Xaveco

XAVECO NO TRABALHO

REGRA 1
VALE MESMO A PENA?
A regra número 1 é não sair atirando para todos os lados. Ter imagem de dom-juan não é nada bom. O melhor é ter bastante certeza se o investimento vale a pena antes de partir para o ataque. Para a consultora de etiqueta empresarial Célia Leão, você deve usar sua sensibilidade para saber se há o mínimo de interesse recíproco, antes de iniciar a paquera. “Sempre pense o seguinte: se o relacionamento não for adiante, será que eu consigo ficar bem nesse ambiente? Se você já fez este questionamento e acha que sim, que dá para encarar, vá adiante.” Rampazzo concorda com a consultora. “Se você tomar um fora, como fica o seu orgulho, a sua vaidade, o seu sentimento?”, questiona.

REGRA 2
OS PRIMEIROS PASSOS
Outra importante dica é: estabeleça contato e crie vínculo. Se aproxime dela e, como quem não quer nada, dê um livro, um DVD. Não como presente, mas como um empréstimo, algo como “lembrei de você”. Ela pode não entender muito bem o motivo, mas, certamente, ficará com você na cabeça. Tal ação não compromete e dá seqüência ao caminho da sedução. Aliás, este é um lado positivo da paquera no trabalho. “Mais do que um xaveco, a situação ali adquire pitadas extras de sedução. Na balada, o convite tem que ser imediato, no trabalho não, tudo pode transcorrer com mais calma”, palpita Rampazzo.

REGRA 3
ESCONDA A RELAÇÃO
As manifestações explícitas de paixão devem ser evitadas, assim como o uso de e-mails, do MSN ou de outras ferramentas virtuais que são oferecidas pela empresa. Há empresa que estabelece proibição de namoros em seu código de ética. “Elegância e ética caminham de forma indissociável”, afirma Célia Leão. Ela mesma viveu a situação do flerte nesse ambiente tão especial e vai completar25 anos de casada com seu ex-chefe. Ele era diretor da empresa, e ela, sua subordinada. E esta questão da mistura de hierarquias pode ser um perigo, um dos campos minados da paquera no escritório. Dependendo do andamento do caso, a busca pelo prazer pode se transformar em um processo de assédio sexual. No caso de Célia, deu tudo certo e eles optaram pela discrição, mas, mesmo assim, chegou um momento onde um dos dois teve que sair da empresa. Em comum acordo, chegaram à
conclusão de que seria melhor que ela saísse.

REGRA 4
QUAIS SÃO OS LIMITES?
Lembre-se sempre de que a configuração do assédio só se dá quando a paquera e as investidas partem, a princípio, de cima para baixo, isto é, de quem tem um posto acima da pessoa que leva a cantada. Então, se você se interessar por uma subordinada e resolver investir nessa relação, saiba que corre esse risco. Por isso, a palavra de ordem é a discrição. Evite ao máximo as conversas no ambiente de trabalho. Para Cláudio José
Pereira Langroiva, advogado e professor de direito penal da PUC-SP, não se deve bobearcom a questão do assédio sexual. “O artigo é bem claro e diz que o uso de qualquer tipo de ascendência e seu poder dentro do ambiente de trabalho para tentar seduzir alguém pode fazer com que essa pessoa responda pelo crime de assédio sexual, que prevê de um a dois anos de reclusão”, explica o advogado.

Por isso, todo cuidado é pouco. Mas, se não há hierarquia, não há assédio. Então, é mais fácil se interessar pela colega que ocupa o mesmo cargo ou superior, não é? É, mas costuma ser mais freqüente a menina novinha na firma te dar mole do que a figurona da diretoria. Então, se não conseguir se segurar e quiser investir mesmo naquela colega que está abaixo de você (profissionalmente falando), tome certos cuidados:

:: O ideal é buscar deixar o ambiente corporativo, procurá-la fora das horas de trabalho. “Isso afasta a condição de assédio”, alerta Langroiva.

:: Convide-a para um happy hour, mas deixe-a explicitamente à vontade para recusar.

:: Jamais fale de suas condições profissionais no momento da sedução.

:: Observe bem se ela é mesmo tudo isso e se vale a pena correr o risco.