[Ensaio VIP] Bruna Linzmeyer, beleza clássica

Imagine se levássemos uma mulher incrível como Bruna Linzmeyer a uma suíte presidencial majestosa como a do Hotel Tivoli? Nós fizemos isso.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Em minha imaginação, eu encontraria Bruna Linzmeyer descendo uma escadaria usando um vestido longo, daqueles com uma fenda enorme em uma perna. Ao fundo, uma música instrumental com os chiados do vinil 78 rotações.

Sua beleza elegante e clássica sempre me pareceram uma mistura dos traços delicados de Elizabeth Taylor com a aura extremamente sexy e voluptuosa de Scarlett Johannson.

Mas Bruna está sentada em uma cadeira, cabelos soltos, sendo maquiada. Agora, lembra uma menina de 20 anos. O que, afinal, ela é – e isso é extremamente intrigante.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Bruna, no fim das contas, não é apenas linda – embora seja Linda, uma autista, na novela das 9, Amor à Vida. Ela está provando cada vez mais ser uma atriz e tanto.

Quando comentei que iria entrevistá-la, minha mãe pediu: “Diz que ela está extraordinária nesse papel”. Esqueci de dizer, mas certamente Bruna sabe, já que está colecionando elogios na mídia e fãs por onde passa.

Além da novela, a atriz acaba de filmar com Rodrigo Santoro Rio, Eu te Amo, da franquia de filmes Cities of Love, que já teve Paris e Nova York homenageadas, e ingressa neste semestre na universidade de história, na PUC do Rio. Incansável e intensa, como mostra aqui.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Antes da Linda, você interpretou dois personagens bem sensuais, a Leila, de Insensato Coração, e a Anabela, de Gabriela. A sensualidade é natural para você?

Todo mundo tem a sua, especialmente a mulher. É a feminilidade, a delicadeza.

Nos personagens tem um lado natural e o lado profissional da coisa também. Tudo o que como ator criamos tem um pontinho em você, tem que existir em algum lugar. Acho que tudo é uma construção.

O trabalho de atriz é isso. Você tem que inventar essa pessoa. Se essa criação é de dentro, ela é natural.

Você gosta de usar esses subterfúgios?

Claro.

Quando?

Para conseguir que o cara da portaria vá pegar um negócio lá na esquina para mim, por exemplo [risos].

Acho que doçura nunca é demais, diz na padaria um cartaz colado. E a gentileza é sensual. Não no sentido sexual, mas é sensual. Ser gentil, educado, isso tem que estar presente em todos nós o tempo todo.

O bonito é quando se encontra alguém e percebe que essa pessoa quer te conquistar. Por exemplo, agora eu estou querendo te conquistar e você está querendo fazer o mesmo comigo.

A vida é um grande jogo de sedução. É a partir desse jogo que você estabelece suas relações.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Você entrou na lista das 100+ da VIP. O que é ser sexy para você – estou falando no sentido de sexualidade?

É tudo interno. É a atitude que você tem. A personagem que escolhe ser naquele dia. É de dentro, não é a roupa que você usa.

Você pode estar de pijama e estar sexy. E pode estar com a roupa mais sexy, mas, se não estiver com aquela alma e aquele glamour, não vai estar sexy.

Acha que as pessoas te veem assim?

Não sei. Depende dos olhos de quem vê. Existe quem me veja como sexy, mas existe quem me veja como a menina doce.

Você estreou na Globo na série Afinal, o que Querem as Mulheres? Então: o que querem as mulheres?

Acho que no fundo tudo o que todo mundo quer é amor. E o amor envolve muitas coisas: é a gentileza do dia a dia, é ter alguém especial, é ser desejado e desejar alguém.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

A colunista Carol Teixeira fala neste mês sobre fantasias sexuais inconfessáveis. Você tem alguma fantasia para confessar para a gente?

Mas é inconfessável! Não vou confessar! Fantasias existem, mas para as pessoas há aquelas que se realizam e as que não se realizam.

Eu já acho que, se deseja alguma coisa -– desde que ela esteja dentro dos parâmetros mínimos do que é correto para a sociedade –, você tem mais é que fazer.

Tem uma fantasia? Vai lá, cara. A vida é sua, o parceiro é seu – ou não [risos].

Nesta edição, também falamos de formas de abordar uma mulher. Para você, quais são as regras essenciais da abordagem?

A primeira é ser sincero. E tem que parecer sincero. Existe um jogo de sedução, mas, se você saca que o cara não está sendo verdadeiro, não rola.

Segundo ponto: a pessoa tem que ser legal, agradável, inteligente, engraçada, ter bom humor. Tem que ser leve porque não dá para encarar a vida o tempo todo com densidade e pesar.

