Quem é a verdadeira musa fitness

Clarissa Giordani, CEO do grupo Saudifitness, não malha todos os dias nem toma suplemento, mas entende como funciona o ramo – e está faturando alto

Clarissa opera três dos maiores e-commerces de suplementos (Divulgação/Revista VIP)

Clarissa Giordani é uma empresária nada convencional.

Além de ser uma mulher em um ramo predominantemente masculino, a CEO do grupo Saudifitness é famosa por não ter medo de falar a verdade, mesmo quando se trata de abrir sua estratégia de negócios ou de confessar que não faz academia nem consome os suplementos alimentares que vende.

“Minha paixão por suplementos é nula. Não tomo, não pratico atividade física. Não dá tempo, trabalho 16 horas por dia”, conta ela, sentada em seu restaurante predileto, o Piselli, em São Paulo, comendo um risoto de frutos do mar e bebendo vinho rosé. “Para mim, isso é um negócio. Vi uma oportunidade.”

Negócio que vai bem, obrigada. O grupo, que agia apenas na distribuição de suplementos importados até abril, adquiriu a operação de três dos maiores e-commerces do país.

“Com a crise, eles faturavam zero, e ofereceram que eu cuidasse da operação por um determinado tempo. No fim desse prazo, viramos sócios de fato.” Tudo parece estar dando certo.

Os sites, Corpo Perfeito, Corpo Ideal e Boa Saúde, já faturam 3 milhões de reais ao mês – o maior concorrente é a Netshoes, cujo faturamento na área é 10 milhões de reais ao mês. Clarissa virou a dama de ferro do mundo fitness.

Não satisfeita, ela e seu sócio saudita resolveram abrir lojas físicas pelo país. No início de setembro já eram 25. Clarissa quer mais: 50 até o fim de 2017, 300 em cinco anos.

“Há um tempo, eu ia para o exterior e os fornecedores nem queriam falar comigo. Eu só consegui sobreviver porque reduzi minha margem e ganhei no volume. O mercado não estava acostumado com isso porque fazia muamba: trazia a proteína de forma ilegal e vendia sem pagar imposto. Mas, na crise, todo mundo quebrou. E as marcas de fora vieram me procurar.”

O Brasil é o segundo maior consumidor de suplemento do mundo, atrás dos Estados Unidos. “Eles são 13 vezes maiores que nós. Se o mercado aqui triplicar, já estou feliz.”

Clarissa sabe que o caminho tem obstáculos, como o preço dos produtos e as leis brasileiras, que dificultam a importação. “Mas isso está mudando, apesar do passo de tartaruga.”

Aos 35 anos, ela só reclama da falta de tempo para a vida pessoal. “Se me perguntarem hoje se preferia fazer sexo com o Brad Pitt ou ter uma boa noite de sono, não vou ter dúvidas. Prefiro dormir”, diz, enquanto ri e dá um gole no rosé.