Atitudes simples podem fazer o sexo voltar a pegar fogo

A diferença de ritmo sexual de um casal é quase regra, e não exceção — mas tem solução

 (Pixabay/Reprodução)

Depois de 25 anos, ainda me espanto com algumas (poucas) narrativas sexuais em consultório.

Mas queria mesmo era poder me espantar com um casal, com mais de cinco anos de relacionamento, que entrasse lá dizendo algo como: “A gente tem um ritmo sexual igualzinho, estamos satisfeitíssimos com a quantidade de sexo”.

Aí, sim, eu cairia da cadeira. Claro, tenho uma “amostra” viciada, afinal as pessoas me procuram justamente por sua insatisfação na vida sexual e amorosa.

Mas essa é uma queixa que ultrapassa consultórios: basta sentar com algumas mulheres e puxar a conversa.

Sempre há uma reclamação dessa “sina” conjugal: alguém fazendo sexo “de menos” ou reclamando querendo mais.

As pessoas são diferentes e cada um dá ao sexo sua própria escala de valor.

Há ainda componentes que interferem, como fases da vida, idade e mais um punhado de fatores que incidem no comportamento sexual de cada um de nós.

A questão é que, quando apaixonados, somos uma máquina de tesão e o ritmo natural de cada um é potencializado, assim como a capacidade de ser meigo, sedutor, educado, paciente e monogâmico.

Por isso, invariavelmente, quando a paixão diminui, a sensação de ter caído na propaganda enganosa é grande.

A fantasia muda de lugar: agora, como se está fazendo sexo com menos regularidade, o reclamante sempre acha que, por ele, transaria todo dia.

Para se ter uma ideia da discrepância, segundo o mais recente levantamento de comportamento sexual Mosaico 2.0, do ProSex (Projeto Sexualidade) do Hospital das Clínicas, enquanto os homens gostariam de ter mais de oito relações sexuais semanais, as mulheres priorizam a qualidade de sono à quantidade de sexo.

A diferença de ritmo em casais heterossexuais não acontece só na sua casa.

Mas tem mais. Você tem um pênis “para fora”, que o ajuda a lembrar de sexo, e sua mulher, um órgão menos exposto.

E você tem muito mais testosterona. E você foi estimulado a fazer sexo por prazer.

Talvez daqui a alguns anos as mulheres passem a também ser mais visuais e a lembrar de sexo toda vez que veem um corpo másculo. Elas estão se libertando das amarras culturais.

No entanto, há mais caroço nesse angu: muitas são mais sexualmente responsivas. Ou seja, excetuando fases muito pontuais, não sentem essa vontade física de transar — ou a sentem somente em alguns dias específicos do mês.

Por isso, pouco tomam a iniciativa sexual. Mas, quando estão excitadas, “pegam no tranco”.

De qualquer forma, é possível ajustar um casal que tenha química e vontade.

Isso pressupõe conhecimento sobre a própria resposta sexual e a busca dos disparadores de tesão: filmes românticos, sensuais ou eróticos, contos, uma frase diferente, um cenário que inspire, uma massagem, um carinho.

É necessário algo externo para dar uma pausa e focar em sexo. E já que você é o interessado, em vez de reclamar, ofereça a ela o universo da sacanagem, respeitando seu jeitinho de ser.

Seja criativo. Seja curioso. Investigue. Talvez o erotismo dela seja mais bolero do que samba.

Agora, se é você quem anda com a libido baixa, pode ser bom buscar ajuda médica para entender por que sua engrenagem sexual anda emperrada.

Porque sua natureza, como vimos, não o leva para esse lado.


Ana Canosa é psicóloga clínica, terapeuta e educadora sexual e acredita que sexo e afeto são dimensões constitutivas da vida humana

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