[Ensaio VIP] Sheilla Castro, menina de ouros

Sheilla Castro mostra que é campeã dentro e fora da quadras

sheilla castro

 (Debby Gram/Revista VIP)

Sheilla acabou de se mudar para o amplo apartamento onde dá esta entrevista, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, após trocar o time da Unilever, do Rio, pelo Sollys/Nestlé, de Osasco.

Não havia medalhas penduradas na parede, a mesa estava desmontada, as cadeiras embrulhadas e empilhadas, e nenhum sinal de restos de carvão na churrasqueira da varanda. Mas a prateleira com seus vários bichos de pelúcia já estava bem arrumada. São todos presentes de fãs.

“Eles dão muita coisa, umas que eu nem acredito. Os fãs asiáticos principalmente”, diz.

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 (Debby Gram/Revista VIP)

A bem da verdade, as medalhas ela nem vai pendurar. São dezenas, colecionadas desde a adolescência, mantidas na casa da avó, em Belo Horizonte.

A jogadora guarda num cofre as duas mais valiosas: as de ouro  das Olimpíadas de Pequim, em 2008, e de Londres, em 2012.

A entrevista começa e Sheilla se mostra uma menina bem diferente do mulherão de 29 anos, 1,86 m de altura e curvas perfeitas que você vê nestas fotos. Ela é uma mineirinha tímida, meiga, que fica facilmente vermelha.

Ao longo do papo, porém, como numa partida de vôlei, vai se soltando e crescendo. Fala do uniforme sexy do vôlei feminino – e de como não se incomoda com ele –, do clima de pegação na Vila Olímpica e de como sempre foi namoradeira.

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Como você recebeu o convite para fazer estas fotos?

A primeira coisa que fiz foi falar com meu namorado e com a família. Meu irmão até brincou comigo: “Nossa, já estou preparando meu ouvido”.

Todo mundo aprovou. É legal para o ego me ver de outra maneira. Eu só fico jogando, estou sempre de uniforme, cabelo preso. Estar produzida é outra coisa.

 

O Brasil, até alguns anos atrás, não era tão expressivo no vôlei. O que aconteceu para virar uma superpotência?

O investimento em categoria de base foi legal. A CBV [Confederação Brasileira de Vôlei] está fazendo um bom trabalho com o CT de Saquarema, no Rio.

Lá as meninas do infanto-juvenil e do juvenil convivem com as adultas, então tem uma troca legal.

 

E falta o quê?

Incentivo nas escolas para os esportes em geral. Espero estar errada, mas para 2016 acho difícil aumentarmos o número de medalhas expressivamente, especialmente as de ouro.

Não é em quatro anos que vão surgir vários nomes. Tem colégio que nem tem educação física obrigatória.

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Você quer estar na Seleção na Olimpíada do Rio?

Claro que sim. Mas a gente nunca sabe como vai estar nosso físico. Estou com 29 anos e jogo na Seleção desde os 18, 19. Fui a duas Olimpíadas. E não paro: é Seleção, clube, Seleção, clube…

Quero tirar folga da Seleção no ano que vem para descansar, o corpo precisa. Depois, claro que quero estar na Olimpíada. Se eu estiver bem fisicamente, vou lutar pelo meu espaço.

 

Tem uma hora que cansa?

Lógico que tem. Todo mundo tem fases boas e ruins dentro de qualquer área. Imagina no esporte!

A gente não está no auge o tempo todo. E abrimos mão de muita coisa. Mas vale a pena. Quando ganhamos medalha olímpica, então, aí que tudo vale mesmo a pena.

 

Como é sua rotina no vôlei?

Normalmente ficamos seis meses no clube e seis meses na Seleção. Na Seleção, quando não estamos em competição, treinamos concentradas em Saquarema. No clube, a vida é normal. Pode sair, jantar fora, ir ao shopping, cinema.

Mas na Seleção não. É só treino, treino, treino. Chegamos domingo à noite e ficamos até sexta à noite lá. Vai todo mundo almoçar junto, volta todo mundo junto.

É gostoso, claro, mas tem uma hora que cansa. E é um bando de mulher junta…

sheilla castro

 (Debby Gram/Revista VIP)

Deve ter até TPM coletiva, não?

Esse problema felizmente diminuiu, porque a gente toma pílula para não menstruar. Antes a gente tinha que preencher um calendário menstrual, era controlado.

Quando se está menstruada, dá dor nas costas, na cabeça, cólica. Imagina jogar assim? Antes da pílula, tínhamos que regular a menstruação para não cair em fase final de torneio.

 

Você participou das duas conquistas do ouro. Como compara Pequim e Londres?

Em Pequim, a gente chegou como favorita absoluta. Ninguém duvidou que a gente fosse ganhar. Em Londres, não. A gente começou mal, o que fez todo mundo desacreditar.

Foi muito mais difícil porque a gente passou a depender de outros resultados, como o dos Estados Unidos. E depender dos outros sempre dá aquela tensão.

Lembro que no jogo delas a gente estava no vestiário, porque jogava depois, e a Turquia saiu na frente. Eu pensei: “Vou matar essas meninas dos Estados Unidos!” [Risos.]

 

O jogo contra a Rússia foi emocionante. E você foi o nome dele, principalmente porque salvou cinco match points no tie-break. O que passa na cabeça nessa hora?

