Guia VIP da ioga

Conheça melhor a prática que o levará a suar à beça, conquistar uma musculatura tonificada e encontrar a solução definitiva contra seu stress. Há vários tipos de ioga, e, para ajudá-lo a escolher o seu, nosso repórter testou cinco deles – e sobreviveu

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Há alguns anos, encontrar um homem numa academia de ioga era coisa rara. Pelo menos por aqui, já que, no Oriente, a prática surgiu exclusivamente mas culina. Do lado de cá do globo, lugar de homem que queria bombar o corpo e desopilar a cabeça era somente a sala de musculação. Sorte que o tempo passa e as coisas mudam. O preconceito continua caindo e cada vez mais homens frequentam centros de ioga, principalmente depois que vários astros de Hollywood, como Alec Baldwin, Hugh Jackman e Chris Evans, divulgaram que são adeptos do esporte.
A ioga não tem como único benefício o relaxamento do corpo e da mente. A prática também ajuda no alongamento e fortalecimento dos músculos, elimina as toxinas, estimula a transpiração, dá mais energia e ainda melhora a concentração. Além disso tudo, pesquisas mostram que ela diminui os níveis de colesterol, melhora problemas respiratórios e controla  a pressão arterial. Mas, claro, tudo depende do seu empenho.
E quem pensa que praticar ioga se resume a fazer um bocado de movimentos estranhos e passar uma hora recitando mantras está bem enganado. Há diversas modalidades do esporte, cada uma com posturas específicas. Selecionamos aqui as cinco mais comuns – e eu testei uma aula de cada. Veja a que mais combina com você e com suas necessidades. E namastê.

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ASHTANGA VINYASA

Como são as aulas: são seis séries fixas de movimentos, que se aprendem progressivamente.
A ashtanga une posturas ligadas, que começam com a saudação ao Sol e passam para sequências em pé e no chão, num ritmo marcado por inspirações e expirações profundas, feitas somente pelo nariz. Prepare-se para sair encharcado de suor. Cada aluno faz sua própria série no seu próprio ritmo. As posturas são realizadas sem intervalo.
Combina com: pessoas que queiram trabalhar o corpo e aguentem atividades físicas puxadas.
Benefícios: enquanto o suor desintoxica o organismo, a respiração forte ajuda a aquecer o corpo internamente, renovando o sangue e ajudando a prevenir lesões.
Em um ano… você vai estar mais forte, com mais flexibilidade e equilíbrio. Além disso, vai sentir diferença em sua capacidade de concentração e no alinhamento da musculatura e das articulações.
vip testa: sem os sapatos, cada aluno pegou o mat (tapetinho) e ficou em pé, com os pés juntos, na ponta deles. O professor pediu que fechássemos os olhos e uníssemos as mãos. E então todos começaram a fazer uns barulhos com a boca – menos eu, claro, que não sabia o que estava acontecendo – que pareciam com um “ahumm”. Estávamos saudando o Sol. O negócio começou a complicar quando tivemos que tocar o chão com as mãos sem flexionar as pernas  nem levantar a sola, pousando a testa nos joelhos. Voltamos a ficar de pé e, daí, fizemos uma posição parecida com a de um sapo, para depois jogar o corpo para trás e fazer uma flexão que lembrava um mergulho. A flexão é OK, ruim é a posição de letra V ao contrário que fizemos depois, com a palma das mãos e a sola dos pés apoiadas no chão e braços, pernas e coluna esticados, com a testa no chão. É até difícil imaginar como é, mas, acredite, dá para fazer. Agora imagine todos esses movimentos e muitos outros em sequências ininterruptas. Pois é, é muito hard. Nunca suei tanto na vida.

IYENGAR YOGA

Como são as aulas: o aluno usa acessórios para realizar os exercícios, como cintos, cadeiras, almofadas, blocos de espuma e até a parede da sala. Prepare-se para fazer muita flexão e torção e ficar bastante tempo em cada postura. Para finalizar, o aluno deita em posição de cadáver para relaxamento total.
Combina com: quem é mais detalhista e prefere focar mais na postura que na repetição.
Benefícios: sabe a sua má postura? Já era!
Em um ano… o equilíbrio adquirido com as aulas vai ajudar você a conciliar as atividades de musculação ou corrida, por exemplo, com o correto alinhamento do corpo.
vip testa: achei a modalidade mais simples que a ashtanga. Os exercícios são menos complexos – porém, não menos dolorosos –, você não sua muito e já sai da aula se sentindo mais leve. Como minha resistência não é das mais admiráveis, o professor ficou ao meu lado, alinhando meu corpo corretamente, principalmente a coluna e os músculos das pernas. Nessa aula, tive que ficar até de cabeça para baixo, tentando me equilibrar somente com os antebraços. Alonguei músculos desconhecidos. Também tive que apoiar minha testa num desses blocos de espuma enquanto esticava a coluna o máximo que conseguia sem tirar a sola do pé do chão. É um sofrimento imenso, mas você sai da aula com uma postura mais correta. A melhor parte da aula – o que quer dizer aquela em que não senti muita dor – foi quando centralizei um desses blocos entre minhas escápulas (os dois ossos das costas) e um na minha nuca, deitando sobre eles com as pernas cruzadas e tocando o chão. Fechei os olhos e me concentrei na respiração. Quando eu estava começando a relaxar de verdade, o professor pediu que tirássemos o bloco da nuca e tocássemos a cabeça no chão. Aí a dor voltou. Mas aguentei.

