[Ideias VIP] Conversar sobre sexo pode salvar seu relacionamento

Por medo de encarar as dificuldades entre quatro paredes, o casal acaba criando um fantasma

Casal cama

 (Pinterest/Reprodução)

Outro dia ouvi de um colega que boa parte das pessoas não se casa com os melhores parceiros sexuais que tiveram, mas com os promissores parceiros de vida.

Isso reforçaria a ideia de que sexo e amor são coisas distintas, embora as pessoas desejem que caminhem juntas. Fiquei pensando sobre isso.

Ele quis dizer que é comum as pessoas, fazendo um balanço, avaliarem que a transa fantástica da sua história não tenha sido com as(os) companheira(os).

Razões? Talvez circunstanciais mesmo, do acaso. Ou talvez alguém que valorize muito o erotismo goste de variação sexual, coisa que a monogamia do amor romântico não favoreça.

Penso que essa possa ter sido uma realidade em muitas relações e ainda vejo pessoas se unirem mais pela conveniência (material e afetiva) que o “casamento” oferece do que pela satisfação sexual.

Mas acho que isso está mudando e hoje homens e mulheres dão mais valor para a “liga sexual” no projeto a dois — o que nem sempre, diga-se, é suficiente para manter a satisfação sexual durante a convivência do casal.

Essa nova realidade garante liberdade para tratar do tema e encarar as dificuldades que aparecem. Ou pelo menos deveriam.

Quando o sexo vira um tema tabu, qualquer ajuste vai para a cucuia. Os dois sabem que está difícil ou que há alguma coisa ruim, algum problema… e simplesmente não se fala sobre o assunto.

Casal cama

 (Arquivo/Getty Images)

Alguém perde o interesse no sexo, o outro se ressente, acha que não é mais amado, desejado e que está sendo traído.

Começa a buscar sinais, testar o parceiro, fica doente, carente e muitas vezes agressivo. Constrói histórias mirabolantes sobre os porquês até que começa a acreditar nelas e a reagir com o outro baseado em suas próprias convicções.

Vai ver que o inapetente estava só passando por uma fase ruim, ou com grilos em sua autoestima sexual. Mas, como não trataram do assunto, as coisas tomaram proporções monstruosas e o momento de intimidade ficou tenso, inapropriado, desconfortável. Muitos casais se afastam assim.

Frases irônicas e agressivas delas às vezes estão encobrindo raivas e insatisfações sexuais — como uma transa sem carinho que vai direto para a penetração ou pouca dedicação ao prazer da parceira. E, claro, assim também os homens atacam suas parceiras.

Certa vez, um homem revelou que estava ressentido porque a mulher havia parado de fazer sexo oral nele. Ele desenvolveu uma crença sobre isso: ela não gostava de seu pênis.

Descobrimos depois que o problema era o condicionador de cabelo que ele passava nos pelos pubianos, para ficarem mais macios (achando que seria mais agradável para ela). Bingo: o cheiro, doce demais, a nauseava. Ela havia ficado “sem graça” de dizer.

Dá para imaginar que essa falta de informação custou ao casal, além de fantasias de rejeição e autoimagem corporal comprometida, dois anos de sexo oral?

Portanto, querido, na dúvida, trate de colocar o assunto na pauta do dia.

*Ana Canosa é psicóloga clínica, terapeuta e educadora sexual