Em 2006 e 2007, a gente fez a final do mundial contra a Rússia. E perdemos os dois jogos no tie-break. Quando fizeram 14 a 13, eu pensei: “Não vou passar por isso tudo de novo. Não vamos perder de jeito nenhum”.

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Depois desse jogo, seu nome explodiu nas redes sociais, foi o mais comentado do país: 244 mil vezes, mais do que Neymar (171 mil) e Cesar Cielo (43 mil) juntos.

Sim, meu nome disparou. Eu recebo mesmo muita mensagem no Twitter. Até de proposta de casamento. Leio tudo, mas não dá para responder.

Agora com o Instagram ficou mais fácil. Como não gosto de escrever, tiro uma foto e posto. E todo mundo adora.

 

Quem é a melhor jogadora do mundo? Pode incluir você.

Não vou me incluir. Acho que a russa Sokolova é uma jogadora fantástica. A Logan, dos Estados Unidos, é muito completa – ela foi para a Unilever este ano.

É difícil falar, mas acho que as melhores do mundo neste ano foram as do Brasil.

 

E a mais bonita? Pode se incluir.

Eu nunca vou falar de mim [diz, tímida]. Acho que tem uma russa muito bonita que é a Goncharova. E a holandesa Flier.

No Brasil tem várias, difícil falar uma só. Não vou citar nomes porque posso esquecer de alguém, e mulher fica chateada. [Risos.]

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Além de as jogadoras serem bonitas, tem a questão do uniforme que ajuda a aumentar a aura de sensualidade que envolve o vôlei, não?

O uniforme é justo, as jogadoras são vaidosas, jogam maquiadas – eu jogo sempre de rímel. Tem esse lado da vaidade. Se eu fosse para a partida toda descabelada e o uniforme fosse largo, ninguém ia reparar.

Não cheguei a usar o macaquinho que lançaram em 1998, mas em 2002 a Federação fez a regra do short dois dedos abaixo da virilha.

Lembro que eu jogava o tempo todo baixando o short. E olha que comecei a jogar com o uniforme de sunga. Mas o problema do short curto é que ele fica subindo.

 

Você jogaria com o uniforme do vôlei de praia?

Não me importaria em jogar assim na praia. Na quadra é diferente. Tenho muita cicatriz de queda. Quanto menos roupa, mais machucada fica.

 

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Você fica tímida diante dos comentários elogiosos, de gente que diz que você é linda, gostosa?

Lendo não, mas, se alguém me fala ao vivo, eu fico. Não tem jeito. Fico vermelha na hora.

 

Como você foi conquistada pelo Breno, seu namorado? 

Namoro há um ano e dois meses. Conheci ele por meio de um amigo. Depois de uns seis meses é que foi começar acontecer alguma coisa.

Sou tímida  no geral, não precisa ser alguém do sexo oposto. Às vezes, as pessoas acham que eu sou marrenta, mas é timidez.

sheilla castro

 (Debby Gram/Revista VIP)

Sua função em quadra é atacar. Na vida ataca também?

Dentro de quadra eu não sou tímida. Na vida não ataco. No máximo, um olhar.

 

Mas diante de seu 1,86 m, o homem não fica tímido também?

Às vezes saímos todas do time à noite, e somos muito altas. Então intimida a maioria dos homens. Mas estou acostumada.

As meninas dizem que toda menininha quer pegar homem alto, mas da mulher alta os homens querem se esconder.

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Em uma entrevista, você falou que gostava das suas pernas…

Mentira, eu gosto da minha barriga. Minhas pernas são fininhas… Eu tento engrossar, malho, malho. Gosto do meu sorriso também.

 

Você se priva de muitos prazeres da vida por ser atleta?

Sim. De vez em quando a gente toma um vinho, sai para um chope, mas não pode ir para a balada e chegar de madrugada.

Fomos comemorar a Olimpíada na balada, claro, mas, fazer isso com a frequência que as pessoas da nossa idade fazem, não é possível.

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Do que você mais sente falta?

De viajar, conhecer o mundo. A gente viaja muito, mas não conhece nada.

 

Como é a vida na Vila Olímpica? Tem muita farra mesmo?

Talvez 15% dos atletas estejam ali para disputar medalha. Os outros podem ser os melhores de seu país, mas não têm condição de disputar medalha. Então lógico que tem muita festa. As equipes que vão sendo desclassificadas fazem festas nos apartamentos.

E tem muita gente bonita, todo mundo com corpo bonito. Todo mundo olha, não tem jeito: a gente olha, eles olham. Só que no vôlei a gente sempre foi muito focada. Então depende do motivo que se vai para lá.

Qualquer pessoa que quiser fazer putaria vai fazer. Teoricamente, a concentração é uma coisa que dá mais vontade ainda de fazer coisa errada. Quando dá um espacinho, explode. A gente vê, escuta papos…

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 (Debby Gram/Revista VIP)

Nem em Pequim você teve alguma história boa de concentração?

Eu estava namorando, sempre namorei. Fico solteira e namoro rápido. As meninas brincam que eu tenho amor ao próximo: próximo! [Fazendo gesto de chamar com a mão.]

 

O que você preza num físico masculino?

Não gosto de homem muito forte. Sou mais para o magro definido. Entre um forte demais ou um magrelo sem músculo, prefiro o magrelo.

sheilla castro

 (Debby Gram/Revista VIP)

Por isso que nenhum homem na VIP malha…

[Risos.]

sheilla castro

 (Debby Gram/Revista VIP)

*Ensaio originalmente publicado na edição 331 da revista VIP.

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