Movember: como cuidar da saúde e do bigode

Novembro é o mês de deixar o bigode crescer. E se lembrar da razão: cuidar da saúde, especialmente em relação à prevenção do câncer de próstata

Milo Ventimiglia

(Divulgação/Reprodução)

Muitas boas ideias nasceram e morreram em mesas de bar. Não esta.

Em 2003, dois amigos australianos, Travis Garone e Luke Slattery, tomavam cerveja em Melbourne quando pensaram em deixar crescer seus bigodes como forma de chamar atenção para o fato de homens estarem morrendo jovens por simples falta de atenção à saúde.

Naquele ano em que o Movember (palavra formada pela junção de moustache, ou bigode em inglês, e november, o mês) nasceu, eles encontraram 30 sujeitos dispostos a deixar os pelos crescerem sobre os lábios.

Em 2015, bateram os 5 milhões de participantes de 21 países, incluindo o Brasil, e arrecadaram mais de 500 milhões de euros para a causa.

Por aqui, o movimento foi batizado de Novembro Azul e tem como alvo principal o combate ao câncer de próstata.

Todo ano, 60 mil brasileiros são diagnosticados com a doença. E, a cada 40 minutos, um morre por causa dela. Mas esse número podia ser muito menor caso vocês, homens, se cuidassem.

 

A SAÚDE

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(Reprodução/Divulgação)

Quais as formas de detecção?

Não tem jeito e não adianta fugir. Fazer consultas periódicas ao urologista e exames de toque de próstata são as únicas formas de detecção da doença – o procedimento é chamado de rastreamento (ou screening).

“Ele deve começar aos 45 anos em pacientes com histórico familiar e 50 anos para aqueles sem esse fator de risco. O screening clássico é composto do exame de PSA, que é coletado no sangue, associado ao toque retal”, afirma o cirurgião e urologista Mateus Furtado, membro da Sociedade Brasileira de Urologia.

O PSA, ou antígeno prostático específico, mede a quantidade dessa enzima, produzida pela próstata, no sangue. Níveis altos de PSA soam o alarme de que há algo de errado com a glândula.

Qual o benefício do diagnóstico precoce?

“Quando descoberto em estágio inicial, o câncer de próstata pode chegar a uma taxa de cura próxima de 90%”, diz o especialista. “Não há dúvidas de que as melhores chances são reservadas àqueles que fizeram o diagnóstico precocemente e foram tratados de forma adequada em centros especializados de câncer.”

Como prevenir-se?

Não existe prevenção de fato, por isso a ida ao médico é tão importante. O tabagismo é considerado um fator de risco – mas a relação do cigarro com a doença não é tão forte quanto com cânceres de pulmão e bexiga.

“A obesidade não é um fator de risco, porém é considerada um fator prognóstico: indivíduos obesos desenvolvem subtipos mais agressivos do câncer. O hipogonadismo, ou baixa hormonal, também.” Estudos recentes desvinculam a terapia de reposição hormonal de maiores chances de desenvolver a doença.

Quais os sintomas?

Na fase inicial, o câncer não tem sintomas. Conforme a doença progride, explica o médico, eles “se relacionam com a obstrução do fluxo urinário e o paciente se queixa de jato urinário fraco, sensação de esvaziamento vesical incompleto e necessidade de ir ao banheiro várias vezes durante a noite”.

Menos biópsias

Níveis elevados de PSA no sangue também são sinal de outras doenças, como prostatite aguda e crônica. Muitas vezes, os homens são submetidos à biópsia sem necessidade.

Para evitar isso, hoje existe o índice de saúde da próstata, ou PHI. “Ele envolve uma fórmula que contempla a dosagem do PSA total, PSA livre e p2PSA, chegando a uma acurácia maior.” O teste pode reduzir em até 30% a necessidade de biópsias – geralmente, 75% delas têm resultado negativo para o câncer.

 

A ESTÉTICA

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Por que usar um bigode?

Não é só porque estamos em novembro. “Os bigodes estão voltando com tudo”, atesta Bruno van Enck, proprietário da Barbearia Corleone, em São Paulo.

Esqueça, porém, aquele modelo ostentado por nossos pais. “Parecia que eles tinham engolido uma pomba e deixado o rabo para fora, né? Eram pelos puramente cortados para não entrar na boca. Hoje é muito diferente. Ainda mais com o uso de ceras, que ajudam a moldar os bigodes.”

Bruno van Enck

Bruno van Enck, da Barbearia Corleone: “Bigodes estão voltando com tudo. E estão em alta aqueles com cara dos anos 30”. (VIP/Reprodução)

Que tipo é mais recomendado?

Bruno acredita que não exista um bigode melhor do que o outro. “Vivemos tempos de liberdade, em que, com as redes sociais, todos expressam suas vontades e são ditadores de tendência”, acredita.

“Por isso, qualquer um pode ter um bigode. Sendo bem tratado, bem aparado e limpo, você pode usar qualquer tipo.”

Ele afirma, no entanto, que há um tipo mais “fácil”: aquele que você só tira o volume e o contorno nos lábios. “O pelo não fica comprido para entrar em sua boca quando você come.”

Segundo Bruno, estão também em alta os bigodes estilo anos 30, à la Clark Gable.

Tem jeito de deixar crescer sem parecer adolescente?

“Não”, diz Bruno. O processo todo leva uns 15 dias, mas essa fase é inevitável. “Tenha personalidade durante a transição.” Uma opção é deixar a barba e o bigode crescerem juntos.

“Depois, tire só a barba e mantenha o bigode. É o único jeito de não ficar com aquele bigodinho estranho.”

Como fazer a manutenção?

Primeiro: nada de lavar com sabonete ou com xampu de cabelo. Use um produto específico.

“O pH de seu rosto é diferente do couro cabeludo. Um xampu para barba e bigode vai limpar também a pele”, diz Bruno. Para controlar o volume, você pode passar uma máquina, com pente mais alto, e usar uma tesoura pequena.

 

INSPIRAÇÃO

Quais são os bigodes mais estilosos e quem os popularizou?

(VIP/Divulgação)

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Trate bem seu bigode