Dueto humor

 

Duelo de humor
Dupla do Zorra Total dá aula de pegadinhas de duplo sentido

POR EDUARDO STRYJER

Marcius Melhen e Leandro Hassum são conhecidos como os “seguranças”, quadro da dupla no Zorra Total há cinco anos. Mas esses minutos semanais são muito pouco para ter a noção do humor da dupla. No teatro eles fazem o show Nós na Fita, com esquetes que invadiram o YouTube. O destaque é o “campeonato de trocadilhos”, um telefonema entre dois sujeitos viciados em pegadinhas de duplo sentido. Dica: leia a conversa em voz alta para pegar as piadas.

Marcius – Como você está?
Leandro – Não como você, mas gostaria.
Preciso da sua ajuda profissional.
Estou abrindo uma
fábrica de ralo.

Ralo?
É, ralo. E eu não tenho onde expôr. Eu soube que você
tem um quintal grande aí nos fundos.

É, tenho.
Eu posso expor ralo aí atrás?
Não vai dar não. Eu estou com um estoque de antena.
Agora eu vendo antena, né?
Ah, é?
Eu até ia te convidar para entrar no negócio. É simples,
você vende quatro e eu te dou uma montada.
Me admira você falar uma coisa dessas. Logo você que é tão culto. Sempre com livro pra lá, livro pra cá. Tá com livrinho agora?
Não, você que é inteligente. Atrás de você, eu me sinto um jegue.
Vamos mudar de assunto. Eu soube que você comprou um carro com porta-mala imenso. Mas o espaço interno é pequeno.
É, é pequeno.
Sei. Me falaram que você carrega pouco na frente
e leva o grosso atrás.
Eu vou fazer um churrasco em casa e me falaram que você entende disso.
É verdade.
Sabe se um quilo de lingüiça dá pra vinte comer?
Pô, você falou em comida e me lembrou um
incidente que aconteceu comigo.

O que foi?
Fui fritar um ovo, escorreguei e o ovo caiu. Quando o ovo quebrou, tinha um pintinho no ovo. Um pintinho! Agora, imagina se eu cozinho com um pinto dentro.
Que coincidência. Também estou na cozinha, fazendo café. Você gosta?
Gosto.
Você gosta de café feito na cafeteira ou no coador é mais forte?
Você quase acertou, porque eu gosto de café, mas adoro mesmo é sorvete. Essa noite eu sonhei que a gente estava vendendo sorvete. Mas cada um com sua carrocinha, nós éramos concorrentes. Eu ia atrás de você gritando “Kibon” e você berrava “Yopa”!
Outra coincidência. Sonhei com você também. Você vinha correndo na minha direção, chorando. Aí se ajoelhava na minha frente com um terço na mão e dois terços na boca, uma coisa bonita mesmo.
Vamos mudar de assunto. Voc êainda joga futebol?
Jogo.
Isso me preocupa. Futebol éum esporte violento.
É…
Você deve estar levando muita bolada no queixo,
cabeçada no céu da boca…

Não, eu parei. Você que jogou um bolão, chegou a jogar
com os profissionais, não foi?
Foi…
Você jogou com o Zinho, não jogou? Jogou que eu sei. Você jogou com Zinho até no Japão!
Puxa, me admira um cara religioso como voc ê falar
uma coisa dessas. Você é religioso, não é?
É, sou católico. Fui até o Vaticano conhecer o papa.
Ah… Voc êcontinua fazendo visita papal?
Bom, eu estou meio brigado com a igreja, porque agora eles estão querendo eleger dois papas.
Dois?
É. Você é a favor que entre mais um membro?
Bom, vamos trocar de assunto. Escuta, voc êia ao cinema com a sua mulher mas não vai mais, né?
Não vou?
É, hoje eu encontrei a sua mulher e ela me
ofereceu as duas entradas.
Pois é…
Vou desligar. Lembrança aí pra quem for da família, tá?
Desculpe aí se eu te machuquei por dentro. É que eu sou muito cabeça dura.

Inseparáveis fora do palco
DUPLA SE FORMOU NO TEATRO E IDOLATRA CHICO ANYSIO

Investimento inicial no show: R$ 600. Os banquinhos era emprestados. “Sou supersticioso, depois compramos bancos novos, demos para o dono e temos os antigos dele até hoje.” (Marcius)

Mostraram o quadro dos seguranças ao Zorra Total em 2003 e foi aprovado. Seis meses depois, começaram o Nós na Fita. “Era para ser só uma apresentação e já estamos perto de 700.” (Leandro)
Eles acham o Zorra Total engraçado, como uma feira livre de humor. “Muitas pessoas que vão ao teatro têm algum preconceito com o Zorra e depois passam a assistir a gente na TV.” (Marcius)