A Copa do Mundo da Fifa genérica

Você já ouviu várias vezes que a Fifa é a maior organização internacional, superando até a ONU em número de membros (208 a 192). Mas o que faz quem é barrado da entidade que manda no futebol mundial? 

Simples: os sem-Fifa se unem numa “Fifa genérica” e promovem uma Copa do Mundo alternativa. É o que aconteceu de 7 a 13 de julho, na 2ª Copa Viva, organizada pela NF-Board (sigla para New Federation Board, ou Conselho de Novas Federações). 

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A NF nasceu em 2003 para abrigar seleções de etnias, regiões, grupos lingüísticos, ilhas isoladas, territórios ocupados e estados não reconhecidos. 

Hoje, a NF já tem 26 membros. Mas só cinco foram à Copa Viva, cujos jogos foram em Gällivare, na Suécia– ou melhor, na Lapônia, região da Escandinávia que cobre quatro países e tem fama de “terra do Papai Noel”. 

Christian Michelis, presidente da NF, até brinca com isso: “Se Papai Noel nos conseguisse um patrocinador, seria um grande presente!” A piadinha tem um lado sério: a Copa Viva foi mirrada porque falta dinheiro. Para ir ao torneio, cada seleção paga sua conta – cerca de R$ 76 mil. 

Por isso, vários times pularam fora, inclusive o africano Zanzibar, que fechou 2007 no topo do ranking da NF. Entre os outros desistentes, estão Chechênia, Saara Ocidental e Groenlândia. Até o rico principado de Mônaco afinou. Ainda pesa o vexame na 1ª Copa Viva, em 2006, quando perdeu a final para a Lapônia por 21 x 1. “Desta vez, Mônaco avaliou que seu nível competitivo não compensa o custo”, conta Jean-Luc Kit, secretário-geral da NF. 

O Brasil – e a América do Sul quase toda, exceto a Ilha da Páscoa – não tem contato com a Fifa genérica. Mas poderia. Por exemplo, uma tribo indígena brasileira que organizasse uma seleção teria condições de se associar à NF e jogar a próxima Copa Viva. 

“Sabemos dos Jogos dos Povos Indígenas e adoraríamos ter os Caiapós, os Pataxós ou qualquer outra tribo. Mas ninguém do Brasil nos procurou, talvez porque não sejamos conhecidos por aí”, diz David Aranda, diretor da NF.