não dava muita abertura para as pessoas.

Não me venha dizer que você era feia quando criança, magrela e dentuça…

Não, isso eu não era. Não era o patinho feio. Era só tímida mesmo.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

Nesta edição da VIP, conversamos com barmen para eles falarem sobre a melhor forma de um cara chegar em uma mulher. Qual é o jeito certo para você?

O cara não pode chegar com muita sede ao pote e achar que vai conseguir. Tem que chegar para bater um papo, ver qual é a da menina, se tem a ver com ela.

Conhecer a garota, a princípio como amigo, pa­­­­­­­­ra perceber se tem coisas comuns ou não, e aí ir notando, durante o papo, se de repente pode rolar.

Comigo nunca rolou de um cara chegar chegando. Quando conheci o Bruno [Gagliasso, seu marido], estava com duas amigas.

Ele veio conversando, como se nos conhecesse há anos, e saiu.

Perguntei se alguma das meninas era amiga dele e elas disseram que não. Achei isso tão legal, ele chegou supersimpático e tão amigo… Tinha uma segunda intenção, mas não demonstrou.

Você é ciumenta?

Já fui bem mais. Todo início de relacionamento a gente é mais, até ficar seguro na relação, sentir que ela está mais firme, forte.

Claro que temos ciúme um do outro, mas não rola mais briga como tinha no início.

Você interpreta uma dançarina um tanto ingênua na novela, né? Tem algo dela?

Ela é quase uma criança. Tem uma coisa que nada passa pelo intelecto, ela fala o que vem do coração, não tem filtro, diz sempre o que pensa.

Não tem malícia, é ingênua. Eu, infelizmente, sou muito cabeça. Penso muito antes de fazer alguma coisa. Até tento mudar isso em mim.

Gostaria de ser mais impulsiva, como é o Bruno, por exemplo. Ele se joga.

E por falar em interpretar, você vai viver uma stripper no cinema, no filme Jogos Clandestinos. Como se preparou para o papel?

Já tinha começado a preparação antes da novela, mas, por causa dela, tivemos que adiar.

Vou retomar minhas aulas de pole dance. É muito legal, me encontrei súper. Além de ser bem gostoso, acaba te dando mesmo sem querer um molejo, uma coisa mais sensual na vida.

E ainda trabalha para caramba o corpo. Na época em que fiz as aulas, fiquei megassarada, barriga e braços trincados.

Pa­­­­­rece que é leve, supertranquilo de fazer. Só que não: exige muita força.

Até comprei um poste e levei para casa, quero achar um lugar para colocar. De vez em quando vou lá, danço um pouco.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

O Bruno que deve adorar esses shows privês.

Acredita que nunca fiz um show para ele ainda? Sou virginiana, tenho aquele negócio de perfeição, e ainda acho que não está perfeito.

Tenho certeza de que, quando eu estiver praticando mesmo, fazendo o filme, vou estar mais segura para fazer.

Você fez algum tipo de laboratório, foi conversar com strippers?

Já fiz uma prostituta de luxo uma vez [na novela A Favorita] e conversei com muitas mulheres, fui a uma casa de shows aqui no Rio de Janeiro.

Quando acabar a novela, quero entrar em contato de novo com elas para fazer outro laboratório. Naquela época, fiquei mais próxima de uma que tinha um namorado.

Ele queria que ela parasse com os shows, falou que bancaria ela e o filho dela. Mas a garota não quis.

Queria continuar tendo a própria grana, sem depender de ninguém. Achei muito interessan­­­­­­­­­­­te.

Cada uma tem um motivo para estar nessa vida e também para sair dela.

Também entrevistamos nesta edição duas mulheres que se consideram ninfomaníacas por causa do filme do Lars von Trier. Você faria cenas tão quentes como as do filme?

Não vi o filme, então não posso falar especificamente sobre ele.

Mas, se vou fazer um trabalho que tem cena de sexo forte, dependendo do diretor e do filme, daquele negócio não ser gratuito, eu faria, sim. Se a cena fosse necessária, eu faria.

Algumas vezes, você discoteca em festas. Qual sua relação com a música?

Amo música. Ela marca muito minha vida, meus momentos, está sempre presente. Outro dia fui fazer um trabalho publicitário com a Fê Paes Leme e começou a tocar uma música da Sade.

Na hora, me lembrei da minha casa: quando acordávamos, sempre tinha música rolando. Minha mãe e meu pai ouviam muito, e gostavam de Sade.

De re­­­­­­pente, começo a chorar, chorar muito. Não con­­­­­­seguia parar, tiveram que tirar o som.

É essa a relação com música: sempre me emociono demais. Choro sozinha lembrando de momentos especiais.

 (Alê de Souza/Revista VIP)

O que toca em seu iPod?

Tem de tudo. Desde coisas como Marvin Gaye e Barry White até músicas mais moderninhas, indie, black. Também tem MPB, Caetano.

Só não ouço pagode. Até com funk eu me acostumei, acho divertido em festas.

Toquei uma música do Naldo no Guarujá [onde foi DJ em janeiro], a ga­­­­­­le­­­­­­­ra fica animada.

E qual a trilha sonora perfeita para uma noite a dois?

Em noites mais românticas, pode ser uma Norah Jones.

Já em uma noite mais quente, pode colocar um Rolling Stones que dá certo.


*Ensaio originalmente publicado na edição 347 da revistaVIP

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