José Padilha: “O que é Hollywood hoje? Hollywood é um bairro”

Preparando-se para lançar a segunda temporada de "O Mecanismo", o brasileiro mais poderoso da Netflix é capa da nossa edição de julho da VIP

José Padilha na capa de julho da VIP

 (Fred Othero/Revista VIP)

Era 2013, cinco anos atrás, e José Padilha dirigia seu primeiro filme em Hollywood. O set de RoboCop, remake do clássico dos anos 80, fora instalado no Canadá, e lá ele orquestrava as filmagens.

Tinha 45 anos, estava sozinho porque longe da família, e, também, cercado, observado de perto por críticos, imprensa, diretores, executivos e afins em sua estreia hollywoodiana.

Justamente naquele momento, Padilha se viu na emergência de um hospital.

O médico que lhe deu o diagnóstico de diverticulite mandou parar tudo. “O cara queria me operar. Sim, fazer uma cirurgia durante as filmagens. Imagina?”, conta, estarrecido ainda hoje com o disparate sugerido pelo doutor.

Respondeu no ato: “Não. Só vou parar quando terminar o filme”. E foi-se embora com a sentença, a lista de antibióticos e a dieta espartana a que teria de se submeter por protelar a operação – 40 dias de quase jejum, “algo como ficar praticamente sem comer até o fim das filmagens”.

Padilha cumpriu a penitência, rodou seu RoboCop a duras penas e, enfim, passou pela cirurgia.

“Naquele momento, resolvi tomar conta de mim. Desde então, passei a olhar para a saúde e hoje me alimento bem melhor, tento não comer muita besteira. Mas também não sou xiita, nem virei vegano. Comecei a fazer exercícios no mínimo três vezes por semana.”

RoboCop não gerou tremor de igual escala. Fez pouco: em bilheteria, em repercussão e na trajetória de Padilha.

Na carreira, o abalo veio mais tarde, e em outro endereço. Padilha brilhou com a série Narcos. Hoje, ele é o brasileiro da Netflix.

“O que é Hollywood hoje? Hollywood é um bairro”, diz à VIP, horas depois de lançar no Rio sua segunda produção na Netflix, O Mecanismo.

Naquele abafado dia de março, Padilha girou entre jornalistas no Copacabana Palace de 10 da manhã às 6 da tarde, cumprindo a estratégia de divulgação de sua série.

Dado o contexto, impossível não sentir certo desdém no discurso do diretor sobre o declínio de Hollywood: “É apenas um conceito vago associado à ideia de glamour. RoboCop é um filme de Hollywood, mas não teve a repercussão de Narcos, que é produto da Netflix. Entende? Essa ideia de que Hollywood é um lugar em que você vai fazer alguma coisa de grande repercussão já passou, essa ideia já era”.

Na nossa conversa, Padilha responde a cada pergunta em tom quase didático, com uma pequena palestra sobre o assunto em questão. Sobre a tradicional indústria do cinema, ele segue: “Já não sei exatamente o que é Hollywood. Antigamente as pessoas pensavam nos estúdios, na Warner, na Universal… Hoje em dia, o audiovisual está completamente diferente, você pode fazer um filme, colocar no YouTube e ter 8 milhões de views. E nesse caso você é o quê? O grande diretor de onde? Não sei. E daí? Tudo mudou”.

Respira alguns segundos, como se buscasse ar fora da água, e logo mergulha de novo, em nado veloz: “Posso dizer sobre mim, e eu estou mais interessado na qualidade, na relevância do trabalho do que em sua repercussão. Não me importo com status, com essa coisa de dizerem: ‘Nossa, você está trabalhando em tal lugar, você é reconhecido, você é um sucesso’. Para mim, a resposta é sempre: ‘Ok’”.

 

Veja a reportagem completa de José Padilha na edição de julho da VIP.

 

José Padilha na capa de julho da VIP

 

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