Por fim, tem que ser uma pessoa singular.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Você mora com o ator Michel Melamed. O que você viu nele?

Ele é um artista. Eu o admiro profissionalmente muito. E, quanto mais o conheço, mais o admiro pessoalmente.

É uma pessoa real, sincera, preocupada com os outros, com a sociedade, com o que está acontecendo, envolvido com isso. Tudo para ele se torna uma coisa só. É uma inspiração.

Admiração é essencial para o amor e para o tesão durarem?

É, claro. É absolutamente essencial.

Você é ciumenta?

Um pouco. Acho que tem de haver um controle, porque ciúme ruim não é legal para nenhuma das partes. Nem para quem tem nem para quem recebe.

O ciúme bom é legal. É se preocupar, ter cuidado, saber se chegou bem, se está bem. É um ciúme de carinho, de proteção. Você percebe que a pessoa está ligada em você.

Dizem as pessoas que quanto mais o tempo passa menos ciumento você fica. E assim espero que aconteça comigo. Mas eu não tenho ciúme ruim. Só ciúme bom.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Parece que você sempre busca profundidade em suas relações…

Sim. Todo mundo tem uma história, uma profundidade.

O dia bonito é aquele em que você consegue estabelecer relações com as pessoas. Até quando você entra em um táxi, e o taxista vai te contando a história dele. Ele pode ser do Nordeste, ou do Sul, ou ainda um arquiteto que cansou da profissão.

Isso que é bacana, e é uma coisa que, por causa da correria do dia a dia, nós não fazemos.

O trabalho pode ficar na história, ficar quando você morrer, mas sua vida são as relações que você constrói, o amor que você sente, e isso é todo dia.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

As pessoas se impressionam quando você fala sua ida—de?

Por quê? Eu que pergunto! Tenho cara de 30?

É que você parece muito madura.

Minha família sempre me disse que sempre fui precoce. Mas por que a infância não pode durar até os 5 anos de idade? [risos] Mas é tudo muito particular.

A vida me deu oportunidades muito cedo, de morar sozinha cedo, de pagar minhas contas muito cedo. E isso dá uma maturidade.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Mas tudo você que procurou, né? Quando saiu de Corupá, em Santa Catarina, aos 16, tinha aquela coisa de “aqui é pequeno demais para mim”?

Não, adoro minha cidade. Se um dia eu puder criar um filho, adoraria que fosse lá.

Tem o sujeito que faz o pão lá do lado, a menina que planta o morango e você vai na casa dela pegar, aquela coisa de andar no mato.

As pessoas da cidade grande não sabem como é andar no mato. O que elas fazem se encontrar uma cobra? Não sabem o que fazer!

E você sabe?

Corre, porque é venenosa! [risos] Mas poucas pessoas têm essa experiência de se embrenhar na mata. Eu tive naturalmente, andava no mato sempre.

Mas é que sempre existiu uma necessidade, um desejo meu, de procurar novas coisas. Não porque o que eu tinha era insuficiente, mas porque sempre tive sede de saber, conhecer, descobrir.

E foi rolando de sair de casa, vir para São Paulo, descobrir o teatro… Eu desejei – isso é muito importante, porque a vida sabe quando você deseja.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Como é viver uma autista na novela? Você entra em cena sem maquiagem nenhuma. Como fica a vaidade?

Para mim, como artista, é tudo o que espero. É muito mais emocionante você aparecer assim.

A maquiagem não está ali fisicamente, mas há, na verdade, uma grande maquiagem, de dentro para fora.

Em relação à maquiagem real, é maravilhoso ficar sem, porque não fico com olheiras, não preciso ficar limpando toda noite. Só passo um creme antes de entrar em cena e pronto.

Não teria como esse personagem aparecer maquiado, principalmente porque isso é uma característica do autismo, eles não têm vaidade, não ligam para isso.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

E tem aprendido algo com a Linda?

É uma realidade muito dura, às vezes triste, mas muito sincera e verdadeira. Não há nenhuma camada de superficialidade em nenhuma resposta de um autista. É tudo muito direto. E por isso é muito incrível e profundo.

Fora que, interpretando a Linda, a gente lida com aquilo que é até clichê: o que, afinal, é ser normal?

Os autistas, por exemplo, não olham nos olhos nas pessoas, eles desviam o olhar. E se fazer isso é que for normal? Porque olhar no olho é uma coisa extremamente invasiva…

É ótimo poder provocar esse debate, esse forma nova de enxergar os autistas.

Bruna Linzmeyer

 (Maurício Nahas/Revista VIP)

Estilo: Juliano Pessoa e Zuel Ferreira
Fotos: Maurício Nahas
Texto: Claúdia de Castro Lima

*Ensaio originalmente publicado na edição 342 da revista VIP.

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