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POWER YOGA

Como são as aulas: muitos as consideram a modalidade mais puxada. Os movimentos são mais fortes, e a respiração, dinâmica. Alia posturas da ioga com exercícios e movimentos extras. Não há sequências fixas – só no aquecimento. É o tipo mais ocidental de ioga.
Combina com: pessoas que curtem treinos mais intensos e buscam condicionamento físico, além de flexibilidade e força.
Benefícios: aumenta a força, resistência, flexibilidade, capacidade de atenção e concentração.
Em um ano… você ganha mais força e resistência, define os músculos, melhora a postura e a circulação, regulariza o sistema endócrino, fortalece o sistema imunológico e regula a pressão sanguínea.
vip testa: uma das partes mais difíceis da aula foi quando tive que ficar em uma posição que parecia de sapo e me equilibrar só com as mãos (já que minhas pernas estavam apoiadas nos meus cotovelos), colocando todo o peso do corpo para a frente. Claro que não consegui me equilibrar por mais de 2 segundos. Depois disso, fiquei em posição horizontal, como se fosse fazer flexão de braço. O professor disse para levantarmos uma perna o mais alto possível e depois a outra. Já imaginam o que aconteceu? Dei aquele beijo no chão. Quando pensei que a pior parte já tinha passado, eis que tivemos de ficar em pé, abrir bem as pernas flexionando a direita e colocando a mão direita na frente da perna, com o corpo reto e com o braço esquerdo levantado. Pode parecer simples, mas não é. Tente ficar nessa posição por 30 segundos.
Você sente até sua alma sendo esticada. Também suei bastante durante a aula. Minha camiseta saiu pingando. Precisei de muita força e concentração. Em compensação, no final da sessão, deitei no tapete, relaxei todos os músculos e me concentrei na respiração. Levantei outra pessoa.

 

HATHA YOGA

Como são as aulas: variam bastante. Podem ser mais tranquilas, com movimentos mais lentos, ou focadas na força e no alongamento. Mas sempre terminam com um bom relaxamento no final. A hatha é a “mãe” das outras modalidades de ioga.
Combina com: quem prefere um foco maior em conhecer o próprio corpo.
Benefícios: melhora a saúde em geral.
Em um ano… os músculos das costas e os glúteos ficam mais moldados, além de aliviar as dores nas costas e corrigir a postura.
vip testa: a aula começou leve, com todos nós deitados no tapete, de olhos fechados, com as mãos e os ombros relaxados, focados na respiração. Então começamos a levantar uma perna enquanto a outra permanecia no chão, o máximo que cada um conseguia, sempre inspirando e expirando. Depois, hora de levantar as duas pernas juntas, prestando mais atenção nos músculos abdominais e na parte inferior das costas. No começo, tudo parece simples. Mas é só aparência, porque logo em seguida veio a posição da roda, talvez a pose mais conhecida da ioga. Deitado, com as pernas flexionadas até os glúteos, eu primeiro levantei o quadril, ainda com a cabeça no chão. O estalo que deu na minha coluna me assustou. Começou a incomodar quando tive que apoiar as mãos no chão e levantar o resto do corpo. Tremi mais que vara verde. Um pouco menos difícil foi a posição de ponte. Em vez de usar as mãos para levantar a parte da frente do corpo, você vai segurar os tornozelos – ou pelo menos tentar chegar o mais próximo deles. Essa posição fortalece os músculos das costas e os glúteos, além de alongar os músculos do pescoço. Minha sorte é que os exercícios finais são mais suaves. O último foi a torção da coluna espinhal, bem relaxante. Sempre senti dores nas costas por usar mochilas pesadas, mas com esse exercício a dor deu uma aliviada, inclusive no pescoço.

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RAJA YOGA

Como são as aulas: mais calmas e tranquilas. A raja possui um número maior de técnicas mentais. A prática pode ser feita em qualquer ambiente e a qualquer horário, até na sua casa antes de dormir.
combina com: introspectivos e adeptos da meditação.
Benefícios: adeus, insônia e dispersão.
Em um ano… com 15 ou 20 minutos diários de raja, você será capaz de se concentrar até nos ambientes mais barulhentos e caóticos.
vip testa: depois de passar a semana suando e fazendo posições difíceis, eu merecia um descanso. A raja é um tipo de ioga diferente, de meditação, em que a mente e a concentração são mais trabalhadas que o corpo. Para meditar, é preciso fazer alguns exercícios básicos antes. Sentei no bom e velho tapetinho, com as pernas estendidas, a palma das mãos virada para baixo e os dedos apontando para a frente, um pouco atrás do corpo. Apoiado nas mãos, levantei o corpo e fiquei na ponta dos dedos por alguns segundos. O outro exercício para fazer antes de meditar é estender uma perna e colocar o tornozelo da outra na virilha, levantar os braços e olhar para a ponta dos dedos por alguns segundos. Depois, é só repetir com a outra perna. Após esse alongamento, sentei numa almofada com as pernas cruzadas, a coluna ereta e os ombros abertos. O professor pediu que fechássemos os olhos e relaxássemos o rosto com um leve sorriso. As mãos ficaram para baixo, sobre os joelhos, com os polegares os e indicadores se tocando. Tive que me concentrar na inspiração e na expiração, repetindo mentalmente “So Ham” (pronuncia-se “sou ram”), que significa: eu sou uno a Deus. Na inspiração, diz-se So; na expiração, Ham.
Me senti um pouco impaciente – por ser muito acelerado. Mas, talvez justamente por isso, eu precise exatamente da raja.