Quantas doses você pode beber sem prejudicar a saúde

A partir de quantos copos você chegou no limite? Fizemos a contabilidade para você

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 (Pixabay/Reprodução)

Quantos drinques se pode beber sem prejuízo para a saúde?

Depende.

Qualificá-lo como um sujeito com tendência ao excesso vai depender de muita coisa — em última instância de grandezas aritméticas: duas doses podem significar muita dor de cabeça para uns e nenhuma para outros.

Além disso é preciso lembrar que o vinho tinto, por exemplo, é rico em flavonóides, substâncias que previnem o ataque cardíaco e reduzem o colesterol. Ou seja, beber com moderação pode ser bom para a saúde.

Para não fazer uma análise assim, às tontas, pinçamos várias pesquisas e entrevistamos especialistas para definir o que cada dose pode dar de bom ou de ruim para você.

Consideramos algumas relações alcoólicas sobre as quais convém saber mais: uma dose de uísque (aquela feita com medidor de barman, relativa a 50 ml), assim como a mesma medida de vodca ou cachaça, equivale a 20 gramas de etanol, álcool puro.

Enquanto que 100 ml de cerveja carregam o equivalente a 4 gramas de álcool puro.

E uma taça de 100 ml de vinho tem 15 gramas de álcool. As mulheres devem multiplicar esses números por 2 e, portanto, estabelecer um ponto final para seus copos antes de seu companheiro.

Por dois motivos.

O primeiro é que o álcool se distribui no corpo humano por porção de água e não de gordura. Uma mulher de 70 quilos, se comparada a um homem do mesmo peso, tem muito mais gordura corporal.O álcool, portanto, se “dilui” em menor espaço.

Segundo, porque os homens têm uma enzima no estômago que inicia o metabolismo do álcool logo nesse estágio da digestão, ao contrário das mulheres, que com a ausência da tal enzima só o metabolizará quando aquelas doses chegarem ao intestino.

Estamos entendidos quanto ao básico? Então, tintim.

 

Entre uma e duas doses por dia

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 (Worldclass/Instagram)

O lado bom – Uma dose de álcool por dia ou pouco mais pode dar a você a chance de vida mais longa e saudável do que teria um abstêmio.

“Pequenas doses de álcool provocam o aumento do HDL, o colesterol bom que ajuda a limpar as artérias do acúmulo de gorduras”, diz Maria Lucia O.S. Formigoni, coordenadora da Uded (Unidade de Dependência de Drogas), da Escola Paulista de Medicina, e professora do departamento de psicobiologia da Unifesp.

Pesquisas feitas com mais de 22 mil homens ao longo de dez anos pelo Boston’s Brigham and Women’s Hospital, nos Estados Unidos, revelaram que os que consumiam um drinque por dia corriam 21% menos riscos de doenças mortais que os abstêmios.

Tal dosagem alcoólica no organismo diminuiria o risco de ataque cardíaco entre 25% e 40%.

O lado ruim – Nenhum, que se tenha notícia. Mas os médicos dizem que, se você não adquiriu o hábito de beber até aqui, não é o caso de começar agora.

Alterações – Mais de 30 gramas de álcool diariamente é um caminho certo para a preocupação. Menos que isso, sem problemas.

Em um homem de 70 quilos, o nível de álcool no sangue, chamado BAL (blood alcool level), de uma dose de bebida é algo ínfimo como 0.016 — ou seja, seu organismo quase não nota.

Contudo, testes feitos com quarenta motoristas, pelo departamento de psicobiologia da Escola Paulista de Medicina, mostraram que a partir de uma dose e meia de bebida alcoólica já há alterações na coordenação motora.

“Há prejuízo no reflexo dos motoristas. Eles perdem o poder de crítica: não percebem que fizeram uma manobra errada”, diz Maria Lucia.

O estudo concluiu ainda que os motoristas tendem a perder a noção de velocidade, tempo e profundidade.

Portanto, uma recomendação: não se salve de um ataque cardíaco para morrer de acidente de trânsito.

 

Entre duas e três doses por dia

DUNEDIN, NEW ZEALAND - MAY 11: Michele Mouton of France drinks Champagne after competing in the 2008 Rally Of Otago on May 11, 2008 in Dunedin, New Zealand. (Photo by Hannah Peters/Getty Images) “Competência é mais importante que gênero” Michèle Mouton, vice-campeã do Mundial de Rali de 1982

“Competência é mais importante que gênero” Michèle Mouton, vice-campeã do Mundial de Rali de 1982 (Hannah Peters/Getty Images)

O lado bom – Estamos no limite do equilíbrio.

Por hora temos a dizer que uma pesquisa feita nos Estados Unidos com 40 mil homens com idade média de 40 anos, bebedores de duas a quatro doses por dia, revelou que 40% deles mostravam menos riscos de desenvolver diabete.

A bebida, ingerida com as refeições, faria o corpo utilizar de maneira mais eficiente a insulina, o hormônio que controla o nível de açúcar no sangue.

O lado ruim – Infelizmente, a segunda e a terceira dose podem aumentar as suas chances de ter osteoporose e fragilizar seu fígado.

“Também podem ter um efeito corrosivo sobre a mucosa do esôfago”, diz Maria Lucia.

Estudos sugerem que os níveis da principal proteína que constitui os ossos caem dramaticamente em até 80% momentos após a ingestão da segunda dose.

“Mais de 30 gramas por dia de álcool têm efeito degenerativo sobre as células hepáticas”, diz a nutricionista paulista Patricia Bertolucci.

Alterações – A bebida alcoólica é um poderoso diurético. Mais de duas doses de uísque ou duas taças de vinho de 100 ml podem desidratar o corpo humano em até 2% do seu peso total. “Leva à indisposição e aumenta o trabalho renal”, afirma Patricia.

Beber com a comida essa mesma quantia de álcool puro impede a absorção das vitaminas B1, B12 e C.

 

De quatro a cinco doses por dia

Caco bêbado

 (Pixabay/Reprodução)

O lado ruim – Adeus, vida real.

Se por um lado, quatro ou cinco doses de álcool diárias no sangue desligam você dos problemas verdadeiros; por outro, as chances de você se livrar definitivamente deles com uma morte prematura são enormes.

Bebendo 80 gramas diárias de álcool ou cinco doses de uma bebida destilada, por quinze anos, as chances de ter uma cirrose saltam para 80%.

A bebida inibe a secreção do hormônio antidiurético, e isso é avassalador para os rins, que perdem o equilíbrio com tanto trabalho extra.

“O uso crônico de álcool em grandes doses danifica o músculo do coração. O órgão ‘incha’ e perde poder de contração”, diz Maria Lucia.

Aumenta, com isso, a pressão arterial; e os riscos de sofrer um ataque cardíaco se multiplicam. O cérebro ganha avarias visíveis.

Mais precisamente, em um núcleo do cerebelo chamado Purkinje, onde milhões de células se responsabilizam pelo controle dos sentimentos, do movimento e da razão.

Pesquisas feitas na Finlândia, a partir da autópsia de 66 homens bebedores contumazes, descobriram que aqueles cujo histórico apontava o consumo de menos de três doses diárias de álcool tinham 15% mais células Purkinje que os que bebiam mais doses diárias.

Alterações – Com cinco doses de bebida você pode se tornar agressivo, perder totalmente a capacidade de julgamento.

Sua memória fica enevoada, sua coordenação motora evapora, sua língua enrola. E, se nada disso o sensibiliza, saiba que você se torna um cara insuportavelmente chato.

 

 

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