João Vicente, o homem em construção: “Já falei muita merda na internet”

Capa de agosto da VIP, bem-sucedido e famoso, só agora parece realizado de fato, ao chegar ao papel que mais ambicionava na carreira: protagonista de novela

joao vicente vip agosto

 (Ricardo Barcellos/Revista VIP)

O que é dar certo na vida?

Ganhar dinheiro, namorar mulheres bonitas, ser famoso, bem-sucedido, circular entre artistas e intelectuais?

João Vicente já poderia se considerar um vitorioso, mas só agora, aos 35 anos, prestes a protagonizar a primeira novela de sua carreira, apenas a segunda em seu currículo, ele parece confortável e feliz no papel que mais ambicionava em sua vida profissional, o de ator.

“Sonhava em ser ator, mas não queria que as pessoas soubessem que eu estava infeliz no que fazia. Tinha vergonha, não sei por quê. Talvez porque essa indústria da celebridade já estava muito aquecida e meu medo era de que pensassem que a vontade de ser ator tinha outros motivos que não a arte”, contou à VIP, numa tarde de inverno, em sua casa, no Rio de Janeiro.

Essa lembrança é da época em que João Vicente trocou o Rio por São Paulo para trabalhar como redator na W/Brasil.

Ele era assistente de direção, fazia curso profissionalizante de ator e escrevia para uma revista da MTV quando recebeu o convite para trabalhar na agência.

“Tinha medo de virar um desses cariocas, perdido entre praia, bar, bebida, mulherada. Um alarme tocou dentro de mim e eu fui para São Paulo. Aprendi muito, fiz coisas legais, mas sentia que não era aquilo. Acordava e pensava: ‘Será que é isso?’. Hoje tenho certeza. Minhas pretensões são grandes, quero ser muito bom. Faço fono, masterclass, coaching, tudo que dá tempo de fazer”, explica.

Hoje, ele é um homem multitalento, que se divide entre diferentes ofícios.

Sócio-fundador do Porta dos Fundos (no qual já foi mais presente como ator e roteirista); sócio dos restaurantes Chez Oscar e Orfeu, em São Paulo; do Estúdio Orth, escritório de arquitetura, design e direção criativa, em sociedade com Pedro Avila e Seba Orth; e eventualmente se arrisca na moda, em coleções masculinas que assina para a grife de sua mãe, Gilda Midani.

Além disso tudo, é um dos integrantes do Papo de Segunda, programa do GNT, no qual discute assuntos da atualidade.

João Vicente é o único remanescente da primeira formação, que tinha Marcelo Tas, Leo Jaime e Xico Sá.

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“Foi importante a permanência do João porque ele faz uma transição muito boa do elenco anterior para esse”, diz Fábio Porchat, um de seus sócios no Porta e apresentador do Papo, que tem ainda o músico Emicida e o filófoso Francisco Bosco.

“Os tempos mudaram e o João foi esperto e inteligente o suficiente para também se ajustar ao momento em que vivemos.”

João Vicente é o primeiro a admitir que mudou ao analisar seu comportamento na internet, que virou nas últimas semanas uma baliza perigosa no julgamento alheio.

“Já falei muita merda na internet, apaguei meu Twitter por isso. Falei absurdos dos quais não me orgulho. Era um moleque raivoso que queria aparecer”, diz, referindo-se ao episódio recente de caça aos tuítes de youtubers que caíram em desgraça ao terem posts antigos, racistas e homofóbicos, espalhados pelas redes.

João sofreu julgamento semelhante depois de dizer em entrevista ao programa de Porchat que Silvio Santos era machista, misógino e homofóbico.

“Disse porque acho, também disse que ele é um fodão da televisão, sou fã, mas isso não o exime de culpa. A gente tem que parar de achar que as pessoas são boas ou são ruins. As pessoas acertam e erram. O Silvio Santos não é só uma coisa, ele é um cara que revolucionou a televisão, mas tem atitudes erradas. A assessoria da Record, muito maldosamente, pegou essas aspas, tirou de contexto e isso virou manchete de jornal. Fui linchado na internet. Dói, dói muito.”

Sobre a atitude dos youtubers, João entende que os tuítes criminosos que apareceram são um retrato de uma época em que o bonito era ser maldito.

“Eu quero acreditar que aquelas pessoas não são racistas. Elas reproduzem um racismo mecânico que temos encruado. A nossa sociedade é racista, é homofóbica, mas a gente não pode julgar uma pessoa pelo que ela escreveu há 10 anos. Eu poderia ter me ferrado, não aconteceu por um milagre, mas agredi muita gente, porque eu era infeliz. Por outro lado, dói mudar, é desconfortável, mas é o único caminho.”

 

Veja a entrevista completa na edição de agosto da VIP, que também tem:

 

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 (Ricardo Barcellos/Revista VIP)

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Fotos | Ricardo Barcellos 
Styling | Roberta Tozato
Beleza | Mauro Marcos (AMUSE)
Produção| Daniele Aguiar
Assistência de Fotografia | Rafael Berezinski